Destaques da Bolsa

Petrobras cai 4%, Vale ON ‘ignora’ minério e sobe 1% e uma small cap dispara até 16%

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão

SÃO PAULO – O Ibovespa afundou nesta quinta-feira (19) e testando os 50.000 pontos, com a aversão ao risco ditando o humor dos investidores. O mercado seguiu de olho nos próximos passos do Federal Reserve, após a ata do Fomc (Federal Open Market Committee) divulgada ontem sinalizar que a porta está aberta para alta de juros. Por aqui, o governo se preocupa com a “herança maldita” deixada pelo governo de Dilma Rousseff, que aponta para uma déficit de R$ 160 bilhões. 

O peso da derrocada das commodities hoje também ajudou a dar o tom pessimista do mercado hoje. Com a queda dos preços do petróleo e minério de ferro, as ações da Petrobras e siderúrgicas caíram forte. A Vale, por sua vez, recuperou parte do terreno perdido mais cedo, após cair 5% na mínima do dia. Os papéis ordinários viraram e fecharam em leve alta nesta sessão.  

Já entre as maiores altas do índice apareceram as ações da Qualicorp, que engataram seu segundo dia de forte alta, acumulando no período valorização de 10%. Na esteira, papéis da Kroton e Marfrig figuraram como a segunda e terceira maior queda do Ibovespa. Fora do índice, chamou atenção as ações da small cap Indústrias Romi, que chegaram a subir 16% na máxima do dia. 

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:

Petrobras (PETR3, R$ 11,51, -4,16%; PETR4, R$ 8,96, -3,86%)
O movimento dos preços do petróleo no mercado internacional ajudou a retirar o peso da queda das ações da Petrobras, que na mínima do dia afundaram 7%. Lá fora, o petróleo Brent registrava baixa de 0,45%, a US$ 48,71, depois de cair mais de 2% mais cedo.  

Também contribuiu para o movimento da estatal – que amenizou nesta tarde as perdas – a notícia de que Pedro Parente, ex-ministro da Casa Civil de FHC, aceitará o convite de Michel Temer para assumir a presidência da Petrobras em substituição a Ademir Bendine. As informações são da Agência Estado. Ivan Monteiro deve seguir como CFO e diretor de relações com investidores da petroleira. 

No radar da companhia aparece o rebaixamento de sua ação pelo Raymond James de “market perform” (desempenho em linha com a média) para “underpeform” (desempenho abaixo da média)

Vale (VALE3, R$ 14,89, +1,22%VALE5, R$ 11,85, -1,00%)
O noticiário também foi bastante intenso para o setor de mineração. Nesta quinta-feira, ocorreu na Ásia uma conferência de minério de ferro e o humor segue bastante negativo, destaca o BTG Pactual, em linha com a visão do banco de que o rali recente não é sustentável. Além disso, o dia foi de forte baixa para o minério de ferro, com a commodity negociada em Qingdao despencando 5,83%, aos US$ 53,47 a tonelada métrica. Apesar dos sinais negativos, a ação da Vale se afastou bem da mínima do dia. Após queda de até 6%, os papéis fecharam entre perdas e ganhos de 1%. 

As siderúrgicas, por sua vez, seguiram em movimento de forte baixa nesta sessão, com a Gerdau (GGBR4, R$ 5,67, -4,06%), Usiminas (USIM5, R$ 1,88, -7,39%) e CSN (CSNA3, R$ 7,45, -4,61%). No radar da CSN, segundo o Valor Econômico, por meio de cautelar, o Tribunal de Contas da União (TCU) proibiu novos repasses de recursos públicos à Transnordestina, que pertence à siderúrgica. As justificativas para a decisão são inúmeras, mas a origem dos problemas é bem definida: a obra começou a ser executada com projetos precários e farto financiamento público, diz o TCU.

Eletrobras (ELET3, R$ 7,00, +0,72%; ELET6, R$ 11,65, -0,85%)
As ações da Eletrobras tiveram dia misto. Após queda de até 3% mais cedo, os papéis ordinários registraram alta, enquanto os preferenciais seguiram em baixa de olho no “imbróglio” nos EUA e nas perspectivas de uma capitalização. Na semana, a baixa já é superior a 12%. A estatal informou que tem prazo de dez dias úteis para encaminhar preliminares de recurso que pretende apresentar contra a decisão da Bolsa de Valores de Nova York (Nyse) de suspender a negociação dos papéis da companhia, que ocorreu a partir de quarta-feira. Os American Deposit Shares (ADS) poderão ser negociados no mercado “over the counter” a partir desta quinta-feira, disse em comunicado na noite da véspera.

