PagSeguro e Stone: mudanças na gestão podem marcar um ponto de inflexão

As novas lideranças têm a oportunidade de reconhecer a saturação do mercado, redirecionar o capital e estender a trajetória de crescimento

Felipe Moreira

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Com o fim do crescimento do setor de pagamentos no Brasil, o Morgan Stanley vê as recentes mudanças na gestão tanto da Stone (STNE) quanto do PagSeguro (PAGS), cujas ações são negociadas nos EUA, como um possível ponto de inflexão.

Segundo o banco, as novas lideranças têm a oportunidade de reconhecer a saturação do mercado, redirecionar o capital e estender a trajetória de crescimento. Em um mundo de pagamentos pós-crescimento, analistas acreditam que o valor das ações no longo prazo dependerá menos da aparência financeira de curto prazo e mais de quão eficazmente o capital é alocado hoje para construir fluxos de lucro sustentáveis e diversificados no futuro.

Diante desse cenário, o Morgan Stanley reitera recomendação de underweight (exposição abaixo da média do mercado, equivalente à venda) para PagSeguro (PAGS) e retoma a cobertura de Stone (STNE) também com underweight. O preço-alvo para PAGS permanece em US$ 7,70. Para STNE, o preço-alvo é de US$ 9,00.

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Fim do crescimento

O Morgan Stanley avalia que as estratégias agressivas de dividendos e recompra de ações de Stone e PagSeguro podem até sustentar os papéis no curto prazo, mas trazem o risco de destruir valor no longo prazo ao restringir o capital necessário para diversificação, expansão regional e crescimento sustentável. .

Na avaliação do banco, a indústria brasileira de pagamentos digitais alcançou o chamado “fim do crescimento”. Segundo a mais recente da AlphaWise, com consumidores mostra que o dinheiro em espécie representa apenas 11% do gasto mensal total no Brasil, percentual que cai para 9% entre consumidores de maior renda (classes A e B) e ainda assim fica em apenas 13% na classe C.

“Na prática, a carteira do consumidor brasileiro tornou-se praticamente sem dinheiro físico. A partir daqui, esperamos crescimento mais lento, pressão de preços mais intensa e uma lucratividade estruturalmente mais fraca em todo o ecossistema de pagamentos”, diz o relatório.

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Foco estratégico precisa mudar

Para o Morgan Stanley, o foco estratégico agora precisa mudar. As equipes de gestão deve passar mais tempo repensando modelos de negócios, alocação de capital e criação de valor no longo prazo.

Nesse contexto, a alocação de capital se torna a decisão estratégica central. Analistas argumentam que as estratégias agressivas de distribuição de capital da Stone e do PagSeguro não estão alinhadas com suas necessidades estratégicas de longo prazo. Embora os investidores possam se beneficiar de dividendos elevados e recompras no curto prazo, esses programas carregam um custo de oportunidade relevante.

O Morgan Stanley explica que o capital devolvido hoje não pode ser usado para construir um negócio mais diversificado e resiliente. Ao longo do tempo, o banco acredita que essa reinversão perdida reduz o valor presente líquido (VPL), mesmo que os retornos de curto prazo pareçam atraentes. As ações podem parecer mais sustentadas agora, mas a criação de valor no longo prazo pode estar sendo silenciosamente corroída.

Com a desaceleração do crescimento, erros de alocação de capital passam a ter impacto muito maior. Em um setor de pagamentos já saturado, Stone e PagSeguro precisam diversificar seus negócios, buscando novas frentes como banco e crédito para pequenas e médias empresas, softwares, serviços de valor agregado, expansão na América Latina e aquisições seletivas.

Nesse contexto, o Morgan Stanley vê com preocupação a aceleração de dividendos e recompras nos últimos 18 meses, interpretada como uma estratégia de curto prazo, orientada pelo mercado, que concorre diretamente com os investimentos necessários para sustentar o crescimento e o valor no longo prazo.