Em mercados / politica

Juíza da Zelotes pede que Dilma entregue documentos sobre MPs em "caráter de urgência"

O prazo máximo para a entrega dos registros é de dez dias; de acordo com suspeita da Operação Zelotes, as medidas teriam sido “vendidas” em benefício da indústria automotiva

Dilma Rousseff - Bloomberg
(Bloomberg)

SÃO PAULO - A juíza federal responsável pela Operação Zelotes em Brasília, Célia Regina Ody Bernardes solicitou em caráter de urgência à Presidência da República, a quatro ministérios, ao Senado e à Câmara dos Deputados que sejam enviados à Justiça Federal cópias de todos os documentos produzidos que envolvam a discussão das medidas provisórias entre 2009 e 2013. O prazo máximo para a entrega dos registros é de dez dias. 

De acordo com suspeita da Operação Zelotes, as medidas teriam sido “vendidas” em benefício da indústria automotiva. 

A Zelotes busca encontrar indícios, na documentação, da atividade de lobistas, que aparecem, em mensagens eletrônicas interceptadas e anotações apreendidas com ordem judicial, combinando ações e valores. 

As buscas envolvem as discussões sobre as medidas provisórias 471/2009 e 627/2013. A MP 471 foi editada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aprovada pelo Congresso sem alterações, o que é raro; a juíza quer saber dos detalhes da tramitação. Há muita evidências, segundo a juíza, que mostram que a edição e aprovação da norma envolveu pagamento de propina. 

Já a MP 627 foi editada por Dilma: os investigadores suspeitam que o filho de Lula, Luís Cláudio Lula da Silva, pode ter recebido comissão por essa medida provisória. A LFT, empresa que tem Luís Cláudio como sócio, teria recebido pagamentos de Mauro Marcondes, um dos lobistas investigados por negociar a edição e aprovação da MP 471, que prorrogava incentivos fiscais ao setor automotivo, durante o governo Lula. Luiz Claudio confirma o recebimento de R$ 2,4 milhões, mas defende que os valores são referentes a serviços prestados a uma empresa de Marcondes.

De acordo com relatório da Polícia Federal, a investigação coletou “informações importantes do ‘trabalho de convencimento’ realizado pelos sócios da SGR [Consultoria] junto à Presidência da República, Casa Civil, Ministério da Fazenda e Ministério da Indústria e Comércio”.

 

Contato