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A XP Investimentos avalia que o Grupo Petrópolis (GP), dono das marcas Itaipava, Crystal e Petra, pode estar ensaiando uma retomada de participação no mercado de cervejas, movimento que, se confirmado, tende a aumentar a pressão competitiva sobre a Ambev (ABEV3), cujas ações acumulam alta de 16% em cerca de 2 meses, no fim de 2025.
A análise em relatório parte dos dados da Produção Industrial Mensal (PIM) de outubro, divulgados pelo IBGE, que mostraram aparente recuperação do setor. Para a XP, no entanto, o avanço recente pode ser “enganoso” e estar mais ligado a um repique de volume do Grupo Petrópolis do que a uma melhora estrutural da demanda.
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A casa lembra que a empresa vinha registrando quatro meses seguidos de queda entre maio e agosto, mas mudou a estratégia a partir de setembro, reduzindo preços para ganhar volume. O resultado foi uma reversão brusca em outubro. O proxy de receita líquida por hectolitro caiu 17,7% ano a ano, enquanto os volumes avançaram 35,5% na mesma base de comparação.
Segundo a XP, ainda é cedo para afirmar que o Grupo Petrópolis “voltou ao jogo”, dada a volatilidade histórica da companhia, mas os dados sugerem melhora. A estimativa é de que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado em 12 meses subiu 8% e a margem EBITDA avançou 150 pontos-base na comparação anual.
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A XP cruzou os dados do Grupo Petrópolis com os números da PIM e calcula que, sem o efeito da empresa, a produção de outubro teria recuado 6,2% ano a ano, contra queda real de 1,3%. Na prática, isso indicaria ganho recente de participação do GP, após perdas no terceiro trimestre absorvidas principalmente pela Ambev no início do período, impulsionada por movimentos de preço entre GP e Heineken.
Com o clima mais favorável à venda de bebidas no fim do ano, a XP destaca que o ambiente competitivo deve ficar mais acirrado. A corretora vê incerteza sobre o desempenho de volumes e market share da Ambev no quarto trimestre, em um cenário de concorrência mais agressiva. Isso pode trazer volatilidade para a ação, dada a sensibilidade do mercado a sinais de perda de participação em um período sazonalmente importante para o setor.