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Troca de mensagens mostra Lula, chamado de "Brahma", próximo de empreiteiros

Documentos obtidos na Operação Lava Jato trazem à tona a proximidade entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com executivos das principais empreiteiras do País; Lula se defende pelo Facebook e pede para que não acreditem em boatos

Lula
(Ricardo Stuckert/ Institulo Lula)

SÃO PAULO - Os documentos obtidos na Operação Lava Jato trazem à tona a proximidade entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com executivos das principais empreiteiras do País, conforme destaca o jornal Folha de S. Paulo de hoje.

O relatório mostra a relação do ex-presidente, chamado de "Brahma", com executivos da OAS e o lobby de Lula em favor das construtoras brasileiras em países da África e da América Latina.

Um exemplo é a viagem de Lula ao Peru, em junho de 2013, acompanhado de uma comitiva formada por executivos de empreiteiras, como OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez, além de empresas como Embraer e Eletrobras, totalizando 400 executivos. Lula afirmou que "não se deve ter vergonha" se há interesse financeiro e porque "todo mundo que é empresário precisa ganhar dinheiro". 

Cinco meses depois, uma mensagem do dia 12 de novembro de 2013, o presidente da OAS Léo Pinheiro diz ao ex-diretor superintendente da OAS Internacional Cesar Uzêda que “o Brahma quer fazer a Palestra dia 24/25 ou 26/11 em Santiago. Seria uma mesa redonda com 20 a 30 pessoas”. A empreiteira não só deixou um avião à sua disposição para que viajasse ao Chile como definiu sua agenda para a capital do país. 

De acordo com a PF, Lula fez uma viagem de dois dias a Santiago e ministrou palestras nos dias 26 e 27 de novembro de 2013, conforme noticiado pelo site do Instituto Lula.

"A agenda nem de longe produz os efeitos das anteriores do governo Brahma, no entanto acho que ajuda a lubrificar as relações (a senhora não leva jeito , discurso fraco, confuso e desarticulado , falta carisma)”, escreve Uzeda, referindo-se à Dilma ao falar "senhora". 

Conforme informa o R7, as mensagens entre Uzêda e Pinheiro faziam referência até mesmo ao Carnaval da escola de samba Beija-Flor, que recebeu patrocínio de R$ 10 milhões da Guiné Equatorial. Uzêda diz, no dia 29 de agosto de 2012, “estamos viabilizando o carnaval dele, Todorim que que [sic] ele faça o melhor carnaval da história do Ylê (acho que é briga no quilombo)”.

"Não acredite em boatos"
Em sua página no Facebook, Lula se defendeu das acusaçõesNa mensagem, ele diz que "O Instituto Lula não recebe qualquer tipo de verba pública e financia suas atividades com doações espontâneas de pessoas físicas e jurídicas. Não acredite em boatos e espalhe a verdade", postou.

Também foi publicada uma nota no site do Instituto Lula sobre o assunto: "o Instituto Lula financia suas atividades por meio de doações espontâneas de empresas privadas e pessoas físicas. Como qualquer entidade privada, o instituto declara suas movimentações à receita federal e cumpre todas suas obrigações tributárias. o instituto Lula não recebe qualquer tipo de verba pública".

E, de acordo com o jornal O Globo, dirigentes do PT disseram que as implicações da Lava-Jato para o partido devem ser discutidas na reunião da Executiva Nacional, quinta-feira, em São Paulo. Alguns petistas temem que o depoimento do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, preso na sexta-feira, possa causar problemas ao partido e ao governo.


 

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