Petrobras (PETR4) deve ter balanço do 1º tri mais fraco, mas dividendos bilionários

Companhia, que já divulgou sua prévia operacional, produziu menos petróleo, por conta de paradas programadas

Vitor Azevedo

Logo da Petrobras (REUTERS/Sergio Moraes)

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A Petrobras (PETR4) divulga, nesta segunda-feira (13) após o fechamento do mercado, seu resultado do primeiro trimestre de 2024, que deve trazer uma queda na base sequencial. Os menores volumes de produção são as principais explicações para uma performance pior entre janeiro e março deste ano frente ao quarto trimestre de 2023.

A petroleira já publicou há cerca de duas semanas atrás sua prévia operacional. A estatal produziu, em média, 2,77 milhões de barris de óleo ou equivalente por dia (boed), queda de 5,4% na base sequencial (mas com uma alta de 3,2% no ano). As vendas frente ao período entre outubro e dezembro recuaram 4,9%, a 1,6 milhões de barris por dia.  

“A principal conclusão do relatório foi a produção sequencialmente menor, embora isso tenha sido amplamente antecipado nos dados da ANP [Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis]. A queda na produção é explicada, em grande parte, por paradas de manutenção nos ativos do pré e do pós-sal”, explicou, após a publicação, o time da XP Investimentos. A corretora espera que a Petrobras traga um Ebitda (Lucro antes de juros impostos depreciação e amortização, na sigla em inglês) ajustado de US$ 13,1 bilhões, recuo de 8,1% na comparação sequencial.

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O Morgan Stanley, também após a prévia, divulgou que a produção ficou em linha com as estimativas, mas reduziu a sua projeção de Ebitda para o primeiro trimestre. Eles explicam que a reavaliação se deu por conta das menores margens de refino, já que as vendas no setor recuaram por conta da sazonalidade (o que leva a menor diluição de custos), e da contribuição de gás e energia “ligeiramente mais baixa”.

O Bradesco BBI menciona que, na frente de refino, a diminuição do preço do diesel, em US$ 14 por barril, devidos aos cortes de preço anunciados no final de 2023, também deve trazer algum impacto negativo do lado do lucro operacional. O time da instituição enxerga a Petrobras trazendo um Ebitda ajustado de US$ 14,3 bilhões, queda trimestral de 10%.
O Itaú BBA aponta que o trimestre foi marcado por paradas programadas tanto no segmento de exploração e produção (E&P) quanto no de refino, transporte e comercialização (RTC), o que resultou em menores volumes de vendas e maiores importações, combinados com menores preços do petróleo.

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Segundo a LSEG, o consenso para a receita da Petrobras é de R$ 126,2 bilhões, para o Ebitda, R$ 67,9 bilhões e para o lucro líquido, R$ 30,1 bilhões.
Por fim, com as perspectivas de recuo dos principais números endereçada, parte dos analistas também espera um recuo dos dividendos, ainda que bilionários. O BBI e o Goldman Sachs, por exemplo, enxergar a distribuição de US$ 2,6 bilhões ao acionistas, contra US$ 2,8 bilhões no quarto trimestre. XP e Citi, no entanto, veem leve melhora, com a primeira projetando US$ 3,2 bilhões, com o fluxo de caixa ajudado pelo cash-in (entrada de capital) de desinvestimentos, e o banco americano enxergando US$ 3 bilhões em proventos.

O Itaú BBA projeta que a Petrobras apresente um resultado operacional (Ebitda) de US$ 13,4 bilhões no trimestre, implicando no pagamento de dividendos de US$ 3,5 bilhões (dividend yield de 3,2%), de acordo com a política de remuneração.