Resultados e perspectivas

Petrobras (PETR3;PETR4) deve trazer resultado forte com dois fatores positivos; foco fica para dividendos

Alta dos preços do petróleo e maior produção devem impulsionar resultado da estatal no primeiro trimestre, enquanto analistas projetam proventos

Por  Vitor Azevedo

A Petrobras (PETR3;PETR4) publica nesta quinta-feira (4), após o fechamento do pregão, seu balanço do primeiro trimestre de 2022. O esperado é que a petroleira traga bons números, impulsionados por um preço médio do Brent mais alto e também por um avanço da produção, já divulgado nas prévias operacionais. Com isso, o destaque, para parte das casas, fica para a publicação dos dividendos.

“Todos os olhos estão no fluxo de caixa livre e na divulgação de dividendos”, afirma o Bradesco BBI em relatório que abrange as projeções para o setor de óleo e gás. “Acreditamos que de US$ 3 bilhões a US$ 5 bilhões podem ser anunciados em proventos”, completam os analistas do banco.

As projeções de dividendos variam de instituição para instituição. O Credit Suisse vê uma distribuição de capital na casa de US$ 6 bilhões, por exemplo, já o Goldman Sachs vê espaço para rendimentos maiores, entre o intervalo de US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões.

O Itaú BBA destaca que vê a distribuição de algo próximo a R$ 1,8 por ação, algo próximo a R$ 23,4 bilhões, cerca de US$ 5 bilhões na atual cotação. Apesar disso, o banco brasileiro dispõe que o valor pode ser maior, uma vez que a Petrobras já recebeu os valores da venda dos campos de Atapu e Sépia, que somaram cerca de US$ 4 bilhões ao caixa da estatal.

O Morgan Stanley vai no mesmo caminho, pontuando que é provável que a Petrobras anuncie proventos na casa de US$ 6 bilhões, seguindo a base da política de dividendos com a distribuição de 60% do fluxo livre de caixa.

Contudo, para o banco americano há “riscos positivos” de a estatal anunciar um dividendo superior à distribuição base, por conta dos desinvestimentos já mencionados e também pela possibilidade da recepção de mais US$ 2,1 bilhões provindos da venda dos campos de Búzios. “Em nossa opinião, há espaço para distribuições significativamente maiores do que o indicado pela política formal de dividendos”, comentam os analistas.

Maior produção e alta do preço do petróleo embasam resultado forte da Petrobras

Na frente operacional, é consenso entre que a Petrobras deve trazer um resultado positivo. Como fundamento para isso, conforme mencionado, está a alta da produção e o avanço do preço do petróleo, em boa parte causado pela guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

Nas prévias, a Petrobras trouxe que sua produção de petróleo avançou 3,4% na base trimestral e 1,1% na anual, chegando a 2,8 milhões de barris ou equivalentes por dia. Do outro lado, o preço médio do barril do petróleo Brent subiu cerca de 23% no trimestre, nas contas tanto do Itau BBA quanto da XP Investimentos.

“Esperamos outro trimestre sólido para a Petrobras, impulsionado por um aumento nos preços médios do Brent de 23% na base trimestral, compensado apenas parcialmente por um Real mais forte, com o dólar custando em média, baixa de 4% na mesma base”, explicam os analistas da corretora brasileira.

A XP Investimentos vê a petroleira atingir um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de US$ 13,1 bilhões, com alta de 16% no trimestre e de 47% ao ano. O Itaú BBA tem opinião um pouco mais otimista, esperando um Ebitda de US$ 14,3 bilhões, número 18% maior do que o registrado em dezembro.

A opinião desses dois brasileiros, contudo, pode ser considerada conservadora ao ser comparada com aquilo que é projetado por instituições estrangeiras. O Credit Suisse, por exemplo, vê a Petrobras tendo um Ebitda de US$ 15,05 bilhões, e o Morgan Stanley projeta o lucro operacional em US$ 15,1 bilhões

“Esperamos Ebitda recorde no primeiro trimestre, impulsionado por preços de petróleo mais altos, forte produção e margens de refino saudáveis. Tudo isso apesar do fluxo negativo e intenso de notícias sobre o preço dos combustíveis no trimestre”, comenta o Morgan Stanley.

Política de preços, queda de produção de derivados e gás natural no lado negativo

As recentes polêmicas sobre a manutenção dos preços de combustíveis da estatal é algo que deve pesar do lado negativo do balanço. O BBI, por exemplo, aponta que “deve haver algumas perdas comerciais pelo fato de os combustíveis terem sido vendidos abaixo da paridade”.

Ainda no braço downstream, algumas casas ressaltam que a Petrobras registrou queda de 8% das vendas totais de derivados de petróleo para o mercado interno, indo 1,7 milhões de barris por dia, em grande parte justificado pela venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia. A queda, porém, foi parcialmente compensada pelas altas de 14% e de 8% do preço do diesel e da gasolina, respectivamente.

Além da questão da política de preços, é apontado como possível origem de impacto negativo no balanço da Petrobras a questão do gás natural liquefeito (GNL) – a Petrobras, durante a crise hídrica, teve importar mais a commodity, por conta da maior demanda das termoelétricas, que ela é obrigada, por contrato, a atender.

Bradesco BBI, XP, Morgan Stanley e Credit Suisse pontuam que deve haver um impacto com perdas com GNL, mas menor, por conta do arrefecimento da seca.

No segmento de gás e energia, destaca-se a redução significativa na regaseificação, com volumes 58% menores no trimestre. Valendo lembrar que a importação de GNL foi um dos fatores que contribuíram para o fraco desempenho deste segmento no quarto trimestre, uma vez que o preço de venda no mercado interno não acompanhou o aumento dos custos de importação”, comenta o Credit Suisse.

O Morgan Stanley, por sua vez, vê o menor impacto na frente de GNL como um dos destaques positivos do trimestre, uma vez que esta frente foi destaque negativo entre outubro e dezembro do ano passado.

De qualquer forma, esses pontos negativos não mudam as perspectivas otimistas das casas para a Petrobras. XP, Credit Suisse, Itaú BBA, Bradesco BBI e Goldman Sachs tem recomendação de compra para as ações da petroleira (ou outperform, que é semelhante). Apenas o Morgan Stanley tem recomendação equal weight, ou netra.

Confira os preços-alvos das casas para as ações e para os BDRs (Brazilian Depositary Receipts)da Petrobras:

  • XP: R$ 47,80 a PETR4
  • Credit Suisse: US$ 17 o ADR
  • Itaú BBA: R$ 38 a PETR4
  • Bradesco BBI: R$ 50 a PETR4
  • Goldman Sachs: R$ 38,8 a PETR3, R$ 36,90 a PETR4, US$$ 16,30 o BDR
  • Morgan Stanley: US$ 14,6 o BDR

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