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SÃO PAULO – A crise de 2008 evidenciou a fragilidade do sistema econômico mundial, transparecendo como a estrutura financeira foi arquitetada sobre posições alavancadas e brechas regulatórias, decorrentes, talvez, de políticas econômicas focadas na promoção imediata do crescimento.
A ideia de políticas meramente cíclicas, a acompanhar as flutuações econômicas, entrou em debate, principalmente entre os formuladores de política econômica dos países desenvolvidos, como Estados Unidos e Reino Unido. Manter-se inativo aos acontecimentos presentes e não aplicar medidas econômicas anticíclicas para amenizar distorções literalmente não é uma boa maneira de se administrar o setor público, e a história está aí para corroborar. Contudo, este não foi o caso da crise econômica passada, quando foram feitos esforços concentrados para abater o pior.
Agora, no pós-crise, praticamente todos os “cartuchos” foram queimados e os países desenvolvidos estão à mercê da desenvoltura da economia global, que parece sinalizar certa melhora no longo prazo. Mas esperar é a melhor solução?
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Na visão do CEO da Pimco, Mohamed El-Erian, países como Estados Unidos e Reino Unido devem se espelhar nas economias emergentes para saírem fortalecidos do pós-crise, dando maior enfoque em políticas que privilegiem o crescimento real do PIB (Produto Interno Bruto).
Aprendendo com os emergentes
Para começar, os países desenvolvidos terão que se acostumar a tomar medidas extraordinárias não apenas quando a situação estiver crítica. Portanto, na visão do CEO, a dinâmica orçamentária é primordial para sair fortalecido do pós-crise.
No primeiro momento, a maciça injeção de recursos no mercado é vista como um malefício, ante o grande déficit fiscal, mas é recompensada pelo ajuste do setor privado. Para financiar o “rombo fiscal”, El-Erian sugere manobrar a curva de juros.
No compasso da recuperação do setor privado, haverá um ajuste do mercado, que comprará mais títulos públicos em razão da expectativa de aumento da taxa de juro, ao passo que as contas públicas poderão ser facilmente financiadas, tendo em vista a corrida dos fundos de investimentos em busca de ratings mais qualificados.
Com exceção de Grécia, Irlanda e Islândia, a regra é mantida, assim como se o fluxo de crédito de médio e curto prazo não for estabelecido no setor privado.
Manual do crescimento sustentável
Para o CEO da Pimco, as políticas anticíclicas devem ser mescladas com medidas visando o crescimento da economia real. Portanto, conclui El-Erian, os países desenvolvidos devem focar no combate da taxa de desemprego, como nos países emergentes.
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A transição da ideologia política não é uma fase fácil, mas é necessária para a sustentação do crescimento econômico engatilhado no pós-crise. Deste modo, os governos devem, no mínimo, elaborar planos para realocar a força de trabalho e propiciar ferramentas para elevar a mobilidade da mão-de-obra.
Outro ponto importante destacado pelo CEO é o foco da política pública de distribuição de renda. Segundo ele, é mais importante fortalecer as matrizes econômicas ao invés de focar na distribuição de renda, ou seja, fortalecer a ideia de crescer de maneira “sustentável” e com uma economia aberta, sem margem ao protecionismo.
Funciona!
As regras gerais impostas pelo CEO da Pimco fazem alusão às políticas econômicas aplicadas pelos países emergentes, que “realmente funcionam”. Isto demonstra, segundo El-Erian, que a política de transição pós-crise é extremamente complexa, mas esforços para a congruência das metas podem resultar em grandes benefícios. China, Brasil e Índia estão aí para provar.