“Golden Age”: Morgan vê era de ouro para energia e destaca Petrobras em estratégia

Mais uma vez, segmento de refino ganha projeção para a petroleira

Lara Rizério

Ativos mencionados na matéria

(Foto: Pedro Teixeira/Agência Brasil)
(Foto: Pedro Teixeira/Agência Brasil)

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A Petrobras (PETR3;PETR4) aparece entre as apostas globais do Morgan Stanley para um cenário que o banco chama de “Golden Age”, ou era de ouro para segmentos do petróleo, caracterizado por forte demanda por combustíveis, disciplina de investimentos no setor energético e valorização de empresas ligadas à economia real. Entre as principais apostas do banco estão refinarias complexas, produtoras de petróleo integradas e companhias capazes de capturar margens elevadas próximas aos grandes centros consumidores. Recentemente, analistas têm destacado visão positiva para o segmento de refino da companhia.

Para o Morgan, os mercados de combustíveis resistiram a três choques em seis anos e saíram fortalecidos de cada um deles. O banco vê potencial de continuidade para sua visão otimista sobre as ações de empresas de refino de combustíveis.

As refinarias devem se beneficiar de um novo patamar mais elevado para o ciclo médio – o mercado superestima a adição de nova capacidade e subestima as interrupções na capacidade existente.

“O refino de combustíveis é um gargalo energético fundamental, assim como a energia é para a IA. O ciclo de alta deve se sustentar pelos próximos três anos, à medida que os investimentos permanecem limitados e o consumo, elevado. Um aumento duradouro de 30% a 35% nos lucros das refinarias deve levar a uma reavaliação dos múltiplos para as empresas que recomendamos e também se refletir nas grandes petroleiras (majors) na forma de dividendos acima do esperado”, avalia.

No relatório, a Petrobras figura ao lado de gigantes como Exxon Mobil, Valero, Sinopec e Repsol em uma seleção internacional de ações ligadas ao refino e à cadeia de petróleo consideradas mais bem posicionadas para capturar valor nos próximos anos.

O destaque da companhia brasileira surge em um momento em que parte dos investidores globais voltam a priorizar negócios ancorados na economia real, contrariando parte do fluxo concentrado nos últimos anos em empresas de tecnologia e inteligência artificial.

Para os estrategistas do Morgan Stanley, refinarias complexas, capazes de processar diferentes tipos de petróleo e localizadas próximas aos principais centros consumidores, tendem a ser as maiores beneficiárias desse ambiente. A Petrobras foi incluída justamente nesse grupo de vencedores potenciais.

Na avaliação do banco, empresas que já concluíram seus ciclos mais pesados de investimentos e possuem capacidade de geração de caixa elevada estão particularmente bem posicionadas. Nesse contexto, a Petrobras conta com recomendação equivalente à compra (overweight, ou desempenho acima da média do mercado), com preço-alvo de US$ 78 por ADR (recibo de ações negociado em Nova York) PBR, equivalente ao ON, com o banco mantendo uma avaliação positiva sobre os fundamentos da companhia dentro da estratégia global para o setor.

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A Petrobras é citada de olho na próxima fase da indústria energética mundial. A lista inclui empresas da Ásia, Europa, Oriente Médio e América do Norte, enquanto a estatal brasileira se destaca por combinar escala de produção, integração entre exploração e refino e acesso a algumas das reservas de petróleo de menor custo do mundo, concentradas no pré-sal.

Para os analistas, um cenário de demanda global por derivados ainda robusta, refinadoras integradas podem se beneficiar de margens sustentadas por mais tempo do que o mercado vinha prevendo. Nesse ambiente, a Petrobras reúne características como forte presença no mercado doméstico, relevância internacional na produção de petróleo e uma estrutura verticalizada que reduz vulnerabilidades operacionais.

Principais apostas

Olhando para o cenário geral, as principais apostas do banco estão refinarias complexas, produtoras de petróleo integradas e companhias capazes de capturar margens elevadas próximas aos grandes centros consumidores.

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Segundo os estrategistas, uma das teses mais atrativas no ambiente atual está nas refinarias com alta complexidade operacional e que já concluíram seus principais ciclos de investimentos. Isso porque essas empresas tendem a se beneficiar de uma combinação de demanda resiliente por derivados, oferta mais limitada e maior retorno para os acionistas.

A lista de preferências do banco reúne também empresas de diversas regiões do mundo, incluindo nomes da Ásia, Europa, América Latina e América do Norte.

A visão construtiva contrasta com a percepção predominante dos últimos anos, quando grande parte do mercado concentrou atenção em empresas de tecnologia e IA. Para o Morgan Stanley, os investidores não devem ignorar setores tradicionais da economia, que continuam sendo fundamentais para sustentar o crescimento global e podem apresentar uma relação risco-retorno mais favorável em determinados momentos do ciclo.

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O relatório mostra que muitas empresas do segmento negociam com múltiplos considerados modestos quando comparados ao mercado em geral. Em diversos casos, os papéis são negociados a menos de 10 vezes lucro projetado para 2027 e com rendimentos implícitos de fluxo de caixa livre bastante elevados, sugerindo potencial para remuneração dos acionistas por meio de dividendos e recompras de ações.

Outro ponto destacado pelos analistas é que o setor energético continua se beneficiando de anos de subinvestimento global em capacidade de refino e produção. Na visão do banco, esse cenário contribui para sustentar margens acima da média histórica, especialmente para empresas que possuem ativos de alta qualidade e localização estratégica.

O Morgan Stanley também avalia que o atual ambiente favorece companhias com ativos tangíveis e difíceis de replicar. Refinarias, infraestrutura logística, campos de petróleo e cadeias integradas de energia tendem a ganhar importância em um contexto de segurança energética e manutenção do consumo global de combustíveis.

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.