Itaú BBA projeta Ibovespa a 185 mil pontos em 2026 e destaca 9 temas para acompanhar

Banco reiterou recomendação overweight para o principal índice da Bolsa brasileira

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

(Reprodução: Freepik)
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Apesar do retorno espetacular de 50% em doláres do Ibovespa no ano passado, o Itaú BBA vê espaço para mais valorização em 2026. O banco reiterou recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para o principal índice da Bolsa brasileira e elevou o preço-alvo para 185 mil pontos ao final de 2026, ante 155 mil pontos no fim de 2025, o que implica em um retorno total estimado de 20%, incluindo dividendos e recompras de ações.

A tese do Itaú BBA se baseia em quatro pilares principais. O primeiro é um cenário global favorável, com início do ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), maior fluxo para mercados emergentes e perspectiva de flexibilização monetária doméstica, além de uma possível melhora do ambiente macro e fiscal.

O segundo pilar é a avaliação atrativa, com o Brasil negociando abaixo da média dos emergentes, apesar de um prêmio em relação ao histórico.

O terceiro ponto é uma visão levemente positiva para o crescimento dos lucros, com aceleração para taxas de dois dígitos em empresas domésticas, impulsionadas por juros mais baixos.

Em quarto lugar, o banco destaca o baixo posicionamento em ações no mercado local, com a alocação em renda variável retornando a níveis observados em 2017, apesar do mercado se encontrar em território de sobrecompra no curto prazo. O principal risco para a tese segue sendo o cenário fiscal doméstico.

Ações recomendadas

As preferidas o Itaú BBA são Equatorial (EQTL3, energia elétrica), Auren Energia (AURE3, geração e comercialização de energia) e Multiplan (MULT3, shoppings, “bond proxy”, ou ações com comportamento de título), além de Bradesco (BBDC4), BTG Pactual (BPAC11) e Cyrela (CYRE3, incorporação imobiliária), vistas como cíclicas de qualidade.

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Completam a seleção Rede D’Or (RDOR3, hospitais), GPS (GGPS3, serviços e terceirização), PRIO (PRIO3, petróleo) e Suzano (SUZB3, papel e celulose), entre exportadoras e commodities com valuation atrativo.

No portfólio ativo ampliado, passam a integrar Eneva (ENEV3, energia), Nubank (ROXO34, serviços financeiros), Pague Menos (PGMN3, varejo farmacêutico) e Tenda (TEND3, construção), enquanto ficam de fora Direcional (DIRR3), Azzas 2154 (AZZA3, varejo), Assaí (ASAI3, atacarejo) e Rumo (RAIL3, logística ferroviária). O Itaú BBA estima um potencial de retorno total de 28%, já considerando dividendos, mantém preferência por ações domésticas de grande capitalização e reduziu levemente a subponderação em commodities.

9 estudos temáticos

O relatório também reúne nove estudos temáticos e discussões com investidores institucionais. O primeiro aponta que o cenário global é favorável aos mercados emergentes, mas que os retornos do Brasil em 2026 tendem a ser mais idiossincráticos, ou seja, mais influenciados por fatores específicos do país, como política econômica, fiscal e juros domésticos, do que pelo ambiente internacional.

O segundo destaca que o ciclo de afrouxamento monetário está no horizonte e que, historicamente, tanto os ciclos de cortes de juros locais quanto globais têm sido positivos para a bolsa brasileira, com destaque para o setor financeiro.

O terceiro estudo analisa o mercado entre cenários otimista e pessimista, avaliando que a assimetria segue favorável, apesar da volatilidade de curto prazo.

Já o quarto busca responder de onde devem vir os retornos, indicando, com base na análise de retorno total (TRR), que o crescimento dos lucros deve ser a principal fonte de retorno do Ibovespa.

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O quinto tema olha além do primeiro corte de juros e apresenta uma análise de sensibilidade dos resultados das empresas aos ciclos monetários de 2026 e 2027.

O sexto estudo, por sua vez, avalia a saída da “zona de conforto” do consenso, destacando os principais desvios das estimativas de lucro do Itaú BBA em relação às projeções do mercado.

O sétimo aborda cenários globais e domésticos de “risk on” e “risk off”, por meio da análise do indicador proprietário RiSQ (Risk Scorecard Quadrant).

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O oitavo discute o período pós-enxurrada de dividendos, mapeando os setores com maior potencial de pagamento de dividendos após o quarto trimestre de 2025.

Por fim, o nono estudo reúne a visão dos analistas mais cautelosos, apontando como principais riscos o cenário fiscal, a relação dívida/PIB, o déficit em conta corrente e o gap entre o rendimento dos lucros e as taxas de juros, isto é, a diferença entre o retorno oferecido pelas ações e o nível das taxas de juros, que segue como um ponto relevante de atenção para os investidores.