Os erros de Elon Musk com o Twitter mostram que a Web3 é necessária

Comportamento do tecnocrata bilionário desmente seu compromisso declarado com a liberdade de expressão

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Empresas temem por novas políticas de moderação de conteúdo.  Foto: Reuters
Empresas temem por novas políticas de moderação de conteúdo. Foto: Reuters

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*Por Daniel Kuhn

Quando Elon Musk inicialmente assumiu as operações diárias no Twitter, ele disse que o mundo saberia que ele está fazendo a coisa certa se ambos os lados do corredor político estivessem irritados. Bem, as pessoas estão chateadas, mas não porque o tecnocrata bilionário está fazendo um bom trabalho – e há dados para mostrar isso.

Na noite de domingo (17), Musk divulgou uma enquete no Twitter perguntando se ele deveria permanecer no comando da rede social. No total, 57,5% dos entrevistados acham que Musk deveria renunciar. E se ele for um homem de palavra, ele o fará.

Se isso soa como uma maneira estranha de definir o curso da plataforma, é pelo menos consistente com o estilo de gerenciamento errático e aparentemente autodestrutivo de Musk desde a oferta excessiva pela rede de microblogging.

Só na semana passada, o Twitter suspendeu várias contas de jornalistas, bloqueou links externos para mídias sociais concorrentes e estabeleceu uma política que proíbe discussões de dados de voos disponíveis publicamente. Tudo isso, é claro, desmente o compromisso declarado de Musk com a liberdade de expressão.

As autocontradições são engraçadas no sentido tragicômico da obra Tragédia de Júlio César, de William Shakespeare, na qual Brutus se torna tirânico depois de tentar impedir que Roma caísse em uma ditadura nas mãos de Júlio César. Musk baniu um fã dele que rastreou seu jato particular depois de dizer especificamente que defende a liberdade total.

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Talvez para todos, exceto para os colegas de Musk, essa liderança desastrosa não tenha sido uma surpresa. O fundador da aceleradora Y-Combinator, Paul Graham, que apoiou a aquisição de Musk, chamou seu último acesso de raiva de “a gota d’água” e direcionou os leitores para seu perfil na rede social Mastodon. Sua conta no Twitter foi temporariamente suspensa.

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Ainda assim, a situação poderia ser pior. Especialmente para o setor cripto, a fonte de muitos dos problemas do Twitter, o exemplo errático de Musk apenas provou a importância de plataformas de código aberto e gerenciadas democraticamente. (No mínimo, Musk prometeu que todas as “grandes decisões políticas” serão submetidas a votação.)

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Como disse o cocriador do Ethereum (ETH), Vitalik Buterin, o Twitter sob Musk está no caminho do “autoritarismo”. Vale a pena notar que Musk dissolveu o conselho da empresa e demitiu muitos de seus executivos e funcionários. Mesmo que ele deixe o cargo de único proprietário e diretor, Musk pode nomear um CEO sucessor e microgerenciar a empresa como achar melhor.

“O problema é a forma como as políticas foram introduzidas, parecendo se adequar às visões de Elon sobre situações muito específicas”, escreveu Buterin. “A boa política deve ser decidida primeiro atrás do véu da ignorância, e aplicada depois”, completou.

O possível colapso do Twitter apenas ajuda a reafirmar a crença de que devem existir alternativas.

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É verdade que os efeitos de rede são importantes – ter vários amigos e inimigos em um site torna as coisas divertidas. Mas a ideia de que a plataforma deve ser capturada por interesses financeiros, e de que mesmo as empresas de capital aberto devem ser controladas por acionistas majoritários, é insana.

Ninguém sabe se as luzes se apagaram para o Twitter. A realidade, no entanto, é que os usuários e anunciantes estão saindo em massa. Musk inclusive afirmou que a empresa está indo à falência. As coisas também podem mudar milagrosamente, ou o site pode se arrastar por décadas, como conglomerados de rádio de propriedade privada carregados de dívidas.

E, com certeza, Musk não foi de todo ruim. É possível que ele tenha iniciado uma tendência em direção a empresas com modelos diferentes. Mas o dano está feito. O egoísmo está fora, as comunidades estão dentro. O centralismo é falho, os bens públicos são ótimos. O que será a Web3 depende de você, caro leitor.

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*Daniel Kuhn é repórter e editor-assistente de opinião da coluna “Layer 2” do CoinDesk.


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