Consensus 2022

Os 5 “problemas não resolvidos” do mercado de criptomoedas

O investidor de risco Haseeb Qureshi, da Dragonfly, falou sobre as dores de crescimento do setor cripto em um evento promovido pelo CoinDesk

Por  CoinDesk -

Haseeb Qureshi, da empresa de investimentos em criptomoedas Dragonfly Capital, acha que existem cinco áreas problemáticas na indústria cripto que você pode ganhar uma fortuna resolvendo. São elas: identidade, escalabilidade, privacidade, interoperabilidade e experiência do usuário (UX).

Um ex-jogador de pôquer que se tornou investidor de risco e filantropo, Qureshi olha para a blockchain como fonte de receita e bem social.

“A coisa mais importante sobre as criptomoedas é a permissionless innovation (livre experimentação de novas tecnologias)”, disse ele. “Essa é a ideia de que você não precisa ter uma licença ou um plano de negócios aprovado. Você pode simplesmente implantar um contrato on-chain (na cadeia) e ele começa a atrair usuários.”

E assim, diz Qureshi, mesmo que o mercado de criptomoedas tenha problemas, ele pode provar sua utilidade ao permitir que qualquer pessoa inove.

No Consensus 2022, em Austin, no Texas, o CoinDesk pediu a Qureshi para explicar as dores de crescimento do setor cripto e como ele pensa sobre seus problemas de longa data. Aqui está o que ele disse (a transcrição foi levemente editada para maior clareza e brevidade):

Privacidade

Quando você pensa em privacidade, tudo o que você faz com finanças descentralizadas (DeFi) é visível. Nós nos acostumamos com isso em cripto, mas esse não é o caminho do futuro. Haverá algum trade-off (escolha) que será semelhante ao tipo de privacidade que esperamos no mundo real, que ainda nos daria a auditabilidade com a qual nos importamos e que torna o DeFi tal qual ele é.

Interoperabilidade

Neste momento, você está extremamente ciente sobre qual blockchain está usando. Você sabe se está na Solana (SOL), na Avalanche (AVAX) ou na rede Ethereum (ETH). Em algum momento no futuro, e quase não tenho dúvidas sobre isso, você terá ativos digitais e interagirá com aplicativos – e esse será seu relacionamento com (a blockchain).

Na internet, você não interage com esse ou aquele serviço. Você não interage com a Cloudflare e certamente não dá a mínima para o TCP/IP. Sua lealdade é com a aplicação. Então, no futuro, se você quiser fazer yield aggregation (automatização dos processos de recompensas em plataformas DeFi), em vez de apenas olhar para o protocolo yearn.finance (YFI), você verá qual é o melhor rendimento em qualquer local no espaço cripto. Será como chamar outro servidor na internet.

Escalabilidade

As blockchains mais rápidas fazem menos de 1.000 TPS (transações por segundo) cada. Você pode argumentar sobre a margem, mas a conclusão é que nenhuma delas faz tanto rendimento hoje. E para realmente chegarmos à escala mundial, todas as blockchains precisam ser muito mais rápidas, muito mais escaláveis e ter uma taxa de transferência muito maior. Isso se aplica a rollups (soluções de escalabilidade) e afins.

Você quer chegar não apenas a dezenas de milhões de usuários, mas a centenas de milhões deles. Além disso, falamos muito sobre usuários, mas não muito sobre padrões de acesso. Se você deseja padrões de acesso que se pareçam com o que as pessoas fazem na Web 2.0, você precisa de muito mais escalabilidade.

Você poderia argumentar que o Bitcoin (BTC) é a criptomoeda mais usada porque tem o maior número de detentores. Não sei os números exatos, mas algo como 50% dos americanos possuem criptomoedas. Eu acho que mais da metade deles tem apenas BTC. E talvez haja uma transação em que essas pessoas, que provavelmente compraram Bitcoin em uma exchange, se estabelecem na cadeia no ano. Se for esse o caso, o padrão de acesso de alguém que usa Bitcoin é essa transação.

Mas quais são os padrões de acesso de alguém que usa a internet? Não sei quantas pesquisas no Google faço por dia. Portanto, um usuário da Web 3.0 resultará em muitas transações por dia.

Identidade

A questão aqui é ter uma identidade online em que se possa confiar. Digamos que eu queira lhe oferecer crédito – crédito é sobre sua identidade e sobre quem você é, mas é também sobre meu recurso. Só posso oferecer crédito se souber que tenho um caminho para recuperá-lo. Se eu não souber quem você é e você fugir, eu sou prejudicado. Não há recurso.

Isso é relacionado à falência. Essa é uma punição que sobrevive a você e ao nosso relacionamento se você deixar de pagar a dívida. A falência é uma das inovações mais importantes que fizemos no mercado de capitais. Mas ela é subestimada no mercado cripto. É a maneira como você protege seus ativos restantes se não puder pagar todos os seus credores e como os créditos podem puni-lo no futuro. Você não pode fazer crédito sem o conceito de falência. Mas para ter isso, você precisa de identidade. Uma identidade que persiste.

A identidade também é importante para coisas como marketing. As pessoas não pensam nisso com muita frequência, mas quando você se inscreve na Coinbase, a exchange pode dizer se você é instituição ou varejo. Se você é varejista, a corretora lança um monte de incentivos e cobra um braço e uma perna por cada transação. Se você é uma instituição, não precisa pagar nada para embarcar, mas a exchange cobra BIPs (Propostas de Melhorias de Bitcoin) porque você é sensível ao preço. As corretoras ganham todo o seu dinheiro com o varejo.

No DeFi, não posso dizer se você é varejista ou se é a Jump Crypto (braço de ativos digitais do fundo de hedge de mesmo nome). O protocolo trata todos da mesma forma. A margem de uma exchange centralizada entraria em colapso. Imagine quanto dinheiro poderia ser feito se as empresas de DeFi pudessem saber quem são seus clientes. Ninguém pode fazer isso hoje porque não há noção de identidade.

Estamos investindo em uma empresa chamada Quadrantid que permite que você divulgue seletivamente partes de seu histórico de Conheça Seu Cliente [KYC]. Assim, você pode divulgar seletivamente seu país ou outros parâmetros sobre você que talvez queira provar para um aplicativo ou empresa. Isso significa que você pode fazer KYC para receber um incentivo, mas pode não ser necessário.

UX

A carteira MetaMask, por exemplo, não é a maneira mais amigável de realizar transações. Já vimos algumas wallets começarem a fazer isso muito melhor, como a Phantom, da Solana, que tem uma ótima experiência. A Keplr também é uma opção bacana. Conseguimos aprender com os erros e acho que veremos cada vez mais inovação.

Até onde as criptomoedas vão chegar? Qual a melhor forma de comprá-las? Nós preparamos uma aula gratuita com o passo a passo. Clique aqui para assistir e receber a newsletter de criptoativos do InfoMoney

Compartilhe