Petrobras e Eletrobras disparam 4% com Levy; Ser “ignora” recompra e cai

Após dois pregões de quedas, mercado busca recuperação após falas do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que trouxeram otimismo aos investidores ao sinalizar maior austeridade fiscal

Publicidade

SÃO PAULO – Depois de dois pregões de ganhos, o Ibovespa registrava alta nesta terça-feira (13) puxado pelas ações da Petrobras, que intensificavam ganhos e subiam mais de 4% em meio às falas do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que disse que decisões de preço da petroleira devem ser tomadas como empresa. Elétricas também mostravam força hoje, com destaque para Eletrobras, em meio a um possível socorro às elétricas. Às 14h33 (horário de Brasília), o índice subia 1,12%, a 48.679 pontos, enquanto o dólar passava por uma sessão de ajustes após disparada de ontem. 

No Ibovespa, chamava atenção ainda as ações do setor financeiro, também impulsionadas pelas falas de Levy. O ministro disse que o governo deve dar mais espaço para atuação de bancos privados e que papel dos bancos públicos deve mudar. Diante do bom humor do mercado subia forte também o setor siderúrgico, com as ações da Usiminas (USIM5, R$ 4,50, +2,74%), CSN (CSNA3, R$ 5,49, +2,62%), Gerdau (GGBR4, R$ 9,50, +0,74%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 10,96, +0,09%). 

Por outro lado, as ações dos frigoríficos, que subiram ontem com a alta do dólar, reagem hoje à queda da moeda americana, com a JBS (JBSS3, R$ 10,10, -3,81%) e Marfrig (MRFG3, R$ 5,22, -2,43%) entre as maiores quedas do índice. Além delas, os papéis do setor de educação seguiam entre perdas e ganhos, em parte penalizados pelo anúncio de ajustes no FIES (programa de financiamento estudantil) no fim do ano passado. A Ser Educacional (SEER3, R$ 17,79, -1,88%) chegou a operar em alta nesta manhã após anunciar programa de recompra de ações, mas virou para queda. 

Confira os principais destaques de ações desta terça-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 9,06, +3,31%; PETR4, R$ 9,27, +4,04%)
As ações da Petrobras ameniza parte dos ganhos registrados nesta manhã após chegarem a subir mais de 4%. Enquanto as falas de Joaquim Levy, ministro da Fazenda, animaram os papéis, um comunicado da estatal divulgado perto das 11h (horário de Brasília) trouxe apreensão. A empresa disse que não vai discutir a aprovação e divulgação do balanço do resultado do terceiro trimestre e nem a eleição de novo presidente do Conselho em reunião que ocorre hoje. Levy falou nesta manhã que a Petrobras deve passar a tomar decisão de preço como companhia e que ainda não foi discutido participação em conselho de administração da empresa.

Ontem, os papéis da petroleira despencarem mais de 5% ontem em meio a desvalorização do petróleo e relatório pessimista do Goldman Sachs. Apesar dos ganhos de hoje, o petróleo voltava a cair nesta sessão. O petróleo WTI, negociado nos Estados Unidos, caía 1,58%, a US$ 45,33, enquanto o Brent, cotado em Londres, recuava 2,68%, a US$ 46,15. 

Continua depois da publicidade

Elétricas 
As ações das elétrico sobem hoje em meio às falas de Joaquim Levy, da Fazenda, que confirmou a autonomia do ministro, trazendo bom humor ao mercado. Segundo apurou o Valor, a presidente Dilma Rousseff decidiu que o socorro às distribuidoras de energia elétrica virá via tarifas, como defendia o ministro da Fazenda, e não com recursos do Tesouro, enquanto a presidente não deixou que o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, perdesse a disputa com a equipe econômica e a possibilidade de um empréstimo para as empresas pagarem a conta de R$ 2,5 bilhões via bancos públicos, como teria informado o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. 

Levy mostrou comprometimento com o “realismo tarifário”, deixando claro que vai se direcionar a uma maior austeridade fiscal e dará fim aos subsídios assumidos pelo Tesouro à eletricidade. “Mostra uma nova orientação do governo, de menor intenvenção da economia”, disse Luciano Rostagno, estrategistra do Banco Mizuho. Diante das notícias, os papéis do setor registravam ganhos hoje: AES Tietê (GETI4, R$ 17,66, +2,85%), Taesa (TAEE11, R$ 18,85, +0,91%), Eletropaulo (ELPL4, R$ 8,55, +1,42%), CPFL Energia (CPFE3, R$ 17,98, +2,22%), Eletrobras (ELET3, R$ 5,57, 0,0%; ELET6, R$ 8,08, +4,26%) e Cemig (CMIG4, R$ 11,53, +0,79%). 

