Destaques da Bolsa

Petrobras ON cai 3% com suspensão da venda da BR Distribuidora; Braskem dispara 18% em 2 pregões

Confira as principais movimentações na Bolsa de Valores nesta segunda-feira (5)

SÃO PAULO – O Ibovespa teve uma seguda-feira (5) de bastante volatilidade: após subiu 0,67% na máxima do dia, a 60.720 pontos, o índice virou para queda de até 1,13%, a 59.635 pontos. Pressionado pelas ações da Petrobras, que passaram para o campo negativo nesta tarde, e bancos, o benchmark da bolsa brasileira encerrou a sessão em queda de 0,80%, a 59.831 pontos. 

Do outro lado, as ações da Vale, Bradespar – holding que detém participação na mineradora – e as siderúrgicas ajudaram a contrabalancear esse movimento negativo. Na esteira do movimento, uma alta de mais de 1% do minério de ferro nesta sessão. 

O destaque positivo do dia, no entanto, ficou com as ações da Braskem, que dispararam 18% em dois pregões, renovando hoje sua máxima histórica, entre elevação de recomendação e acordo de leniência. 

Confira abaixo os principais destaques de ações desta segunda-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 18,02, -3,38%; PETR4, R$ 15,66, -1,07%)
Ações da Petrobras intensificaram as perdas, após notícia de que a Justiça determinou que a empresa e a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) suspendam a venda de participação acionária na Petrobras Distribuidora. A decisão, em caráter liminar, ainda comporta recurso ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5). 

A ação foi movida pelos petroleiros José Hunaldo Nunes Santos e Fernando Borges da Silva, ligados ao Sindipetro-Alagoas. Os dois acusam a estatal petrolífera de infringir a legislação ao planejar se desfazer do controle acionário da BR Distribuidora vendendo 51% das ações sem realizar uma licitação.

A denúncia acatada pelo juiz Edmilson da Silva Pimenta nessa sexta-feira (2) é semelhante àquela que, há duas semanas, motivou a juíza federal Telma Maria Santos Machado, da 1ª Vara Federal de Sergipe, a determinar a suspensão da venda dos direitos de concessão dos campos de Baúna e Tartaruga Verde. A primeira ação popular também foi ajuizada por José Hunaldo Nunes Santos, que demonstrou que a própria Petrobras estava anunciando a venda de 100% da participação dos dois campos sem licitá-los.

Além dessa notícia, o movimento das ações da Petrobras também acompanharam os preços do petróleo, que viraram para queda nesta tarde. O contrato futuro do Brent registrava queda de 0,18%, a US$ 54,36 o barril, enquanto o WTI caía 0,97%, a US$ 51,18 o barril. 

Frigoríficos
Segundo informações do Valor Econômico, o vice-ministro do Ministério de Agricultura do Japão, Hiromichi Matsushima, prometeu ao ministro Blairo Maggi, que o país vai permitir importações de carne bovina brasileira, tanto in natura quanto processada. Os dois estão em Cancún, no México, para a realização da COP 13, a Conferência da Biodiversidade.  

Para o Itaú BBA, a Minerva (BEEF3, R$ 12,18, -0,73%) e Marfrig (MRFG3, R$ 6,17, -3,74%) seriam as mais beneficiadas e uma potencial valorização dos papéis vinda pela notícia do Japão poderia compensar o risco de queda por conta da Rússia. Os analistas estimam que a Minerva poderia atingir 50% das receitas com exportações de carnes brasileiras, enquanto a Marfrig poderia representar cerca de 30%. Eles têm recomendação outperform (desempenho acima da média) para ambas as ações, enquanto JBS tem recomendação market perform (desempenho em linha com a média). 

Bancos
As ações dos bancos caíram hoje, em dia de volátil na Bovespa, com Santander (SANB11, R$ 26,26, -1,09%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 26,65, -1,91%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,82, -0,35%) e Bradesco (BBDC4, R$ 28,37, -0,53%).  

Em relatório desta manhã, analistas do BTG Pactual comentaram que tiveram na semana passada uma série de reuniões com clientes dos Estados Unidos. No geral, eles destacaram que os investidores conseguem ver uma tendência clara de melhora (inflação caindo, juros em queda, recuperação do PIB, gestão de qualidade nas estatais, entre outros fatores), mas ainda existe uma frustração com a demora da recuperação da economia e, principalmente, com a questão política. 

Segundos eles, os investidores concordam que a tendência é boa e que os bancos brasileiros podem voltar a ser bons “buy and holds”. A preferência, ressaltaram, ainda é grande pelo Itaú versus Bradesco. Entre os não-bancos, os papéis da BM&FBovespa e Cielo foram os mais demandados, com a maior parte concordando que BVMF3 parece um ótimo overweight versus o índice hoje. 

Ainda no radar, destaque para o comunicado enviado pelo Itaú Unibanco nesta manhã. O banco recomprou R$ 35,6 milhões em ações no mês de novembro. Ao total, foram recompradas 1 milhão de ações, a um preço médio de R$ 35,65. Do início de novembro até hoje, os papéis do banco caíram 12%, após ter atingido em 31 de outubro sua máxima histórica, a R$ 38,37. 

