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Petrobras perde uma Vale em valor de mercado no primeiro trimestre

As empresas de capital aberto na Bolsa brasileira perderam, juntas, R$ 1,56 trilhão em valor de mercado nos três primeiros meses de 2020

Plataforma de petróleo da Petrobras
(Tania Regô/Agência Brasil)

SÃO PAULO — As empresas de capital aberto na Bolsa brasileira perderam, juntas, R$ 1,56 trilhão em valor de mercado nos três primeiros meses de 2020, quando o Ibovespa caiu mais de 36%, no pior desempenho trimestral da história.

O levantamento é da empresa de informações financeiras Economatica e aponta que a Petrobras (PETR3 ; PETR4) foi a companhia que teve a maior perda de valor de mercado no período: R$ 223,6 bilhões, mais do que todo o valor da Vale (VALE3), de R$ 221,6 bilhões.

Além de ter sido prejudicada pelo coronavírus, que reduziu a demanda global por petróleo, a Petrobras também sentiu o impacto negativo da derrocada nos preços da commodity com a tensão entre Arábia Saudita e Rússia.

Os bancos, setor com o maior peso dentro do Ibovespa, também estão entre os que mais perderam valor de mercado entre janeiro e março. A perda do Bradesco (BBDC4) foi de R$ 123,1 bilhões, enquanto a do Itaú (ITUB4) chegou a R$ 116,3 bilhões.

Outros três bancos também figuram na lista das maiores perdas de valor de mercado no trimestre: Santander Brasil (SANB11), Banco do Brasil (BBAS3) e BTG (BPAC11). Veja a lista abaixo.

Empresa Valor de mercado em 31/12/19, em R$ bilhões Valor de mercado em 31/03/20, em R$ bilhões Variação, em R$ bilhões
Petrobras 407,219 183,605 -223,614
Bradesco 282,075 158,941 -123,134
Itaú Unibanco 336,277 220,018 -116,259
Ambev 293,678 187,501 -106,177
Santander Brasil 182,954 101,203 -81,752
Banco do Brasil 150,588 79,513 -71,074
Vale 273,337 221,644 -51,693
BTG Pactual 90,530 44,034 -46,496
Itaúsa 118,393 77,173 -41,220
IRB 36,272 9,014 -27,258
BB Seguridade 75,272 49,616 -25,656
Lojas Renner 44,600 26,637 -17,962
BR Distribuidora 35,032 18,069 -16,962
BRF 28,574 12,249 -16,324
Hapvida 47,477 31,503 -15,974
Localiza 35,826 19,874 -15,952
Gerdau 32,326 16,645 -15,681
Sabesp 41,393 26,732 -14,661
CCR 38,340 23,695 -14,645
JBS 68,758 54,207 -14,551

Menores perdas

Do outro lado da lista, a empresa que menos perdeu valor de mercado no período foi a Marfrig (MRFG3): uma redução de R$ 778 milhões.

Companhias do setor de saúde também figuram entre as menores perdas, como a Raia Drogasil (RADL3), Fleury (FLRY3), Hypera (HYPE3) e Qualicorp (QUAL3) — todas com redução de pelo menos R$ 3 bilhões cada uma.

Curiosamente, a lista também conta com a CVC (CVCB3), que viu seu valor de mercado cair R$ 4,8 bilhões no primeiro trimestre do ano. A operadora de turismo foi uma das mais afetadas pela crise do coronavírus, que exigiu medidas de distanciamento social, cancelando voos e viagens no mundo inteiro.

Apesar de a perda de valor de mercado da CVC ter sido pequena em relação às gigantes da Bolsa, como Petrobras, Vale e bancos, a operadora de turismo passou a valer 74,6% menos em três meses — o valor de mercado caiu de R$ 6,46 bilhões para o atual R$ 1,64 bilhão. Veja a lista abaixo.

Empresa Valor de mercado em 31/12/19, em R$ bilhões Valor de mercado em 31/03/20, em R$ bilhões Variação, em R$ bilhões
Marfrig 6,982 6,204 -778
Taesa 10,722 8,977 -1,745
Weg 72,701 70,414 -2,286
Natura 33,475 30,566 -2,909
Klabin 20,098 17,146 -2,952
Bradespar 12,967 9,885 -3,082
Hering 5,529 2,417 -3,112
Raia Drogasil 36,803 33,576 -3,227
Fleury 9,670 6,411 -3,259
Energias BR 13,130 9,846 -3,284
Smiles 4,842 1,533 -3,309
Totvs 12,309 8,901 -3,408
MRV 9,564 5,895 -3,669
Qualicorp 10,443 6,643 -3,800
Ecorodovias 9,071 5,259 -3,812
Iguatemi 9,329 5,511 -3,818
Hypera 22,523 18,042 -4,481
CVC 6,460 1,637 -4,823
Gerdau Metalúrgica 9,802 4,848 -4,954
Equatorial 23,003 17,765 -5,239

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