PIB do 4º trimestre deve interromper sequência de quedas, mas alívio pode ser momentâneo

Setores que reagiram na reta final do ano passado devem voltar a ser impactados em 2022, com projeções de crescimento fraco para esse ano

Mitchel Diniz

(Shutterstock)

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Nesta sexta-feira (4), os investidores vão por fim conhecer o Produto Interno Bruto do quarto trimestre de 2021 e do acumulado do ano passado. Os números serão divulgados às 9h (horário de Brasília) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e prometem interromper uma sequência de queda da atividade econômica na base trimestral (o do terceiro trimestre caiu 0,1% e o do segundo caiu 0,4%). A alta, contudo, deve ser moderada: o consenso Refinitiv de mercado aponta para uma alta de 0,1% na comparação com o terceiro trimestre e de 1,1% na base anual.

A XP acredita que o PIB deverá avançar 0,4% em relação ao terceiro trimestre e 1,5% na comparação anual, interrompendo as duas quedas consecutivas.

“No lado da oferta, a recuperação do setor de serviços e o aumento da produção agrícola deve mais do que compensar a contração da indústria no período. No lado da demanda, no entanto, a contribuição negativa do setor externo (principalmente devido ao aumento das importações) supera o avanço moderado da absorção doméstica, ao nosso ver”, afirma o economista Rodolfo Margato.

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Na parte de serviços, a XP prevê um crescimento de cinco dos sete componentes, incluindo informação e comunicação, transporte e armazenamento além de saúde e educação. “Essas atividades continuaram se beneficiando da reabertura econômica e aumento das interações sociais, acompanhando o relaxamento das restrições relacionadas ao coronavírus”, afirma o economista.

Por outro lado, varejo e intermediação financeira devem seguir no terreno negativo, com a inflação elevada, salários com menor poder de compra, juros em trajetória de alta e a mudança de gastos de bens para serviços.

Na agricultura, a XP ressalva que o avanço deve ocorrer sobre uma base bem fraca de comparação, porém destaca o desempenho da produção de laranja, trigo e da pecuária.

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Na indústria, a casa admite que a alta da produção industrial em dezembro surpreendeu, mas que, ainda assim, o segmento deve registrar outra contração significativa no quarto trimestre.

“Problemas na cadeia de abastecimento e o crescimento substancial dos custos de produção continuam a continuam a atrapalhar as cadeias industriais (setor automotivo como principal exemplo), embora pensemos que o pior já passou”, diz a análise de Margato.

Caso o número se confirme, o PIB brasileiro deve apresentar um avanço de 4,6% em 2021. Para o primeiro trimestre de 2022, a XP espera um crescimento trimestral de 0,5% e de 0,9% na comparação anual.

“Embora reconhecendo riscos significativos (de ambos os lados) para a economia brasileira no curto prazo, mantemos a expectativa de um PIB estável em 2022”, diz a análise de Margato.

O Itaú está em linha com o consenso Refinitiv: acredita que o PIB do quarto trimestre de 2021 tenha variação positiva de 0,1% em relação ao terceiro trimestre e de 1,1% na comparação anual. “Se a nossa estimativa estiver correta, o PIB terá crescido 4,5% em 2021”, escreveram os analistas.

Para eles, a produção agrícola deve avançar 3,6% na comparação trimestral, e recuar 0,8% no acumulado de 2021, já que em 2020 a base de comparação foi mais alta. Já o setor de serviços deve crescer 0,3% na comparação trimestral e 4,7% no acumulado do ano. A produção industrial, por sua vez, deve sofrer um declínio de 1,9% do terceiro para o quarto trimestre e apresentar uma queda de 4,3% comparando 2021 com 2020.

“Para 2022, prevemos que o PIB recue 0,5%, principalmente por causa do impacto dos juros mais altos na demanda agregada”, disseram os analistas do Itaú.

Já o Bradesco está um pouco mais otimista. O banco prevê uma expansão de 0,4% para o PIB do quarto trimestre do ano passado. “Se confirmada a nossa projeção, o PIB deve ter crescido 4,6% em 2021”, escreveram os analistas.

A projeção está em linha com a do Safra, que também prevê avanço de 4,6% no PIB de 2021. “Lembrando que, em razão dos efeitos adversos da pandemia, o PIB encolheu 4,1% em 2020”, ressalvam os analistas do banco.

Marcela Kawauti, economista da Prada Assessoria, acredita que o PIB de 2021 deve deixar um carry-over (carregamento estatístico) positivo para 2022. “Se a gente não mover nada este ano, a gente teria um crescimento de 0,3% garantido. Mas a expectativa, ainda assim, é de queda”, afirma.

Para Marcela, os setores que devem garantir desempenho positivo para o PIB no quarto trimestre tendem a ser impactados negativamente ao longo de 2022.

“O setor de serviços está com parte da inflação defasada, o repasse ao consumidor final foi menor. Para o ano que vem, não vai ter ajuda da reabertura econômica, pois tudo praticamente reabriu e vai ter a inflação atrapalhando”, explica a economista.

A agricultura, por sua vez, pode ser impactada pela guerra na Ucrânia caso o fornecimento de fertilizantes pela Rússia sofra algum tipo de interrupção. Os russos são responsáveis por mais de 20% das importações brasileiras desses insumos.

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Mitchel Diniz

Repórter de Mercados