Destaques da Bolsa

Petrobras e siderúrgicas disparam mais de 5% e Vale ‘ignora’ pessimismo

Confira os principais destaques da Bovespa na sessão desta quarta-feira

SÃO PAULO – O Ibovespa encerrou em alta nesta quarta-feira (25) impulsionado principalmente pelas ações das exportadoras, que ganharam com a alta do dólar depois que o Banco Central anunciou o fim do programa de swaps, e a Petrobras, que avançou em meio à expectativa pela divulgação do balanço de 2014. Outro “peso pesado” que subiu hoje também foram os papéis da Vale, que subiram apesar do cenário adverso para o setor. Confira abaixo os principais destaques da Bolsa nesta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 9,72, +5,19%; PETR4, R$ 9,84, +4,79%)
As ações da Petrobras subiram forte hoje em meio à expectativa pela divulgação do balanço de 2014 da empresa. Uma reportagem do Estadão diz que a estatal está correndo contra o tempo para aprovar seu resultado financeiro na reunião do conselho de administração, marcada para dia 26. Segundo apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, o tema não está na pauta da reunião, mas a estatal já conseguiu avançar na maioria dos pontos que vinham barrando a divulgação, sendo o principal deles o cálculo do rombo que a corrupção causou no patrimônio líquido da empresa. A opção teria sido então recorrer aos valores “oficiais” denunciados na Operação Lava Jato para incluir no balanço, devendo o número ser muito menor que os R$ 61 bilhões sugeridos inicialmente por consultorias independentes contratadas pela estatal.   

Vale (VALE3, R$ 19,76, +0,92%; VALE5, R$ 17,01, +0,65%)
As ações da Vale tiveram um dia volátil, operando entre perdas de 1,5% e ganhos de 1,8%, mas conseguiram encerrar o dia no positivo em meio ao cenário mais negativo. Os papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 11,71, +1,12%), holding que detém ações da mineradora, acompanharam o movimento. Hoje, o BTG Pactual ressaltou cenário ruim para a mineradora, com projeção queda do minério de ferro para cerca de US$ 50 a tonelada em 2016 e 2017, o que abriria alta possibilidade da companhia suspender seus dividendos no ano que vem. Os analistas comentaram ainda que veem risco dos papéis sofrerem no curto prazo. Na mesma linha, o Morgan Stanley cortou hoje o preço-alvo dos ADRs (American Depositary Receipts) da mineradora de US$ 6,30 para US$ 5,70, em meio à revisão para baixo da projeção do minério para US$ 57 a tonelada este ano.

Exportadoras
Os papéis das exportadoras subiram forte hoje beneficiados pela alta de mais de 2% do dólar. Nos destaques, as ações das empresas do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 42,00, +4,95%) e Suzano (SUZB5, R$ 14,51, +4,61%), que saltaram cerca de 40% desde o final de janeiro, e as siderúrgicas Usiminas (USIM5, R$ 5,17, +6,60%), CSN (CSNA3, R$ 6,10, +4,45%), Gerdau (GGBR4, R$ 11,14, +2,30%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 12,05, +2,99%).

Entre as companhias, a Usiminas é a que apresentou o desempenho mais descolado, chegando a subir 9,69% na máxima do dia, batendo R$ 5,32. O papel da siderúrgica começou a acentuar os ganhos nesta tarde. No radar, segue expectativa pela reunião do dia 6 de abril, quando Lirio Parisotto poderá se candidatar ao cargo de presidente do conselho de administração da companhia. Hoje, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) rejeitou pedido da CSN para ter representante no Conselho de Administração da rival Usiminas. A decisão foi relatada pelo procurador-chefe do Cade, Victor Rufino, que argumentou ainda que os acionistas minoritários da Usiminas já se mostraram capazes de convocar assembleia de acionistas mesmo sem a participação da CSN no conselho.

