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Dados do Banco Central têm mostrado um avanço no endividamento das famílias. Esse movimento acendeu um alerta entre investidores, preocupados com a deterioração da inadimplência e a possibilidade disso, finalmente, se traduzir em um impacto na qualidade de ativos de forma mais significativa.
Para tentar analisar esse fenômeno, o Bradesco BBI adotou uma estratégia menos convencional. O banco analisou as informações de serviços bancários de varejistas, em busca de um indicador razoável de inadimplência entre clientes de baixa renda.
A primeira opção de análise, a que poderia ser mais tradicional, seria através da carteira de varejo dos grandes bancos. De acordo com o BBI, entretanto, essas instituições talvez não ofereçam o melhor indicador precoce de deterioração da qualidade dos ativos. Em especial, entre clientes mais sensíveis às condições atuais.
De maneira geral, para os analistas, as carteiras de varejo dos bancos tradicionais são mais diversificadas em termos de faixas de renda e produtos com garantia. Enquanto as informações de inadimplência e endividamento, afetem mais populações de baixa renda.
Além disso, apesar dos bancos sob a cobertura do Bradesco BBI apresentarem uma deterioração precoce da inadimplência no 1º trimestre, os analistas acreditam que o resultado esteja, na verdade, refletindo uma sazonalidade típica.
O Itaú Unibanco (ITUB4) e Santander Brasil (SANB11), por exemplo, registraram aumento de 0,20 ponto percentual (p.p.) neste indicador em relação ao trimestre anterior. Ao mesmo tempo, o Banco Inter (BDR: INBR32) apresentou alta de 0,60 pp e Nubank (BDR: ROXO34) de 0,90 pp.
Por esse motivo, a escolha de análise foi para os bancos voltados para o consumidor dos varejistas. Neste caso, o BBI buscou dados do Midway (Riachuelo; RIAA3), Luizacred (Magalu; MGLU3), Casas Bahia (BHIA3), Realize (Renner; LREN3) e Mercado Livre (BDR: MELI34). Em geral, de acordo com o banco, essas companhias são as que oferecem serviços para população de baixa renda e sub-bancarizada.
Inadimplência controlada
De maneira geral, os analistas notaram que ainda não há sinais claros de deterioração significativa na qualidade de crédito. De acordo com os índices de inadimplência de 90 dias, houve melhora no 4º trimestre de 2023 para o 1º trimestre de 2026 em todas as companhias analisadas.

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A Realize registrou recuo de 4,1 pontos percentuais nos índices de inadimplência neste período, enquanto Midway caiu 3,3 p.p. em cartões de crédito e Luizacred diminui 2,6 p.p. O Mercado Livre também demonstrou queda de 1,1 p.p. e a Casas Bahia, com resultado mais modesto, recuou 0,6 p.p.
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Desta forma, os analistas reforçam que, ainda que as taxas de juros e o endividamento das famílias permaneçam em níveis elevados, justificando as preocupações dos investidores, a inadimplência ainda não atingiu níveis preocupantes.