Publicidade
SÃO PAULO – Os analistas da Planner Corretora divulgaram relatório nesta segunda-feira (18) relatando quais são as perspectivas e as empresas que deverão se destacar em diversos segmentos da economia brasileira neste ano.
Vale ressaltar que cada segmento foi apresentado com um cenário próprio – mas, de maneira geral, a corretora mostra que a economia doméstica está bem e terá uma positiva performance.
Continua depois da publicidade
Continua depois da publicidade
Continua depois da publicidade
Continua depois da publicidade
Confira os comentários da corretora e as empresas setor por setor:
Alimentos
Segundo a Planner, o setor deverá reagir com a recuperação das carnes provenientes de bovinos que se recuperarão mais rapidamente do que a carne de aves, pois alguns entraves, como doenças, já estão “quase que totalmente superados”.
Para a corretora, apesar do setor de carne branca ainda não ter se recuperado, a partir do segundo semestre deste ano a BR Foods (BRFS3) deverá restaurar suas margens de lucratividade. As empresas Minerva (BEEF3), Marfrig (MRFG3) e JBS Fiboi (JBSS3) também conseguirão recompor suas margens, devido às notícias sobre o preço da arroba do boi para este ano.
Porém, Marfrig e JBS passam por reestruturações e deverão demorar um pouco mais para conseguirem obter as sinergias que esperam das aquisições ou fusões realizadas em 2009. “Neste caso, a Minerva nos parece ser uma opção um pouco mais interessante para o médio prazo”, afirmam os analistas.
Agrícola
“Passado o pior da crise acreditamos que em 2010 a retomada da demanda será gradual. Pelo lado da oferta, esperamos aumento nas principais commodities agrícolas. E mesmo com a expansão da oferta, os preços devem apresentar alta moderada”, afirma a Planner.
Assim, a previsão da corretora é de que a rentabilidade do produtor rural aumente neste ano, impulsionada por menores custos de produção – devendo compensar no aumento dos preços. No setor, a Planner destaca a SLC Agrícola (SLCE3), que deve apresentar resultados positivos em 2010.
Aviação comercial
A corretora acredita que este ano será importante para o setor, que deve voltar a ter crescimento na demanda entre 10% a 12% em relação a 2009. Fatores como o crescimento econômico previsto para 2010, expansão e aumento na renda da população, melhores condições para o pagamento das passagens aéreas e a expansão dos programas de milhagem vão colaborar o crescimento na procura.
As escolhas da Planner no setor, com ênfase no crescimento doméstico, são a GOL (GOLL4) e TAM (TAMM4) que deverão capturar o aumento na demanda previsto.
Concessão de Rodovias
Para os analistas da Planner, o ano de 2010 deverá ser marcado pelo investimento em novos projetos, dos quais a corretora destaca, por ordem de importância para o setor: o Trem de Alta Velocidade – TAV; o Expresso Aeroporto de São Paulo – Cumbica / Congonhas; o trecho sul e leste do Rodoanel; os projetos de metrôs e trens nas cidades de Curitiba, Brasília e Porto Alegre; as concessões a serem licitadas em Minas Gerais e os negócios correlatos como aquisições no mercado secundário, estacionamentos, inspeção veicular e logística.
“Com estes direcionadores e oportunidades, esperamos uma perfomance atrativa de valorização para as ações da CCR Rodovias (CCRO3), OHL Brasil (OHLB3) e Triunfo Participações (TPIS3)”, comentam.
Consumo
Neste ano, segundo as perspectivas da Planner, a indústria de bebidas, principalmente o setor de cerveja – favorecido pelo clima -, continuará em ascensão. A AmBev (AMBV4) é a escolhida pela corretora como uma “boa oportunidade de investimento”.
Outros segmentos que se destacam são o de água mineral, de bebidas energéticas, indústria de água de coco. Em contrapartida, o segmento de refrigerantes poderá diminuir o proporcional referente ao aumento no consumo das demais bebidas.
Em relação ao mercado de tabaco, mesmo com a previsão de que não haverá grandes resultados nos próximos períodos, a Souza Cruz (CRUZ3) ainda é considerada uma “ótima distribuidora de dividendos” pela corretora.
Já as empresas de cosméticos devem se beneficiar do aumento da renda das classes C, D e E. Neste sentido, a Natura (NATU3) é a escolhida do setor, por mostrar um desempenho acima da média em um mercado com grande competitividade.
Construção civil
Segundo os analistas, o setor imobiliário passou por três situações distintas: primeiro, de 2007 até meados de 2008, havia uma “uma euforia exagerada, baseada na expectativa que todas as premissas otimistas pudessem se realizar até com certa facilidade”. Logo depois, com a crise econômica global, o setor não continuou a mostrar um bom desempenho e viu uma queda no ritmo de lançamentos e de vendas.
Já a partir do 2º trimestre de 2009 houve uma retomada das vendas – em ritmo mais lento em comparação ao de lançamentos. Com isso, de acordo com as perspectivas da corretora, “o quarto trimestre de 2009 deverá ser o mais forte do ano, sinalizando que este ritmo poderá ser mantido em 2010”.
Com isto, as empresas selecionadas pela Planner são: a Cyrela (CYRE3), a Gafisa (GFSA3), a Rossi Residencial (RSID3) e a PDG Realty (PDGR3). A MRV (MVRE3), com foco na baixa renda, deverá capturar favoráveis resultados do programa Minha Casa, Minha Vida. Entre as small caps do setor, destaque para a EZTec (EZTC3).
Material de construção
Segundo as perspectivas da Planner, o setor de materiais de construção deve encerrar 2009 com queda de 8% a 10% na produção de insumos, devido a decorrente restrição do crédito ao consumidor e dos estoques acumulados nas lojas – explicada pela desaceleração apresentada pelo setor de construção civil no início de 2009.
“Para 2010 a estimativa é de um crescimento de 15% no faturamento do setor, reflexo não só da menor base de referência – queda em 2009 – mas também pela motivação decorrente da prorrogação do IPI reduzido para materiais de construção a vigorar até junho de 2010”, afirmam.
A Duratex (DTEX3) e Eternit (ETER3) são as escolhidas pela corretora no setor. Embora os produtos de ambas atendam somente parte do imenso setor de materiais de construção, os analistas acreditam que elas continuarão refletindo os benefícios da demanda crescente.
Energia elétrica
Para os analistas da corretora, o consumo de energia elétrica deverá crescer 9,4% em 2010 sobre 2009, de acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), acompanhando a evolução de 6% da economia nacional.
Para eles, as empresas do setor que poderão ter grande valorização serão aquelas que guardem alguma expectativa fora das questões normais do setor. “Ou seja, algum fato ligado particularmente à empresa como Eletrobras (ELET3) e os dividendos acumulados das ações ordinárias; relevantes ganhos de perda de energia na Light (LIGT3); aquisições da Equatorial (EQTL3) na região nordeste e confirmação da troca de governo no Paraná e reflexo positivo na Copel (CPLE6)”, comentam.
Fertilizantes
Dentre as empresas que podem se beneficiar de uma gradativa melhora de preços e de volumes em 2010, a Planner destaca a Fertilizantes Heringer (FHER3) e a Fosfertil (FFTL4).
Além disso, a corretora destaca que o novo marco regulatório do setor, que deve ser apresentado ainda no primeiro semestre, deve afetar o movimento dos ativos.
Instituições financeiras
Em 2010, o PIB (Produto Interno Bruto) deverá ser o “principal vetor” do aumento dos financiamentos, seja para pessoa física ou jurídica. “O crescimento só deverá ser alcançado caso as instituições financeiras consigam ser eficientes no seu principal papel que é o da intermediação financeira”.
Para os analistas, as alianças entre o Banco Panamericano (BPNM4) e o Banco do Brasil (BBAS3) em 2009 (respectivamente Caixa Econômica Federal e Banco Votorantim) devem trazer frutos em 2010, com aumento da lucratividade. “Nossa expectativa para o Bic Banco (BICB4) e Daycoval (DAYC4) se espelha no crescimento das necessidades de financiamento às empresas de médio porte, bem como ao crescimento das operações de crédito consignado”, afirmam.
Meios de pagamento
De acordo com os analistas, a chave para o setor será buscar rentabilidade e oferecer novos produtos e serviços. Entre as duas maiores companhias do segmento, Cielo (ex-VisaNet) (CIEL3) e Redecard (RDCD3), a corretora acredita que a Cielo está melhor posicionada para se beneficiar do crescimento do pré-pagamento.
“Esperamos que a Cielo avance sobre o market share de pré-pagamento da Redecard, e sua maior rede credenciada é um driver importante para este avanço. A Cielo já está ganhando market share da Redecard no segmento de processamento de transações”, afirmam.
Papel e celulose
“Considerando a elevada competitividade do produto brasileiro no mercado internacional em termos de qualidade e preço e a expectativa de crescimento do PIB brasileiro superior a 5% em 2010, acreditamos que a indústria de papel e celulose deverá continuar em expansão em 2010 nos dois mercados’, afirma a Planner.
No segmento, destaque para a Fibria (FIBR3). A nova empresa estará competindo no mercado internacional com escala diferenciada de produtos e as vantagens competitivas, características da produção brasileira.