Além disso, o fundo de investimentos administrado pelo BTG Pactual que detém participação na Usiminas encaminhou ontem à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) solicitação para adiamento ou interrupção do curso do prazo da assembleia da extraordinária da siderúrgica. A assembleia foi marcada a pedido dos acionistas minoritários da companhia, liderados pelo fundo L. Par, que reúne os recursos do investidor Lirio Parisotto.

Embraer
A Embraer (EMBR3, R$ 24,20, +0,46%) destoou das demais exportadoras hoje e não teve o mesmo desempenho, apesar de também se beneficiar do dólar alto e ter tido seu preço-alvo elevado pelo Itaú BBA hoje. A corretora revisou para cima o preço-alvo dos ADRs da fabricante de aeronaves de US$ 35 para US$ 36,50, adotando um cenário de dólar mais alta, a R$ 3,08 para 2015. Em relatório, os analistas reiteraram a recomendação dos papéis em market perform (desempenho em linha com a média). 

JBS (JBSS3, R$ 14,11, +1,36%)
O BB Investimentos reiniciou cobertura das ações da JBS com preço-alvo de R$ 17 por ação e recomendação outperform (desempenho acima da média).  

Teles
O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) condicionou, nesta quarta-feira, a aprovação das operações de compra da GVT pela Telefônica (VIVT4, R$ 50,60, +0,20%) a saída da Telefônica da Telecom Italia, dona da TIM (TIMP3, R$ 11,43, +1,06%), e redução da Vivendi na Vivo. 

PUBLICIDADE

BR Properties (BRPR3, R$ 13,75, +4,80%)
Nesta manhã, um leilão de ações da BR Properties foi realizado na Bolsa. Um único vendedor se desfez de 26.756.800 ações da companhia, ou 8,97% dos papéis em circulação no mercado, por R$ 12,90 (acima do inicialmente estipulado em R$ 12,20), totalizando um volume de R$ 345,1 milhões. A venda foi intermediada pelo Morgan Stanley e feita em duas operações também para o Morgan Stanley. Segundo informações da BM&FBovespa, o vendedor não é acionista controlador, integrante do bloco de controle, membro do conselho fiscal, administrativo ou qualquer outro órgão que exerça direta ou indiretamente qualquer tipo de ato de gestão na empresa.

Frigoríficos
As notícias não são boas para os frigoríficos, mas JBS (JBSS3, R$ 14,11, +1,36%) e BRF (BRFS3, R$ 63,96, +1,36%) viram suas ações subirem nesta quarta-feira. Ontem, foi divulgado que a Rússia restringiu temporariamente as importações de carne suína e bovina de pelo menos oito empresas brasileiras, de acordo com informações do Rosselkhoznadzor, o Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária do país. Entre as empresas atingidas estão BRF e JBS, que sofreram restrições em relação às vendas de carne e miúdos de porco. As determinações do órgão russo começaram a valer na última sexta.

Ainda sobre a JBS, uma nota da Bloomberg aponta que a companhia pode estar buscando alternativas para se capitalizar. A empresa considera abrir capital da subsidiária JBS EUA Holdings na bolsa norte americana. O clima mais favorável dos negócios nos EUA e os múltiplos mais elevados podem favorecer essa decisão. De acordo com fontes, a transação pode acontecer ainda este ano.

Saraiva (SLED4, R$ 6,00, +2,04%)
As ações da Saraiva dispararam pelo quarto pregão seguido depois que a empresa anunciou que fará um estudo de reestruturação da unidade de negócios varejo, que será conduzido por um time de consultores, liderados por Enéas Pestana, em conjunto com executivos da Saraiva. No período, a alta é de 36%. Na última quinta-feira, a empresa reportou lucro líquido de R$ 22,9 milhões no quarto trimestre de 2014, alta de 91% sobre o mesmo período do ano anterior. Nesses cinco pregões, os papéis da companhia já saltaram 26%.