Vale mencionar ainda que Levy afirmou hoje que o Tesouro Nacional não fará mais o aporte de despesas orçamentárias de R$ 9 bilhões para CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), fundo setorial que bancou a política de redução da energia elétrica do setor implementada pela presidente Dilma no primeiro mandato. “Essa é a decisão”, afirmou. A previsão de gastos desses R$ 9 bilhões foi incluída na proposta de Orçamento de 2015 enviada ao congresso e ainda em tramitação.

Continua depois da publicidade

Bancos
As ações dos bancos sobem hoje em meio ao bom humor do mercado e as falas de Joaquim Levy, ministro da Fazenda. Ele disse nesta manhã que o governo deve dar mais espaço para atuação de bancos privados e que papel dos bancos públicos deve mudar. O ministro falou em café da manhã com jornalistas em Brasília. Na bolsa, sobem as ações do Bradesco (BBDC4, R$ 35,76, +2,64%), Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,54, +1,80%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 22,34, +0,86%) e Santander (SANB11, R$ 12,72, +0,47%). 

Oi (OIBR4, R$ 5,98, +4,91%)
As ações da Oi sobem hoje após desabarem 14% ontem depois de notícia de que a Portugal Telecom SGPS teria adiado em 10 dias a reunião que decidiria sobre a venda dos ativos portugueses da Oi. A assembleia ocorrerá agora dia 22 de janeiro. No mesmo horário, os papéis da PT desabavam 6,69% na Bolsa de Lisboa, a 0,669 euro. Ontem, o regulador português CMVM retirou a suspensão para negócios com as ações da Portugal Telecom SGPS após duas sessões inoperantes.   

Ser Educacional (SEER3, R$ 18,02, -0,44%)
Depois de iniciarem o dia no positivo, as ações da Ser Educacional viraram para queda neste pregão. Os papéis reagiram no começo do dia ao comunicado de que a empresa aprovou recompra de até 3,7 milhões de ações, que correspondem a 10% dos papéis em circulação no mercado, pelo prazo de 365 dias. Até a véspera, os papéis da companhia haviam caído no ano quase 40% penalizados por ajustes no FIES anunciados no final de 2014. Outras ações do setor registravam ganhos hoje: Kroton (KROT3, R$ 12,83, +4,99%), Estácio (ESTC3, R$ 17,69, +3,57%) e Anima (ANIM3, R$ 24,08, +6,31%).

Continua depois da publicidade

Vale (VALE3, R$ 22,83, +0,75%; VALE5, R$ 20,05, +1,37%) 
As ações da Vale sobem depois de dois pregões seguidos de perdas em meio ao movimento de recuperação do mercado e boas notícias vindas da China, principal destino de suas exportações. Apesar disso, os preços do minério de ferro caem pelo 5° dia com fraca demanda por aço devido à desaceleração da construção civil do país em função do inverno. O minério com entrega nos portos da China foi negociado a US$ 67,90 por tonelada nesta terça, queda de quase 1%. 

As importações de minério de ferro da China subiram no mês passado. O gigante asiático registrou superávit comercial de US$ 382,5 bilhões em 2014, uma alta de 47,3% em relação ao saldo do ano anterior, conforme informou o governo do País.

Cosan (CSAN3, R$ 24,40, +4,10%)
A companhia registra os maiores ganhos do Ibovespa após atingir na véspera seu menor patamar desde outubro de 2011. Tem impacto nos papéis também a fala de Levy, que ao comentar sobre reajuste de preços dos combutíveis também afeta a companhia, que por ter em seu negócio o mercado de etanol acaba também afetada por mudanças nos preços.

Continua depois da publicidade

Sabesp (SBSP3, R$ 15,98, -3,33%)
As ações da Sabesp lideram as perdas do Ibovespa hoje e caminham pelo terceiro pregão seguido. Apesar do volume de chuvas em São Paulo ontem, o nível de água do sistema Cantareira caiu de 6,5% para 6,4% de segunda para terça-feira, segundo dados divulgados pela Sabesp nesta manhã.   

Brasil Pharma (BPHA3, R$ 1,55, -10,40%)
As ações da Brasil Pharma voltam a desabar na Bolsa, renovando seu menor patamar histórico. Do início de setembro do ano passado (quando os papéis começaram a desabar) até hoje, as ações acumulam perdas de 52%.