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SÃO PAULO – Ainda há espaço para melhorar. Assim o Banif traçou sua visão acerca do setor imobiliário no Brasil. Para o banco, passada a aversão dos investidores às ações do setor, o desempenho pode começar a melhorar, considerando que o cenário macroeconômico pode começar a jogar a favor das empresas.
Em fevereiro, mais especificamente no dia 10, o índice do setor imobiliário atingiu 868 pontos, o menor patamar do ano. Isso fez com que os investidores ficassem mais cautelosos com as ações do setor. Porém, no fechamento da última segunda-feira (20), o índice já estava em 657 pontos, uma alta de 10,2%, enquanto o Ibovespa apresentou queda de 2,9%.
Para Flávio Conde, analista do banco, há espaço para avanços no setor, considerando que a inflação já começa a baixar e forma mais consistente e tendo em vista que, com um cenário inflacionário mais benigno, os juros devem parar de subir. A previsão do analista é que isso ocorra dentro dos próximos três meses.
Contudo, alguns fatores ainda pressionam. Os custos construtivos ainda são preocupantes, sobretudo os de mão de obra e materiais, trazendo as margens das empresas do setor para baixo.
No geral, o Banif acredita que o ciclo de investimentos no setor ainda tem vida longa, baseado principalmente em três fatores que, aliados ao déficit habitacional que existe no País, criam um cenário bastante favorável para a construção civil, tais como: envelhecimento da população, aumento na oferta e demanda por crédito e juros em queda.
População
Embora em velocidade menor do que anteriormente, há uma tendência de crescimento vegetativo da população brasileira. Além disso, essa população está envelhecendo. Segundo estudos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os jovens de até 15 anos devem ser 18% do total da população em 2030, passando para 14% em 2050, ao passo que pessoas com mais de 61 anos devem passar de 18% em 2030 para 28% em 2050.
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Esses dois componentes juntos reduzem o número de pessoas por família e aumenta o número de novas famílias, de modo que haja um aumento na demanda por novas residências. Isso, consequentemente, estimula os investimentos no setor.
Crédito
Um outro ponto muito importante para a construção civil é o crédito. Apesar do custo elevado, o volume total em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) tem apresentado alta nos últimos anos. Mesmo assim, quando comparado com outros países, percebe-se que no Brasil, ainda há espaço para crescimento.
“A expectativa, contudo, é que ao longo do tempo, conforme caem os juros e aumenta a confiança na estabilidade econômica, a demanda por crédito aumente e conseqüentemente eleve o volume de crédito cedido para o investimento imobiliário”, coloca o banco em seu relatório.
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Juros
Por fim, Conde explica a importância da queda dos juros do Brasil nos últimos anos. Desde 2000, o Banco Central vem adotando uma política de metas de inflação que, juntamente com a valorização do real frente o dólar e metas de superávit primário, conseguiram derrubar os níveis de inflação e, consequentemente, os juros para patamares mais próximos de países desenvolvidos.
Recomedação
Os nomes preferidos do Banif no setor são Brookfield e Tecnisa, que receberam recomendação de compra pelo analista. O preço-alvo para as ações da Brookfield (BISA3) é R$ 12,50 para o final do ano, o que representa um potencial de valorização de 60,88% tendo em vista a última cotação de fechamento. Para a Tecnisa (TCSA3), o preço-alvo é de R$ 17, o que significa um possível ganho de 39,92% com base no fechamento anterior.
Para a Viver (VIVR3), a recomendação é de manutenção, com preço-alvo de R$ 3,20, o que representa uma possível valorização de 22,14%.