Perfil da demanda explica aumento dos gastos com cigarro desde 2004

Procura por produtos que causam dependência permanece constante mesmo com aumento dos preços; feijão perde espaço

Por  Felipe Abi-Acl de Miranda -

SÃO PAULO – Estudo elaborado pela Fundação Getúlio Vargas e publicado nesta segunda-feira (28) mostrou que o brasileiro vem gastando uma maior parte de seu salário com cigarros do que com alimentos básicos, como arroz e feijão.

De acordo com a FGV, em abril de 2007, 1,25% do orçamento familiar era ocupado pelo item “cigarro”, enquanto apenas 0,85% correspondia a arroz e feijão.

Basicamente, o maior peso dado ao tabaco se deu por conta de uma elevação dos preços deste produto nos últimos anos, enquanto os alimentos tornaram-se mais baratos. Segundo o estudo, entre janeiro de 2004 e abril de 2007, o preço dos cigarros aumentou em média 29,57% e o item arroz e feijão ficou mais barato, na média, em 20,35%.

Aceitando qualquer preço

Muito embora possa parecer estranho para muitos o fato dos gastos com cigarros superarem os dispêndios com arroz e feijão, a teoria econômica apresenta uma explicação bastante intuitiva para este fenômeno.

A demanda por produtos como o cigarro, que causam dependência nos indivíduos, é bastante inelástica a preço. Dito de outra forma, é como se os consumidores demandassem a mesma quantidade de cigarro independentemente de aumento dos preços, dada sua dependência pelo produto. Não há sensibilidade da demanda a alterações nos preços de produtos que causam vício.

Com isso, aumentos de preços nestes bens desencadeiam um maior gasto total (preço x quantidade) no item cigarros, pois a quantidade permanece a mesma ou muito parecida. Em outros exemplos de bens, a demanda é bastante sensível a alterações nos preços, de modo que um aumento no valor dos produtos representa uma redução da quantidade demandada.

Feijão é substituído

Em contrapartida, o feijão é considerado um bem inferior. Ou seja, em momentos de aumento da renda, como o vivenciado nos últimos anos, o indivíduo substitui o consumo de feijão por outros bens, o que ajuda a explicar a redução do peso deste item no orçamento familiar.

Obviamente, outros fatores influenciam na composição do orçamento familiar, mas os aqui expostos contribuem para entender o fenômeno revelado pela pesquisa da FGV.

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