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Desanimado com a política? Economist aponta quem pode ser a esperança de "melhor futuro" para o Brasil

Revista britânica destaca movimentos políticos que entraram no radar político e que podem ocupar vácuos de poder em meio ao descontentamento atual - contudo, mudança não deve ocorrer agora

Brasil
(Shutterstock)

SÃO PAULO - As eleições de 2018 se aproximam e, com elas, as análises da imprensa internacional sobre a importância do pleito para o futuro do Brasil. Após a agência Associated Press destacar os novos movimentos para a renovação política, como o Agora! e Acredito, desta vez a The Economist apontou que os jovens ativistas que estão entrando na política podem ser a esperança para o futuro do Brasil. 

Em matéria chamada  ''como os jovens brasileiros esperam limpar a política'', a revista, que classifica o pleito de 2018 como o "mais importante para a democracia brasileira'', destacou os novos nomes que vêm integrando o radar político com propostas para disputar o poder. 

Um dos entrevistados pela publicação é Daniel José de Oliveira, de 29 anos, que se candidatará a deputado federal pelo Partido Novo, apesar de não ter o "perfil tradicional" para tanto. Após muitos anos no mercado financeiro e inspirado pelo Em Marcha!, partido liberal francês que lançou Emmanuel Macron à presidência, ele foi para a política. 

"Até recentemente, a política era um impedimento para sua geração. A idade média dos deputados eleitos em 2014 foi de 50, 19 anos acima da média nacional. Os parlamentares estão desacreditados: depois de mais de três anos de investigação na Operação Lava Jato. 40% dos deputados estão sob investigação. Os políticos não são amados. Apenas um em cada vinte eleitores os admira; só 3% aprovam o presidente Michel Temer", aponta a publicação, que ressalta que a resposta a esse descontentamento com a velha guarda pode vir de uma nova geração.

"Jovens brasileiros estão fartos. Mas renovar o Congresso brasileiro não será fácil. Candidatos independentes são proibidos e partidos são fechados a novatos. Em alguns estados, as cadeiras estão nas mãos de famílias conhecidas'', prossegue a revista. 

De qualquer forma, muitos brasileiros, de diferentes ideologias, estão tentando encontrar uma cura para o problema, aponta a publicação, usando como exemplo também o  RenovaBR, criado por empresários para bancar a formação candidatos para as eleições de 2018 e prevê bolsas mensais de para os selecionados. Já o grupo Bancada Ativista quer aumentar a representatividade dentro do Congresso. 

"As eleições de outubro são talvez as mais importantes desde que a democracia foi restaurada em 1985, após 20 anos de ditadura. Elas também são imprevisíveis. Poucos brasileiros se identificam com o antigo modelo esquerda-direita. A maioria quer tentar algo novo. Isso pode favorecer os extremistas: Jair Bolsonaro, um parlamentar que já causou polêmica com suas falas sobre homossexuais e mulheres, está em segundo lugar nas eleições para a presidência. Mas também pode ajudar os recém-chegados mais moderados. Quatro de cada cinco brasileiros dizem que querem 'cidadãos comuns' concorrendo ao Congresso no próximo ano", afirma a publicação. Vale ressaltar que a Economist, em novembro, publicou um artigo bastante crítico sobre Bolsonaro (para ver, clique aqui). 

Os esforços dos "novatos" podem falhar, avalia a revista, ressaltando que novos candidatos se preocupam com as finanças. " Oliveira costumava ajudar os pais com as contas. Desde que decidiu concorrer ao cargo, ele teve que parar".  Além disso, com as doações corporativas proibidas, os candidatos devem contar com contribuições individuais, e ninguém sabe quão generosos serão os brasileiros. Por fim, a falta de tempo de TV também fará a diferença. 

"O próximo ano pode não ser o ponto de inflexão", afirma Oliveira à Economist. "Mas temos que abrir uma trilha. Caso contrário, não haverá esperança de renovação em 2022", completa. 

Desta forma, a The Economist: "a renovação política pode não acontecer durante a noite. Mas os jovens do Brasil estão começando". 

 

 

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