Pão já está até 26% mais caro, revela Dieese

Na comparação setembro 2006 x setembro 2007, maior alta está em Natal. Em Belém e no Rio, encarecimento é em torno de 15%

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – O encarecimento do trigo no mercado internacional fará com que seus derivados fiquem mais caros até o final do ano. O próprio Sindicato da Indústria de Panificação previu que, até dezembro, o pãozinho pesará 10% a mais no bolso. Contudo, pesquisa divulgada nesta quinta-feira (4) pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) mostrou que o alimento já está até de 26% mais caro, na comparação entre setembro deste ano e de 2006.

As maiores altas de preço estão em Natal (26,60%), Belém (15,77%) e Rio de Janeiro (14,76%). Em cada cidade, o quilo custa, em média, R$ 4,76; R$ 5,14 e R$ 5,91 – nessa ordem. Em nível nacional, cobram-se R$ 4,88 pela mesma quantidade do alimento.

Consumo e preço

Conforme o Dieese, brasileiros consomem seis quilos de pão por mês. Levando em consideração que cada unidade tem o peso médio de 50 gramas, são 120 unidades no período.

Variação de preço
por seis quilos do alimento
CapitalSetembro de 2006Setembro de 2007Variação
NatalR$ 22,56R$ 28,5626,6%
BelémR$ 26,64R$ 30,8415,77%
Rio de JaneiroR$ 30,90R$ 35,4614,75%
SalvadorR$ 22,86R$ 25,9213,39%
João PessoaR$ 26,82R$ 29,6410,51%
FortalezaR$ 26,82R$ 29,5810,29%
CuritibaR$ 24,42R$ 26,588,85%
RecifeR$ 24,54R$ 26,226,85%
FlorianópolisR$ 27,06R$ 28,746,21%
BrasíliaR$ 25,98R$ 27,546%
São PauloR$ 29,58R$ 30,483,04%
AracajúR$ 22,02R$ 22,622,72%
Belo HorizonteR$ 30,18R$ 30,962,58%
VitóriaR$ 32,70R$ 33,422,20%
GoiâniaR$ 31,74R$ 32,040,95%
Porto AlegreR$ 30,96R$ 29,94-3,29%

Fonte: Dieese

Motivo

Conforme a FGV (Fundação Getúlio Vargas), no atacado, o insumo principal dos derivados de trigo – a farinha – já está 10,6% mais caro no acumulado do ano até setembro. O próprio grão custa 12% a mais.

Todo esse peso a mais no bolso ocorre por conta da interrupção das importações. Segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a Argentina é responsável por mais de 90% das compras brasileiras, mas, em março, o país vizinho suspendeu suas vendas ao Brasil, alegando proteção ao abastecimento interno.

Já de acordo com a Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo), os preços internacionais do grão devem permanecer nos atuais patamares. O mesmo deve ocorrer com os preços nacionais: o produto é comprado no Paraná a R$ 640 e R$ 650 – os mais altos valores dos últimos anos.

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