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SÃO PAULO – Para o presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Paulo Safady, os preços dos materiais de construção não devem continuar subindo. Em entrevista para a Agência Sebrae, Safady afirmou que, daqui para frente, devemos entrar em outro ciclo.
“Os preços vêm subindo sistematicamente. Até setembro, subiram o dobro da inflação. Porém, não vai ter mais sentido continuar havendo evolução de preço daqui pra frente. Vamos entrar em outro ciclo.”
Em setembro, o Custo Nacional da Construção Civil, calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em parceria com a Caixa Econômica Federal, variou 1,30%. No acumulado do ano, a alta foi de 9,11%, e nos últimos 12 meses, de 10,95%.
Ao considerar apenas os preços dos materiais, registrou-se aumento de 2,03% no nono mês do ano, contra 1,83% em agosto.
Crise
Assim como outros especialistas do setor, o presidente da CBIC acredita que o setor de construção civil deve fechar o ano em alta de 8,5%. Para ele, os efeitos da crise internacional só serão percebidos a partir do próximo ano.
“Nosso setor é irrigado com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e, por esse motivo, não depende tanto da oferta de crédito. Nossa expectativa é que a crise não vai nos afetar”, disse.
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Por outro lado, admite ele, o mercado imobiliário buscou recursos na bolsa de valores, o que pode provocar mudanças e fazer com que muitos consumidores adiem suas aquisições de imóveis.
Crédito mais caro
Outro fator que pode impactar nas vendas de imóveis é o crédito. Segundo informações do presidente da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção), Cláudio Con, o consumidor que precisar de crédito para a compra de materiais de construção encontrará taxas 30% mais caras. Por outro lado, diz ele, os financiamentos das próprias lojas não sofreram quaisquer alterações.
“Em outubro, com o fortalecimento da crise, o consumidor já encontra crédito 30% mais caro em financeiras, ou mesmo nas compras com cartão de crédito. Já no financiamento das próprias lojas, não houve nenhuma mudança, pois, ao contrário do que acontece com carros, por exemplo, as vendas de materiais de construção não são feitas com prazos tão longos.”