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O mercado está "exagerando" na empolgação com o apoio do Centrão a Alckmin?

Conforme argumentou a analista Marília Fontes no programa "Analistas Sem Censura" desta semana, mais do que uma vitória de Alckmin, o apoio do "centrão" representa um obstáculo a Ciro Gomes - e isso justifica maior otimismo 

Geraldo Alckmin
(Sergio Lima/CNI)

SÃO PAULO - Poucos celebraram a aliança do "centrão" (grupo composto por DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade) com o tucano Geraldo Alckmin mais do que o mercado financeiro. Após as notícias do final da semana passada - confirmadas oficialmente nesta quinta-feira - do apoio desses partidos ao pré-candidato, o Ibovespa chegou a disparar 2,58% na última sexta-feira, antes de amenizar o movimento e fechar com ganhos de 1,40%, arrebatando a quarta semana seguida de ganhos para o índice, que subiu 2,58%. Nesta semana, o Ibovespa sustenta os ganhos e já chegou a ultrapassar os 80 mil pontos. 

A reação vem atrelada ao maior apreço do mercado pela figura do ex-governador de São Paulo, devido a sua postura mais alinhada à pauta de reformas e expectativa de que ele tenha uma melhor relação com o Congresso para aprová-las. A situação para o candidato do PSDB continua, entretanto, delicada. Segundo a consultora política Eurasia, suas chances de chegar ao segundo turno seguem parcas, e a probabilidade de ser eleito permanece inalterada após a notícia, em 20%. Teria, então, a comemoração sido exagerada?

Para a analista Marília Fontes, que participou do programa "Analistas Sem Censura" desta terça-feira, não: o movimento do mercado foi "totalmente em linha" com o esperado. Isso porque, conforme argumentou, mais do que uma vitória de Alckmin, o apoio do "centrão" representa um obstáculo ao candidato do PDT, Ciro Gomes, que também vinha sendo cogitado pelo bloco para possível aliança.

O cenário de um casamento do grupo com o Ciro lhe daria uma força mal vista por investidores: "é um candidato considerado mais populista, mais de esquerda", comentou Marília, "esse era o medo do mercado". Com o apoio, o pedetista poderia ter mais facilidade para chegar a um possível segundo turno, e ainda teria a oportunidade de conquistar alguns dos muitos eleitores que seguem indecisos.

Nesse sentido, embora a candidatura de Alckmin não tenha sido tão favorecida como à primeira vista poderia parecer, a aproximação do tucano com o Centrão dá um importante passo para acalmar parte da incerteza eleitoral que vem pressionando a bolsa nos últimos meses.

Isso porque frustra as expectativas de Ciro, o maior nome vindo da esquerda nas pesquisas de intenção de voto, atrás somente de Lula, cuja candidatura nem é considerada mais pelo mercado uma vez que ele foi condenado em segunda instância. Agora, questões sobre a capacidade do petista de transferência de votos e se ele aparecerá nas eleições ganham mais força.  

Confira a análise completa:

 

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