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Os 8 eventos que prometem agitar o mercado nesta volta do feriado

Nos destaques, queda de 3% dos ADRs da Petrobras e Vale na quinta-feira, decisão do Copom, Relatório de Emprego nos EUA, negociações na Grécia e estreia das ações da Par Corretora

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SÃO PAULO – O último pregão da semana promete ser bastante agitado, depois da pausa na Bovespa na quinta-feira por conta do feriado de Corpus Christi. O mercado aproveitará para digerir, em um primeiro momento, o desempenho muito negativo dos ADRs (American Depositary Receipts) brasileiros negociados na Bolsa de Nova York, com destaque para queda de cerca de 3% de Petrobras e Vale. 

No noticiário econômico, o mercado refletirá a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) no Brasil de quarta-feira, enquanto aguarda pela divulgação do tão esperado Relatório de Emprego dos Estados Unidos. As atenções serão voltadas também para as negociações entre a Grécia e seus credores, evento que tem trazido bastante volatilidade para as Bolsas e o dólar, além da reunião ministerial da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). 

De volta ao campo corporativo, o grande destaque será a estreia das ações da Par Corretora – que marcou o primeiro IPO em oito meses na Bovespa. Os papéis serão negociados na Bolsa sob ticker PARC3.  

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Confira abaixo os 8 eventos que prometem balançar o mercado logo pela manhã:

1°) Queda de 3% dos ADRs da Petrobras 

Importante ficar atento ao comportamento dos ADRs da Petrobras (PETR3; PETR4) na quinta-feira, que caíram mais de 3%, e devem ditar o humor das ações na abertura do pregão desta sexta. As informações de que a Opep não deve segurar a produção influenciaram na queda do preço do petróleo. O Iraque, mesmo com combates se espalhando por todo o país, está se preparando para aumentar as exportações esse mês. Quem ganhou com a notícia foram os ADRs da Gol (GOLL4), que subiram 0,4% ontem.

No noticiário da estatal, destaque para a expectativa de reestruturação organizacional da empresa, prevista para ser divulgada no dia 23 de junho. Na ocasião, a companhia também discutirá as premissas de um novo plano de negócios da estatal, segundo a Agência Estado.

2°) Santander 

Com poucas altas entre os ADRs brasileiros na véspera, os recibos de ações do Santander (SANB11), que registravam alta, amenizaram, mas fecharam com ganhos de 2,3%. O banco anunciou no fim da noite de quarta-feira que ganhou uma causa de R$ 4,8 bilhões na Justiça que vai proporcionar um lucro extraordinário no segundo trimestre do ano.

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Com todo esse dinheiro afetando positivamente seu balanço, o banco aproveitou para anunciar um reforço de provisão de R$ 1,6 bilhão. Boa parte desta provisão adicional deve ser usada para prevenir contra calotes, em meio à crise gerada pela Operação Lava Jato e o crescente número de  recuperações judiciais.

3°) Queda do Brazil Titans

Com o noticiário bastante movimentado no dia de feriado, principalmente com o mercado de olho na Grécia, o índice Dow Jones Brazil Titans 20, que reúne os 20 ADRs mais líquidos negociados na Bolsa de Nova York, encerraram o pregão em queda de 1,6%.

Todo o mau humor deve afetar negativamente a abertura do Ibovespa nesta sexta-feira, assim como das ações correspondentes aos ADRs que caíram forte. Além da Petrobras e Santander, os recibos de ações dos bancos Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC3; BBDC4) também caíram mais de 1%, enquanto os ADRs da Vale (VALE3; VALE4) recuaram quase 3%. Um movimento que tende a impactar também os papéis da Bradespar (BRAP4), holding que detém participação na mineradora.

Como o recibo da ação precisa replicar o valor da ação da empresa de origem, logo, uma notícia que saía no feriado e que tenha impacto direto nessa companhia surtirá efeito nas cotações dos ADRs e, consequentemente, nas ações que serão negociadas na Bovespa na sexta-feira. 

4°) Copom

Como esperado, o Copom elevou a Selic em 0,5 ponto percentual, para 13,75% ao ano, voltando ao patamar de dezembro de 2008. Uma decisão que já estava precificada por boa parte do mercado. Agora, a grande expectativa fica pelos próximos passos do BC – e nesse ponto os economistas mostram muita divergência, com alguns esperando o fim do ciclo de altas, enquanto outros miram quase os 14,5%.

Para o Goldman Sachs, a decisão do Banco Central de subir os juros para 13,75% ao ano e manter o comunicado da reunião anterior do Copom foi “correta”. Já segundo o economista da Nomura Securities Internacional, João Pedro Ribeiro, ao manter o conteúdo do comunicado que se seguiu ao término da reunião do Copom, a autoridade monetária deixa a porta aberta para uma nova alta da mesma magnitude na reunião de julho, mas uma nova alta de 0,25 ponto percentual também não é descartada.