Multiplan (MULT3, R$ 55,42, +0,86%)
As ações da Multiplan subiram após os membros do conselho de administração da companhia autorizarem a contratação de novos financiamentos no valor de até R$ 143,9 milhões. Também foi aprovada a prática de todos os atos necessários à implementação da proposta pela administração da Multiplan. Na sexta, os papéis da companhia ficaram entre os destaques de baixa no pregão, com recuo de 1,88%. 

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Vale e siderúrgicas
As ações da Vale (VALE3, R$ 29,60, +0,37%; VALE5, R$ 26,62, +0,80%) e Bradespar (BRAP4, R$ 16,00, +3,23%) – holding que detém participação da Vale – amenizaram os ganhos na reta final do pregão, em dia de valorização dos preços do minério de ferro. A cotação do spot (à vista), negociado no porto de Qingdao com 62% de pureza, fechou em valorização de 1,07%, a US$ 78,62. Na última sexta, os papéis VALE5 já haviam subido 5,08% e VALE3, 4,19%.

Acompanharam o movimento as ações das siderúrgicas, com Gerdau (GGBR4, R$ 13,05, +1,16%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 5,59, +1,27%) e Usiminas (USIM5, R$ 4,04, +1,76%). A exceção foi a CSN, que virou para o negativo nesta sessão. No radar, a Metalúrgica Gerdau teve sua recomendação elevada de neutra para compra pelo Goldman Sachs. 

Braskem (BRKM5, R$ 32,10, +5,28%)
A Braskem disparou 18% em 2 pregões, liderando os ganhos do Ibovespa, após a empresa ter sido elevada de neutra para overweight (exposição acima da média) pelo JPMorgan. Os papéis também reagiram ao anúncio, no fim da semana passada, de que o acordo de leniência da sua controladora, Odebrecht, também incluía a companhia. 

Smiles (SMLE3: +4,82%, R$ 43,28)
A Smiles foi a segunda maior alta do Ibovespa, em um movimento de correção, após os papéis terem ficado entre os destaques negativos da sessão de sexta-feira.

Papel e celulose
Apontando “mais cautela em tempos desafiadores”, o Santander rebaixou a recomendação das ações da Suzano (SUZB5, R$ 12,82, -0,08%) e Fibria (FIBR3, R$ 31,85, -0,22%) para manutenção, tendo em vista os fundamentos em virtude da pressão sobre o preço da commodity e o consumo de caixa em 2017.

A Klabin (KLBN11, R$ 15,88, -2,22%), contudo, seguiu como compra e a principal recomendação do banco, acreditando que a empresa é menos exposta ao desequilíbrio da oferta e demanda no mercado de celulose frente aos produtores mais dedicados. Além disso, os analistas acreditam que a empresa será única a apresentar geração de fluxo de caixa e desalavancagem financeira em 2017. 

Oi (OIBR3: -3,75%, R$ 2,57; OIBR4: R$ 2,15, +2,27%)
As ações da companhia de telefonia fecharam entre perdas e ganhos. No noticiário, destaque para o interesse da telecom em suspender a restrição a que credores de trocar parte da dívida por ações, em um sinal de que busca ganhar apoio de detentores de bônus para sair da recuperação judicial mais rapidamente. O movimento dos papéis destoa da percepção dos analistas de que a notícia poderia ser levemente negativa para a companhia.

Lupatech (LUPA3, R$ 5,35, +7,00%)
As ações da Lupatech dispararam 14,20% na máxima do dia, indo a R$ 5,71, após a companhia informar que o novo plano de recuperação judicial, aprovado pelos credores em assembleia do dia 8 de novembro, foi homologado pelo juízo da 1ª Vara de Falências, Recuperações Judiciais e Conflitos Relacionados à Arbitragem da Capital de São Paulo, sem quaisquer ressalvas. A sentença ainda não foi publicada no Diário de Justiça, mas está disponível para consulta no site do Tribunal de Justiça de São Paulo.  

Mais 4 recomendações
Além de Braskem, Metalúrgica Gerdau e as empresas de papel e celulose, outras quatro companhias tiveram alterações em suas recomendações nesta sessão.

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A Transmissão Paulista (TRPL4, R$ 61,20, -0,24%) foi rebaixada de outperform (desempenho acima da média) para market perform (desempenho em linha com a média) pelo Itaú BBA

Raia Drogasil (RADL3, R$ 61,11, -0,76%) foi elevada para outperform pelo Banco do Brasil. Desde a máxima histórica, atingida em 31 de outubro (a R$ 70,86), os papéis já caíram 14% na Bolsa, operando nos patamares do início de setembro. 

Já a Sabesp (SBSP3, R$ 28,42, -1,25%) teve sua recomendação elevada de manutenção para compra pelo HSBC.

E, por fim, a  Taesa (TAEE11, R$ 18,75, +0,81%) teve sua recomendação  alterada de underperform para market perform pelo Itaú BBA.

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