Petróleo
Neste segmento, destaque para a OGX (OGXP3) e Petrobras (PETR4). Segundo a Planner, “as ações da primeira devem ser beneficiadas pela confirmação das descobertas de petróleo e mensuração de quantidade de óleo recuperável”.
A Petrobras, por sua vez, “continua desenvolvendo seu forte Plano de Investimentos de modo a viabilizar, principalmente, o óleo do pré-sal, visando a confirmação de estimativa de óleo recuperável nesta importante fronteira exploratória”.
Petroquímico
No setor o destaque é para Braskem (BRKM5). “A empresa confirmou o interesse em ativos no exterior e na compra da Quattor, controlada da Unipar. Sua experiência e adequada alavancagem lhe permitem manter uma posição consolidadora. Caso a empresa consiga concretizar estas aquisições, estaremos diante da maior petroquímica da América Latina, com a Petrobras fortalecendo sua posição no capital da Braskem e a parceria já existente”, explicam.
Além disso, os analistas também apontam Ultrapar (UGPA4) e Unipar (UNIP6) como boas opções no setor.
Siderurgia
“Passada a fase mais crítica de retração da demanda por aço, a siderurgia brasileira deve se beneficiar de uma expressiva recuperação da demanda interna em 2010”, afirmam os analistas da corretora. Porém, as siderúrgicas ainda enfrentam um mercado fraco fora do Brasil, onde os preços do aço seguem baixos.
Caso este cenário permaneça, as negociações para aumentar o preço do aço no País serão difíceis em 2010 devido à ameaça das importações. Vale informar que a corretora não apresentou empresas neste segmento.
Mineração
Segundo os analistas, com a base de comparação mais baixa de 2009, certamente a produção nacional crescerá em 2010. “A questão que acreditamos de real interesse e atenção será a grande possibilidade de reajuste dos preços do minério de ferro”, aponta a Planner. Também não houve a publicação do posicionamento da corretorapara empresas do setor.
Sucroalcooleiro
Dentre as empresas desse segmento, a Planner seleciona a Cosan (CSAN3), a São Martinho (SMTO3) e a Açúcar Guarani (ACGU3). “Todas elas tiveram performance diferenciada em relação ao Ibovespa em 2009, em função da forte recuperação dos preços do açúcar e aumento da utilização do etanol notadamente do álcool hidratado pelo crescimento da frota de veículos flexfuel”, afirmam.
Para este ano, a perspectiva é de um mercado mais equilibrado. “Temos de um lado a Cosan e sua estratégia de verticalização com foco principal na distribuição de derivados e logística, do outro a Guarani e a São Martinho, focadas no crescimento da produção de açúcar e etanol, ao mesmo tempo em que buscam redução dos seus custos e contínua melhoria operacional”, comentam.
Telecomunicações
Neste setor, o ano de 2010 começa com projetos de lei, leilões e regulamentações de novas tecnologias. Por ser um segmento de características defensivas, as empresas do setor de telecomunicações devem, segundo os analistas, mostrar desempenho não muito entusiasmante, “embora ainda haja espaço para algumas reestruturações tanto no segmento de telefonia fixa como móvel”.
Os analistas destacam o início de captura das sinergias no grupo Oi, com a aquisição pela Telemar (TNLP4) do grupo Brasil Telecom (BRTP4) e a indefinição – mais para venda – da TIM Participações (TCSL4).
Transporte ferroviário
Em 2010, é projetado pela equipe de análise um importante crescimento da produção industrial brasileira em 2010 em 7,0%, além da concretização das estimativas de volume realizadas Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para safra brasileira de grãos +9,3% e a soja em +11,3%.
“Visualizamos a América Latina Logística (ALLL11) bem posicionada no mercado logístico brasileiro, para incrementar a sua fatia de mercado frente ao model rodoviário”, afirmam.
Varejo
O destaque no setor é o grupo Pão de Açúcar (PCAR5), que deve se aproveitar das sinergias de fusões recentes para gerar margens mais adequadas.
Ademais, as vendas de eletroeletrônicos serão impulsionadas pela Copa do Mundo e deverão influenciar outros itens de consumo. “Além disso, a volta do financiamento à pessoa física aliado ao aumento da renda, permitirá que o nível de endividamento do consumidor cresça, principalmente em relação aos bens duráveis e semi-duráveis”, afirmam.
Vestuário
Para os analistas, este segmento é “extremamente dinâmico e competitivo” e responde rápido às mudanças macroeconômicas. Neste segmento, a escolha é a Lojas Renner (LREN3).
“O aumento da massa salarial deverá impulsionar as vendas deste setor e os produtos importados, que são favorecidos pela valorização do real frente a outras moedas, deverão acirrar a competição com os produtos nacionais, com ganho para o consumidor final”, comentam.