Petrobras cai 4%; Vale recua 2%; uma small cap é recomendada por bancos

Vale intensifica perdas antes de julgamento sobre tributação de coligadas; JPMorgan tem CPFL, Light e Equatorial como top picks

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SÃO PAULO – O  Ibovespa, que lutava para voltar ao campo positivo ainda pela manhã, degringolou e passou a operar em queda acentuada na tarde desta terça-feira (26). Às 13h12 (horário de Brasília), o índice registrava baixa de 1,38%, a 51.541 pontos. De um lado, as ações dos bancos ganham força com uma possível avaliação superestimada do impacto que a ação do STF pode custar aos cofres das instituições; de outro, os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4) amargam perdas diante das incertezas sobre o reajuste dos combustíveis. 

Com isso, a ponta positiva do índice é dominada pelas ações dos bancos: Bradesco (BBDC3, +3,26%, R$ 34,17; BBDC4, +2,20%, R$ 30,69), Banco do Brasil (BBAS3, +2,96%, R$ 24,71), Itaú Unibanco (ITUB4, +2,29%, R$ 32,57), Itaúsa (ITSA4, +2,24%, R$ 9,14) e Santander (SANB11, +1,45%, R$ 14,69). 

Para a XP Investimentos, o governo pode ter superestimado o impacto que os bancos terão com o julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) com intuito de gerar pressão e ter um apelo maior a respeito dos efeitos que uma decisão desfavorável traria na economia. Na próxima semana, começa no STF (Supremo Tribunal Federal) o julgamento dos planos econômicos e há a possibilidade dos bancos terem que pagar R$ 150 bilhões, referentes aos planos Bresser, Verão, Collor I e Collor II.

Embora fala-se de R$ 150 bilhões de impacto aos bancos, uma conta que considere o nível de provisão e a participação nos depósitos do Itaú demonstra que um número mais realista seria em torno de R$ 50 bilhões como valor total, disse a XP Investimentos após conversa com o setor e advogados sobre o tema.

Petrobras amarga perdas de cerca de 3%
Por outro lado, a Petrobras amarga fortes perdas: os papéis ordinários recuam 3,03%, a R$ 18,86, enquanto os preferenciais caem 2,85%, a R$ 19,78. Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, o governo resiste em autorizar uma fórmula de reajuste nos preços dos combustíveis da forma defendida pela estatal. Nesta tarde, o ministro da Fazenda e presidente do conselho de administração da petroleira, Guido Mantega, disse que está amadurecendo modalidade para eventual reajuste de combustíveis, mas que nova metodologia não pode ser uma indexação. “Reajuste dos combustíveis este ano depende da decisão da diretoria da Petrobras”, afirmou. 

Após o balanço do terceiro trimestre, a estatal apresentou uma nova política de preços que prevê reajustes automáticos e periódicos de combustíveis – e desde então o governo parece apresentar resistência a esse modelo enquanto os investidores mostraram entuasiasmo, com forte valorização das ações da empresa após o anúncio. Ao final desta semana, a Petrobras deve realizar uma reunião do Conselho de Administração para discutir o assunto. A reunião, que inicialmente estava marcada para o último dia 22, foi transferida para 29 deste mês. 

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Vale recua antes de julgamento sobre tributação de coligadas
As ações da Vale (VALE3, -2,16%, R$ 33,90;  VALE5, -2,10%, R$ 31,30) intensificam as perdas antes do julgamento sobre a tributação das subsidiárias da mineradora no exterior. A sessão a 1ª Turma do STJ (Supremo Tribunal de Justiça) começa às 14h (horário de Brasília). 

O julgamento chegou a ser marcado para 22 de outubro, mas foi adiado pelo relator do caso, o ministro Napoleão Nunes Maia Filho, a pedido do Ministério Público Federal. O governo diz que a Vale deve cerca de R$ 30 bilhões em tributos sobre lucro de subsidiárias no exterior, mas a mineradora contesta a cifra. Dependendo do resultado, a companhia vai decidir se irá aderir ao Refis (Programa de Recuperação Fiscal), de acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg. A mineradora tem até a próxima sexta-feira para decidir se irá aderir ao programa do governo e, caso aceite, deve desistir de todos os seus processos judiciais atuais relacionados com a questão. 

JPMorgan tem CPFL, Light e Equatorial como top picks
O JPMorgan iniciou cobertura para o setor de “utilities” com visão positiva. O banco de investimentos colocou as ações da CPFL Energia (CPFE3), Light (LIGT3) e Equatorial (EQTL3) como suas top picks. Com exceção da Equatorial, que vê seus papéis subirem 1,10%, a R$ 23,83, CPFL e Light operam em quedas de 0,47% e 1,34%, respectivamente, a R$ 19,02 e R$ 21,27.

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No setor, o JPMorgan prefere manter distância dos papéis da Cesp (CESP6, -0,39%, R$ 22,78), Copel (CPLE6, -1,16%, R$ 32,40) e AES Eletropaulo (ELPL4, -1,91%, R$ 9,76). 

Marcopolo sobe após recompra de ações
Já a ação da Marcopolo (POMO4) mostra valorização de 1,47%, a R$ 5,51, neste pregão, depois que a empresa anunciou programa de recompra de ações. 

A empresa informou na véspera que foi aprovado a aquisição pela companhia, a preço de mercado, de até 20 milhões de ações preferenciais de emissão da companhia, o que corresponde a 3,6% do total das ações em circulação no mercado. A operação será realizada no prazo máximo de 120 dias, com término previsto para 25 de março do ano que vem.

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Tupy sobe com relatórios positivos de bancos e corrretoras
Fora do Ibovespa, as ações da Tupy (TUPY3) chamam atenção, com valorização de 4,09%, a R$ 20,12, impulsionadas por relatórios positivos de bancos e corretoras. Na máxima do dia, atingiram ganhos de 5,23%, a R$ 20,34. 

O BTG Pactual iniciou a cobertura dos papéis da empresa com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 28,00, um potencial de valorização de 45% sobre o fechamento de ontem. Já o Brasil Plural elevou a recomendação para o papel de neutro para overweight (desempenho acima da média), colocando a empresa entre suas top picks.

CCX sobe e OSX cai após balanços do 3° tri
Atrasadas, as empresas CCX Carvão (CCXC3) e OSX Brasil (OSXB3), do Grupo EBX, divulgaram na noite da véspera seus balanços do terceiro trimestre. Em reflexo, as ações das companhias operam em sentidos opostos: enquanto a CCX sobe 2,91%, a R$ 1,06, a OSX cai 2,13%, a R$ 0,46. 

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A empresa de estaleiros de Eike Batista encerrou o período com prejuízo de R$ 1,77 bilhão, revertendo lucro de R$ 8,2 milhões registrados um ano antes. As perdas foram provocadas principalmente pela reavaliação de ativos, que ocasionaram uma baixa contábil de R$ 1,78 bilhão no trimestre. Já a CCX encerrou os meses de julho e setembro com prejuízo de R$ 7,2 milhões, contra perdas de R$ 26,5 milhões de um ano antes. As despesas operacionais somaram R$ 9,8 milhões, enquanto as receitas financeiras (com aplicação e variação cambial) totalizaram R$ 4,3 milhões.