A suspensão ocorreu porque a elétrica não entregou às autoridades dos Estados Unidos os formulários 20-F relativos aos exercícios sociais de 2014 e 2015 até o prazo de quarta-feira. O atraso se deve a investigações internas relativas a corrupção, que estão sendo conduzidas pelo escritório Hogan Lovells. Segundo fato relevante divulgado anteriormente pela companhia, elas ainda não estão substancialmente completas. A Eletrobras informou que pretende apresentar “todos os recursos cabíveis” contra a decisão. A companhia tem o prazo de dez dias para encaminhar as preliminares do recurso e manifestar se deseja fazer uma apresentação oral ao comitê do Conselho de Administração da Nyse. Para tanto deverá pagar taxa de 20 mil dólares.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o governo estuda capitalização de R$ 4 bilhões na Eletrobras. Os recursos serão usados para recompor caixa da estatal para fazer frente à provável fuga de investidores das ações da companhia após a suspensão das negociações com os papéis nos EUA. O valor ainda não está totalmente definido, mas as estimativas iniciais apontam que R$ 4 bilhões seriam suficientes. A capitalização pode ser feita em 2 meses, segundo o jornal. Ontem, uma fonte afirmou à Bloomberg que o Tesouro não tem espaço fiscal para tapar o rombo de R$ 47 bilhões na Eletrobras com deslistagem da bolsa de Nova York. 
Bancos
Além de acompanhar o cenário externo, que registra cautela em meio às perspectivas de uma alta dos juros nos EUA, os bancos tiveram queda também de olho no cenário interno. Segundo reportagem da revista Exame, a Operação Lava Jato mira o sistema financeiro como próximo alvo; todos os grandes bancos do Brasil serão citados e instados a pagar multa.
Procuradores elaboram relatório sobre todas as irregularidades executadas no sistema financeiro e praticadas por doleiros, executivos e funcionários envolvidos na Lava Jato e o MPF já listou operações de milhões de dólares em contratos de câmbio de exportações que nunca envolveram mercadorias, diz a reportagem. Nova frente não prevê, até o momento, operações de busca e apreensão.

As ações do Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 30,47, -0,85%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 17,73, -2,37%), Bradesco (BBDC4, R$ 24,65, -2,07%) e as units do Santander Brasil (SANB11, R$ 17,85, -0,45%) registraram queda. Ainda no radar do setor, destaque para a elevação da recomendação das ações do Itaú pelo Votorantim para outperform, enquanto foi reduzida para neutro pelo Bradesco BBI. 

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Exportadoras
Com a virada para queda do dólar frente ao real, as ações das exportadoras do setor de papel e celulose perderam força e fecharam em queda nesta tarde, caso da 
Suzano (SUZB5, R$ 14,25, -1,93%) e Fibria (FIBR3, R$ 30,66, -0,62%). A Embraer (EMBR3, R$ 19,10, +0,53%), por sua vez, seguiram em movimento de alta. 

Indústrias Romi (ROMI3, R$ 2,00, +8,11%)
As ações da small cap Indústrias Romi chegaram a disparar até 16,22% nesta sessão, cotadas a R$ 2,15, em dia de forte volume financeiro. Os papéis giraram R$ 1,69 milhão até agora na BM&FBovespa, muito acima da média diária de R$ 527 mil dos últimos 21 pregões. 

Ontem, um relatório do Santander trazia uma visão “ligeiramente positiva” para a ação. A visão dos analistas do banco Daniel Gewehr e João Noronha, que assinam o relatório, é que a empresa está com “a lição de casa feita”. Após reunião com o CEO, Cassiano Rosolen, e o CFO, Fabio Taiar, da empresa, eles ressaltaram que o foco da empresa na geração de caixa (geração de cerca de R$ 30 milhões em 2015 apesar de ter operado em torno de 40% da capacidade) e um cronograma suave de amortização das dívidas nos próximos dois anos. A recomendação do Santander para a ação é compra, com preço-alvo de R$ 3,50.