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Por que Ibovespa fechou acima dos 165 mil pontos pela 1ª vez – e o que esperar agora

Perspectivas de queda da Selic, bem como um cenário externo considerado favorável a mercados emergentes, guiam ganhos do índice

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Após duas quedas seguidas, o Ibovespa avançou quase 2% nesta quarta-feira, renovando máximas históricas, em movimento puxado principalmente por blue chips, com destaque para as ações da Vale (VALE3), que dispararam cerca de 5%.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,96%, a 165.145,98 pontos, novo recorde de fechamento, tendo marcado 165.146,49 pontos na máxima — novo topo intradia — e 161.974,19 pontos na mínima.

O índice já havia tocado os 165 mil pontos em dezembro do ano passado, mas nunca tinha fechado em tal patamar.

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O volume financeiro somou R$65,5 bilhões, em pregão também marcado pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa.

O Ibovespa titubeou brevemente no final da manhã, em meio a pesquisa eleitoral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na frente na corrida presidencial (para uma outra leitura posteriormente) e decisão dos EUA de suspender o processamento de vistos de vários países, incluindo o Brasil.

Contudo, o índice retomou o fôlego. A pesquisa Genial/Quaest mostra o presidente Lula com 45% das intenções de voto contra 38% de Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno nas eleições de 2026, de acordo com pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 14. No levantamento anterior, divulgado em 16 de dezembro, Lula tinha 46% e Flávio, 36%. Após a divulgação, o Ibovespa adotou uma série de máximas, indo aos 163 mil pontos.

Em uma disputa contra governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Lula tem 44% das intenções de voto contra 39% do adversário. Em comparação com o levantamento anterior, o atual presidente oscilou um ponto porcentual para cima, enquanto o governador cresceu de 35% para 39%.

A despeito de o presidente Lula liderar todos os cenários de primeiro turno se as eleições fossem hoje, conforme a pesquisa, o índice de rejeição de Tarciso e Flávio diminuiu, destaca Bruno Takeo, estrategista da Potenza Capital. “Embora Tarcísio nem tenha sido lançado candidato e nem sabemos se será, a rejeição está diminuindo em relação a Lula, passando a ficar competitivo, o que pode dar espaço para virar o jogo”, diz. “Ainda assim, Lula segue como favorito.”

A alta da sessão foi a maior em porcentual desde 22 de agosto (+2,57%) para o Ibovespa, que já vinha muito bem até as 17h quando, pontualmente, perdeu parte da força com o sinal de que o governo dos Estados Unidos pode vir a mostrar uma tolerância maior com o Irã. O mercado regular de petróleo já havia fechado naquele momento.

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O retrato final do dia, contudo, foi de Ibovespa pela primeira vez a 165 mil pontos em fechamento, rompendo com folga a máxima histórica de encerramento, de 164.455,61, de 4 de dezembro.

Como na terça, a pressão de alta sobre o petróleo deu impulso ao setor de energia desde cedo, tendo Petrobras mais uma vez à frente. Contudo, alta de mais de 5% na ON e de 4% na PN, na etapa vespertina, foi acomodada na reta final do dia, com a mudança de sinal da commodity em Londres e Nova York após declarações do presidente americano, Donald Trump. O petróleo, que subia quase 2% mais cedo, chegou a cair quase 3% nas duas praças no fim da tarde, com a observação de Trump, no sentido de que execuções de manifestantes no Irã teriam acabado.

O comentário foi interpretado como uma redução de tom na retórica do presidente dos EUA, que havia sinalizado a intenção de mobilizar inclusive meios militares contra o país persa, importante produtor de petróleo, caso prosseguisse a repressão de manifestantes que resultasse em mortes. Ao fim, Petrobras ON marcava alta de 3,63% e a PN, de 2,73%. Tal relativa acomodação foi mais do que compensada por Vale ON, principal papel do Ibovespa, em alta de 4,74% no fechamento. Também contribuiu o ganho de fôlego das ações de grandes bancos na reta final, em alta que chegou a 2,08% (BTG Unit) no encerramento. As demais instituições mostraram avanço entre 1,10% (Itaú PN) e 1,81% (Bradesco PN) na sessão.

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Para Luise Coutinho, head de produtos e alocação da HCI Advisors papéis que estão entre os carros-chefes da B3, como os de Vale, Petrobras e Itaú, também foram favorecidos por fluxos de compra na sessão, em razão de “recomendações positivas de grandes bancos de investimento para o mercado brasileiro”. Na ponta ganhadora do Ibovespa, além de Vale, destaque também para Bradespar (+4,32%) e TIM (+4,30%). No campo oposto, MRV (-5,34%) Rumo (-4,26%) e Marcopolo (-2,21%).

Otimismo no radar?

Perspectivas de queda da Selic, bem como um cenário externo considerado favorável a mercados emergentes, principalmente pelo alívio monetário nos Estados Unidos, estão entre as razões para estrategistas seguirem “overweight” em Brasil.

Os primeiros pregões de 2026 também têm registrado entrada líquida de capital externo para as ações brasileiras, com dados da B3 mostrando um saldo positivo de R$2 bilhões até o dia 12.

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A performance da bolsa paulista descolou de Wall Street, que costuma ser um referencial relevante. O S&P 500 fechou em baixa de 0,53%, em meio a uma bateria de dados econômicos dos Estados Unidos e resultados de bancos.

Olhando para frente, analistas de mercado esperam novas máximas, ainda que a volatilidade característica de um ano eleitoral esteja presente. Nesta semana, o Itaú BBA destacou ver mais espaço para o Ibovespa subir, reiterou recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para o principal índice da Bolsa brasileira e elevou o preço-alvo para 185 mil pontos ao final de 2026, ante 155 mil pontos no fim de 2025.

A tese do Itaú BBA se baseia em quatro pilares principais. O primeiro é um cenário global favorável, com início do ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), maior fluxo para mercados emergentes e perspectiva de flexibilização monetária doméstica, além de uma possível melhora do ambiente macro e fiscal.

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O segundo pilar é a avaliação atrativa, com o Brasil negociando abaixo da média dos emergentes, apesar de um prêmio em relação ao histórico. O terceiro ponto é uma visão levemente positiva para o crescimento dos lucros, com aceleração para taxas de dois dígitos em empresas domésticas, impulsionadas por juros mais baixos.

Em quarto lugar, o banco destaca o baixo posicionamento em ações no mercado local, com a alocação em renda variável retornando a níveis observados em 2017, apesar do mercado se encontrar em território de sobrecompra no curto prazo. O principal risco para a tese segue sendo o cenário fiscal doméstico.

(com Reuters e Agência Estado)