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Fim das altas ou Selic a 14,5%? Economistas dão suas opiniões após o Copom 

Os economistas do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn e Caio Megale, também reforçam que manutenção do comunicado pode ser visto como um sinal de que a alta de juros continua à frente. Além disso, em comunicações oficiais, os membros do Copom continuam reforçando o objetivo de trazer a inflação para a meta de 4,5% até o final de 2016. Já o economista da Gradual, André Perfeito, enxerga uma taxa de juros até 14,5% ao final de 2015.

5°) EUA: relatório de emprego e “pedido” do FMI

Na sexta-feira será revelado às 9h30 (horário de Brasília) o relatório de Emprego dos Estados Unidos de maio, que inclui o dado de geração de novas vagas, o chamado “payroll”. A expectativa é que sejam criadas 224 mil vagas em maio, segundo mediana da LCA Consultores, contra 223 mil anteriormente. Já a projeção para a taxa de desemprego é de 5,4%, estável contra o resultado anterior. Os dados servirão como sinalizadores do mercado, já que a retomada da economia americana será vista como uma abertura para que o Fed já comece a subir os juros dos Estados Unidos esse ano.  

Na quinta-feira, o FMI (Fundo Monetário Internacional) disse que o Fed deveria adiar a elevação dos juros até o primeiro semestre de 2016 para que haja sinais de melhoria de salários e inflação. O FMI prevê que o índice preferido do Fed para a inflação, um dado sobre os gastos do consumo pessoal (PCE), atingiria a meta do banco central de 2% somente em meados de 2017.

Já o diretor do Fed Daniel Tarullo disse que os reguladores do mercado financeiro estão prestando atenção às preocupações de liquidez que têm emergido em todo o mercado de títulos dos EUA. Tarullo, principal autoridade para regulamentação financeira no banco central norte-americano, disse que, embora a liquidez de títulos seja uma preocupação, o comportamento do mercado ainda não está mostrando oscilações significativas nos preços.

6°) Negociações entre Grécia e seus credores

O mercado seguirá atento às negociações entre a Grécia e seus credores. Na quinta-feira, a chanceler alemã, Angela Merkel, disse que as negociações sobre a dívida da Grécia estão longe de serem resolvidas. “As negociações continuam, possivelmente com elevada intensidade”, disse. “Mas elas ainda estão longe de um desfecho”. 

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Ainda ontem, a União Europeia e o FMI, credores da Grécia, pediram para Atenas se comprometer a vender ativos estatais, impor cortes de pensões e avançar com as reformas trabalhistas, afirmaram à Reuters duas fontes familiarizadas com o plano.

Autoridades da zona do euro disseram a representantes do governo grego, por meio de uma teleconferência na quinta, que a Grécia pode precisar de um terceiro prolongamento de seu programa de resgate financeiro para conseguir receber os recursos que ainda faltam.

7°) Estreia da Par Corretora

Na sexta-feira, estreiam as ações da Par Corretora na Bovespa. Na terça-feira, a companhia levantou R$ 602,8 milhões em sua oferta, saindo a R$ 12,33 por ação, acima da faixa indicativa fixada inicialmente pelos coordenadores da operação, de R$ 11,25 a R$ 11,60 cada. Foram vendidos 48,889 milhões de papéis. Esse é o primeiro IPO realizado no Brasil neste ano.

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A empresa é uma corretora de seguros controlada pela Caixa Econômica Federal. A grande diferença entre ela e a Caixa Seguradora é que a Par não é dona dos seguros, ela funciona como intermediária das operações, ganhando dinheiro com a corretagem. Assim, por mais que a maior parte de suas vendas se deem dentro da estrutura do banco estatal, ela pode negociar seguros de outras empresas.

8°) Reunião da Opep

Ocorre nesta sexta-feira reunião ministerial da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Apesar do cenário atual de excesso de oferta, a expectativa do consenso do mercado é de que o cartel não vai levar em consideração o potencial de elevação da oferta do Irã e Iraque e vai manter sua oferta de produção inalterada. Ontem, os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa pelo segundo dia, em mais de 2%. 

Segundo um ex-diretor de pesquisa da Opep, o barril de petróleo chegará a faixa entre US$ 40 e US$ 50 no quarto trimestre deste ano. A análise de Hasan Qabazard é baseada na crença de que a produção do Iraque e Irã irá aumentar, enquanto a produção de petróleo de xisto está se estabilizando e a demanda está desacelerando.

(Com Reuters)