Petrobras, Vibra e Ultrapar são preferidas do JPMorgan em cenário de oferta restrita

As tensões geopolíticas, ataques a instalações russas, baixos estoques de combustíveis e restrições às exportações vêm reduzindo a oferta global de derivados

Ativos mencionados na matéria

Publicidade

O JPMorgan mantém Petrobras (PETR4), Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3) como suas ações preferidas diante de um mercado global de derivados de petróleo mais restrito. Segundo o banco, embora os preços do petróleo possam se normalizar gradualmente com a retomada da oferta, a dinâmica mais favorável está no segmento de refino e distribuição, onde os estoques e a oferta de produtos seguem mais apertados.

As tensões geopolíticas, ataques a instalações russas, baixos estoques de combustíveis e restrições às exportações vêm reduzindo a oferta global de derivados. Com isso, as margens de refino, conhecidas como cracks, subiram muito mais que o petróleo. Desde o início do conflito, o Brent avançou cerca de 30%, de aproximadamente US$ 70 para US$ 90 por barril, enquanto os cracks de gasolina e diesel praticamente dobraram, para cerca de US$ 50–60 e US$ 90–100 por barril, respectivamente.

No Brasil, o déficit estrutural de diesel amplia a exposição a esse cenário. Mesmo com as refinarias nacionais operando em níveis elevados, o país ainda depende de importações para atender parte da demanda. Dessa forma, os preços internacionais e os custos de importação continuam influenciando o custo marginal de abastecimento do mercado doméstico.

Petrobras (PETR3; PETR4)

O JPMorgan destaca a Petrobras (PETR3; PETR4) como principal preferência por combinar exposição ao refino com um modelo de negócios integrado. A estatal atingiu 101,2% de utilização das refinarias no segundo trimestre de 2026, recorde histórico, elevando a produção de derivados em 5,6% no trimestre, para 1,918 milhão de barris por dia.

O aumento da produção doméstica reduziu as importações de derivados para 67 mil barris por dia, menor nível trimestral já registrado. Para o JPMorgan, margens de refino sustentadas podem oferecer uma fonte adicional de resiliência e compensar parcialmente uma eventual normalização dos preços do petróleo.

O banco vê a Petrobras negociando a 3,5 vezes EV/Ebitda estimado para 2027, com yield de fluxo de caixa livre de 12,8%.

Continua depois da publicidade

Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3)

Para Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3), o JPMorgan vê um ambiente favorável para as margens de distribuição de combustíveis. Como o Brasil depende de importações para equilibrar a oferta doméstica, custos internacionais mais elevados acabam influenciando os preços marginais cobrados dos consumidores.

Além disso, as grandes distribuidoras têm maior acesso ao fornecimento da Petrobras, o que favorece o mix de abastecimento em relação a concorrentes menores mais dependentes de importações.

O banco estima múltiplos de 6,3 vezes EV/Ebitda em 2027 para a Vibra e 6,5 vezes para a Ultrapar, e avalia que ambas devem continuar se beneficiando da escala e de um ambiente competitivo mais racional, especialmente após as medidas de combate ao mercado irregular de combustíveis.

Continua depois da publicidade

Autor avatar
Felipe Moreira
Mercados | Economia | Onde Investir