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SÃO PAULO – A queda acentuada no preço de produtos agrícolas – que chegou a atingir a proporção de 20% – verificada na última semana em cotações do mercado internacional não se trata de uma tendência. Segundo a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), os barateamentos das commodities, os maiores dos últimos 50 anos ocorridos em curto espaço de tempo, foram “apenas um ajuste”.
“O que causou essa queda foi a saída desse capital especulativo e sua ida para fundos menos arriscados. Eu não acredito em quedas acentuadas para um futuro próximo, ou seja, vamos continuar vivendo em patamares de preços agrícolas acima das médias históricas, seguramente”, opinou o superintendente técnico da entidade, Ricardo Cotta.
Valorização
As commodities são produtos em estado bruto ou com baixo grau de industrialização, que podem ser estocados por determinado tempo, sem perda significativa de qualidade, e que possuem cotações globais.
Nos últimos 12 meses, as agrícolas tiveram forte valorização, com produtos como a soja e o trigo, por exemplo, chegando a dobrar ou até triplicar seu preço. O efeito foi direto no bolso do consumidor: derivados do trigo ficaram mais caros, como é o caso do pãozinho, que neste mês foi reajustado em 10% no comércio paulistanos, por exemplo.
De acordo com a Agência Brasil, isso ocorreu por conta do capital especulativo nas comercializações desses produtos em bolsas de valores e também por conta da expectativa de crescimento mundial, que eleva o consumo de alimentos.
Maior rendimento
Segundo o Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), sustentavam os preços de commodities tanto um fator de origem “real”, relacionado à demanda mundial de matérias-primas, quanto um “financeiro”, tendo como suporte as aplicações nesses produtos como alternativas de maior rendimento diante da desvalorização do dólar e queda da taxa de juros nos Estados Unidos.
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Por sua vez, maiores incertezas nos dois campos – real e financeiro – levaram à queda generalizada e determinaram a queda dos preços de commodities, dentre elas, o ouro e o petróleo (reduções de 4,4% e 4,5%, respectivamente, na semana passada).
Acima da média
“Os preços estão acima das médias históricas e o produtor quer fazer dinheiro com isso, para aferir seus lucros. Essa queda brutal que nós tivemos foi muito acentuada por um curto período de tempo, mas isso aí significa muito mais um ajuste em cima do percentual de capital especulativo, que está dentro da formação de preços das commodities, do que dos fundamentos sólidos que garantem esses preços em patamares superiores”, avaliou Cotta, em entrevista à Agência Brasil.
O superintendente da CNA disse que o perigo é o alastramento da crise americana. “Mas se a crise for se amenizando daqui para frente, há uma tendência de recuperação a médio prazo no preço dessas commodities”, finalizou.