Para 46%, reajustes no IOF e na CSLL pesarão no bolso do consumidor

Enquete feita pela InfoMoney mostrou que 25,38% das mais de 3 mil respostas apontam que aumentos foram mal explicados

•

Publicidade

SÃO PAULO – Enquete realizada pela InfoMoney mostrou que 46% dos leitores acreditam que as medidas anunciadas pelo Governo para compensar a perda com a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) vão impactar diretamente no bolso do consumidor.

Em 13 de dezembro último, o Senado derrubou a PEC (proposta de emenda à Constituição) que prorrogava a alíquota de 0,38% sobre transações até 2011. Dessa forma, o tributo tornou-se extinto no último dia de 2007.

Pouco tempo depois, no dia 3 de janeiro, foram publicados, em edição extra do Diário Oficial da União, o Decreto 6.339, que reajustou o IOF (Imposto sobre Operação Financeira), e a Medida Provisória 413, que aumentou a CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido).

No bolso

O caso do IOF pesa diretamente no bolso de quem toma crédito, porque dobrou sua alíquota diária de 0,0041% para 0,0082%, além de aplicar uma cobrança extra de 0,38% sobre o valor contratado.

Além disso, outras operações, como no caso de seguros, que já tinham incidência do imposto, tiveram um acréscimo de 0,38 ponto percentual na alíquota que recolhiam. Em situação que a alíquota era zero, como no caso do Dpvat, passou a ser cobrado 0,38%. Modalidades isentas, como financiamento imobiliário, permaneceram isentas.

Já o aumento de 9% para 15% da CSLL ao setor financeiro pode ser repassado ao cliente final, por meio do aumento das tarifas bancárias ou dos spreads*.

Continua depois da publicidade

Pesquisa do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) mostrou que, em 2007, brasileiros tiveram de trabalhar sete dias direto apenas para arcar com a CPMF. Neste ano, a contribuição consumiria R$ 200 de cada contribuinte. O aumento do IOF deve comprometer metade disso, com seu reajuste respondendo por um gasto anual extra de R$ 45.

Arrecadação

A CPMF arrecadaria R$ 40 bilhões aos cofres públicos neste ano. Os aumentos de tributos renderão ao Governo R$ 10 bilhões em receita. Outros R$ 20 bilhões serão cortados de despesas do Orçamento, enquanto os R$ 10 bilhões restantes para compor o montante “perdido” com a não-prorrogação da contribuição virão automaticamente, com o crescimento da economia.

Mas as coisas não são tão simples. Após ações diretas de inconstitucionalidade sobre as medidas terem sido ajuizadas na Justiça, o Supremo Tribunal Federal deu prazo de dez dias, nesta semana, para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dê explicações mais aprofundadas sobre o porquê de aumentar a carga tributária. Agora, aguarda-se o destino dos reajustes dos tributos.

Continua depois da publicidade

Resultado geral

Dentre os 3.392 leitores da InfoMoney que responderam à enquete na semana passada, 25,38% disseram, ainda, que os aumentos do IOF e da CSLL não foram bem explicados:

Na sua opinião, as medidas anunciadas pelo Governo para compensar a perda da CPMF foram:
Resposta Número total Proporção
Mal explicadas 861 25,38%
Insignificantes, perto do que já se paga 362 10,67%
Vão afetar diretamente o bolso do consumidor 1.561 46%
São necessárias para garantir o Orçamento da União 449 13,23%
Não tenho opinião formada sobre o assunto 159 4,69%

Fonte: Enquete InfoMoney

* diferença entre o custo de captação de recursos e o custo da taxa de empréstimos. Os spreads norteiam as taxas de juros empregadas ao consumidor