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Como reagiram Planalto e deputados à divulgação do "Placar da Previdência"

Governo e presidente da Câmara minimizaram o levantamento, enquanto secretário do PSDB disse que placar "reflete a realidade de hoje"

Câmara dos Deputados
(Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

SÃO PAULO - O dia que parecia calmo em Brasília nesta quarta-feira (5) virou um caos após a divulgação do "Placar da Previdência" pelo grupo Estado. Indicando pelo menos 240 votos contra a reforma proposta pelo governo, estes dados mostram que, pelo menos por enquanto, o presidente Michel Temer não vai conseguir aprovar a reforma.

As reações foram diversas, mas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi um dos que mais chamou atenção. Ele minimizou o placar e afirmou que o que importa é o resultado da votação da proposta em plenário. "Placar do Estadão é bom pra vender jornal. O placar que é bom para o Brasil é o placar do plenário", disse nos corredores do Congresso.

Carlos Marun, presidente da comissão especial da Previdência, se mostrou otimista que a proposta irá passar: "tenho absoluta certeza que a reforma será aprovada". Quando questionado sobre as resistências, ele disse que não tem sentido muito isso: "ninguém veio me dizer que não precisa haver reforma".

Já para o deputado federal Silvio Torres (SP), secretário geral do PSDB, o "Placar da Previdência" vai se alterar após o relator apresentar seu projeto, que deve trazer mudanças. "Acho que o levantamento reflete a realidade de hoje, antes de o relator apresentar seu projeto. Ele trará mudanças importantes, segundo ele adiantou à bancada do PSDB, que apresentou a ele sugestões e demandas. O placar pode se alterar e viabilizar uma reforma que contemple as necessidades de ajuste e não prejudique a grande maioria da população".

Para auxiliares do presidente Michel Temer, o levantamento não reflete a realidade de hoje de "retorno" das negociações de mudanças na proposta que estão sendo discutidas com o relator da reforma, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA).

"O placar chegou tarde. Não tem o peso da política. A reforma será aprovada. É preciso esperar que se conclua o relatório", afirmou um interlocutor próximo ao presidente Temer, segundo a Agência Estado. O foco e toda a energia do governo estão voltados para a aprovação da reforma. "O principal já falamos. O relatório vai trazer mudanças. O placar mexe com uma realidade que não existe mais. A realidade que está discutida é diferente", disse.

Outro que comentou o assunto foi o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto de Almeida, que sugeriu que o levantamento seja refeito daqui duas semanas, quando, segundo ele, o trabalho de articulação política do governo já terá se refletido em um maior apoio parlamentar à proposta.

"Está havendo uma discussão intensiva agora e nas próximas duas semanas, coordenada por toda a área política do governo e também pelo próprio relator da reforma na Câmara, deputado baiano Arthur Maia, do PPS, para justamente esclarecer os pontos mais polêmicos. Então eu acredito que, depois dessa rodada de discussão intensiva com todos os partidos da base, o índice de adesão vai aumentar sensivelmente", disse.

"Eu iria sugerir, então, que essa pesquisa fosse refeita daqui duas semanas, porque com certeza vai mostrar um cenário bastante diferente", garantiu. Segundo o secretário, o parecer que está sendo preparado pelo relator será diferente do atual porque todos "os pontos polêmicos" serão solucionados ou esclarecidos. "Será um texto mais consensual", disse.

O placar mais recente apresentado pelo Estadão aponta que 247 deputados são contra a reforma da Previdência, enquanto apenas 97 são a favor, sendo 85 com ressalvas. Dos outros parlamentares, 52 não quiseram responder, 33 disseram estar indecisos e 3 se abstiveram. 81 deputados ainda não foram encontrados para responder o levantamento.

 

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