Preço do milho cai ao menor nível em 8 meses com comprador afastado

O preço do milho na quarta-feira fechou em R$64,51 a saca de 60 kg (base Campinas), o menor patamar desde 1º de outubro

Reuters

Colheita de milho perto de Brasília 22/08/2023 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Colheita de milho perto de Brasília 22/08/2023 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Publicidade

Os ⁠preços do milho seguem em queda neste começo ⁠de junho na maior parte das regiões produtoras do Brasil, com ‌um indicador referencial no país marcando o menor patamar nominal em oito meses nesta semana, enquanto compradores estão afastados do mercado ‘spot’ e a colheita da ‌segunda safra está em fase inicial.

O preço do milho na quarta-feira fechou em R$64,51 a saca de 60 kg (base Campinas), o menor patamar desde 1º de outubro, quando encerrou a R$64,31 por saca, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). No ano passado, o país colheu ⁠sua ‌maior safra da história.

‘Demandantes nacionais, além de possuírem estoques para o consumo ⁠no curto prazo, seguem atentos à colheita de segunda safra e às recentes quedas dos preços internacionais, que reduzem a paridade de exportação e, consequentemente, pressionam as cotações domésticas’, disse o centro de estudos da Esalq/USP.

Na média das praças acompanhadas pelo Cepea, os preços recuaram 1,4% no ​mercado de balcão (preço recebido pelo produtor) e 0,6% no de lotes (negociação entre empresas) entre 28 de maio e 3 de junho, segundo o Cepea.

As ​quedas têm sido mais intensas em regiões produtoras, especialmente nas do Centro-Oeste, onde o Mato Grosso já realiza a colheita da segunda safra.

De 28 de maio a 3 de junho, o milho se desvalorizou expressivos 3,2% em Sorriso (MT), a R$43,91/saca. No mesmo período, as baixas foram de 1% ‌em Rio Verde (GO) e em Chapadão do Sul (MS).

Do lado ​vendedor, os que não necessitam fazer caixa ou liberar espaços nos armazéns ainda limitam as negociações. ‘Neste caso, agentes aguardam sustentações nos valores, fundamentados na menor produção em 2025/26 e nos possíveis ⁠impactos na produtividade com ​a seca, principalmente em ​Goiás e partes de Mato Grosso do Sul, além das geadas no Paraná’, apontou o Cepea.

A ⁠safra 2025/26 do Brasil, estimada pela estatal ​Conab em mais de 140 milhões de toneladas, é considerada por ora como a segunda maior da história, perdendo apenas para o recorde do ciclo passado.

Já no mercado ​de soja a liquidez está elevada neste início de junho, influenciada pelo forte ritmo das exportações e pela demanda aquecida por ​parte da indústria doméstica ⁠de processamento, disse o Cepea.

Continua depois da publicidade

‘Esse cenário limitou quedas mais expressivas nos preços da oleaginosa, mesmo diante da ⁠safra recorde colhida no Brasil e das perspectivas favoráveis para a oferta global, com o avanço da colheita na Argentina e a semeadura nos Estados Unidos’, afirmou a análise.

O Indicador Cepea/Esalq – Paranaguá caiu 0,7% entre 28 de maio e 3 de junho, encerrando a R$130,02/saca de soja na quarta-feira.