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SÃO PAULO – Você trabalha o mês inteiro, mas no dia do pagamento de seu salário, mal chega a ver a cor do dinheiro. Afinal, todo brasileiro, além de gastar com o mínimo necessário para sua subsistência, ainda vê o seu rendimento ir embora com o pagamento de tributos.
Paga-se impostos, taxas e contribuições o tempo todo: sobre o rendimento (Imposto de Renda, contribuição à Previdência Social e contribuições sindicais), consumo (impostos embutido nos preços de produtos e serviços), e sobre o patrimônio (IPTU, IPVA, ITR etc). Imagine, então, quando tempo você gasta só para cumprir o papel de contribuinte? A resposta existe!
Até 20 de maio, trabalho só para pagar tributos
Um estudo levantado pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), divulgado na última terça-feira (17), revelou um dado nada animador: o brasileiro passa mais de um terço do tempo trabalhando apenas para pagar os tributos cobrados pelos governos federal, estadual e municipal!
A projeção para 2005 é que 38,35% do rendimento bruto do brasileiro seja destinado ao pagamento de tributação sobre renda, consumo, patrimônio etc. Isto equivale a dizer que você deve passar, em média, 4 meses e 20 dias do ano para acertar suas contas com os fiscos. Ou até a próxima sexta-feira, dia 20 de maio.
A situação não muda muito de um ano para outro. Em 2004, o comprometimento chegava a 37,81%, e em 2003, a 36,98%. No entanto, comparado à década de 70, quando se levava 76 dias para cumprir com a “obrigação”, o trabalho hoje é praticamente dobrado!
Brasileiro paga do bolso por serviços de qualidade
O pagamento de impostos pressupõe a prestação de serviços de qualidade por parte do Governo, o que, na prática, não acontece há muito tempo.
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Neste sentido, além de arcar com tão elevada carga tributária, o contribuinte acaba pagando do próprio bolso os gastos com educação, saúde, segurança, previdência e até mesmo pedágios, quando precisa circular pelas estradas com freqüência, ou quando o custo é embutido no valor de fretes que refletem no custo da circulação de bens e serviços.
Analisando o perfil de gastos de uma família de classe média composta por um casal e dois filhos, ao se considerar apenas a aquisição de serviços similares aos públicos, mais 31% de sua renda são destinados a este fim, ou o equivalente a mais 112 dias de trabalho.
Orçamento ganha “folga” só em setembro
Somando, assim, todo o tempo despendido pelo trabalhador para simplesmente pagar tributos e adquirir serviços, nada menos do que 252 dias serão abocanhados pelo Governo, de acordo com as estimativas do Instituto.
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Em outras palavras, em tese, apenas a partir do dia 10 de setembro é que o trabalhador poderá pensar em gastar o seu suado dinheiro com a compra de comida, roupas e bens, além de pagar moradia, gozar férias e, se possível, poupar alguma coisa!