Os erros de um ‘caçador de pechinchas’ da bolsa

O gestor da Fama Investimentos, Fabio Alperovitch, participou do 6º Congresso Value Investing Brasil, e contou alguns erros que já cometeu

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SÃO PAULO – Os investidores que adotam a estratégia de valor para selecionar ações procuram comprar papéis por um preço significativamente menor do que o seu valor. Ou seja, muitas vezes, são ações subavaliadas, que o mercado não está precificando corretamente e que possuem uma boa perspectiva de crescimento.

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A estratégia, adotada pelo megainvestidor Warren Buffett, também atrai muitos profissionais que atuam com a gestão de recursos de terceiros. Como são ações que normalmente não estão no foco dos analistas, o trabalho para encontrá-las e selecioná-las costuma ser grande. É preciso entender a empresa, seu balanço, sua gestão, setor e concorrentes. No longo prazo, uma boa seleção pode render ótimos resultados. Mas como em qualquer área, mesmo profissionais experientes cometem erros.

O gestor da Fama Investimentos, Fabio Alperovitch, participou do 6º Congresso Value Investing Brasil, realizado em junho e contou dois erros que a equipe cometeu com a gestão de alguns ativos.

Um dos erros da asset aconteceu com a fabricante de brinquedos Estrela. Em 2002, quando grande parte do mercado estava muito pessimista com a eleição de Lula para a presidência, os gestores entenderam que haveria criação de emprego e aumento de Renda no país. Depois de fazer pesquisas e perceber que o setor de brinquedos estava alavancado em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), eles concluíram que haveria um crescimento muito grande neste setor.

No entanto, esqueceram de um ponto importante: com mais renda e emprego, haveria menos risco e o dólar cairia, o que fez com que aumentasse muito a presença de produtos importados, principalmente chineses, no Brasil.

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Outro erro foi não levar em consideração a sazonalidade que a empresa enfrenta. Enquanto alguns meses são muito bons (outubro, pelo Dia das Crianças e dezembro, por causa do Natal, por exemplo), outros são bem mais fracos. Como a companhia é muito alavancada, a ociosidade durante vários meses do ano prejudica os negócios. “Foi um erro atrás do outro”, diz.

Magnesita
Outro erro que o gestor diz ter cometido foi com as ações da Magnesita. Em 2008, a empresa adquiriu a companhia alemã LWB. “Com isso, a Magnesita passou a ter uma exposição internacional que não tinha antes e nós não estamos acostumados com isso. Nosso talento é local”, aponta o gestor.

Alperovitch ressalta que, com a aquisição da LWB, a gestora perdeu a capacidade de monitoramento da companhia e a decisão mais correta seria ter saído do papel imediatamente após a compra. No entanto, a gestora continuou investindo na empresa.

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“Ao longo desses 5 anos, visitamos diversos países tentando desenvolver relacionamento. Mas não é suficiente. A gente perdeu capacidade de monitoramento. O certo seria, no day after da aquisição, termos vendido nossa posição na empresa. Não pelo fato da compra ser boa ou ruim para a Magnesita, mas pelas nossas características. Mas nós não fizemos isso”, aponta o gestor.


Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip