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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta terça-feira

Bolsas mundiais têm alívio após fala de Trump sobre acordo com a China; Banco Central e nova operação envolvendo Queiroz são destaque

Donald Trump Presidente dos EUA
(Win McNamee/Getty Images)

O aceno de que o acordo entre China e Estados Unidos será mantido eleva o otimismo dos investidores nesta terça-feira.

Em sua conta no Twitter, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que “o acordo comercial com a China está totalmente intacto”. A declaração foi dada após os comentários de Peter Navarro, consultor comercial da Casa Branca, terem dado a entender o contrário, alimentando temores por parte dos investidores.

No Brasil, atenção para a ata da última reunião do Copom, reforçando a mensagem de um eventual ajuste da taxa de juros de forma residual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária. Os investidores devem ainda repercutir o alerta dado pela agência de classificação de risco Moody’s, que afirmou que a recuperação do Brasil pode ser afetada pelas incertezas em torno da capacidade do país em controlar a pandemia.

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No cenário corporativo, o BNDES deve retomar a tentativa de venda de suas participações em empresas e o Grupo Kallas se prepara para fazer sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

Ainda em destaque, no radar político, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e o Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM fazem buscas na casa de parentes de Fabricio Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro. O objetivo é prender Márcia Oliveira de Aguiar, mulher de Queiroz, que está foragida. A operação é feita em parceria com o Ministério Público do Rio de Janeiro.

1. Bolsas mundiais

As declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o acordo com a China foram bem recebidas pelos mercados. As Bolsas europeias avançam e os futuros de Nova York operam em terreno positivo.

Em sua conta no Twitter, Trump afirmou que “o acordo comercial com a China está totalmente intacto”. A declaração foi dada após os comentários de Peter Navarro, um consultor comercial da Casa Branca, terem dado a entender o contrário, alimentando temores por parte dos investidores.

O EuroStoxx sobe 1,66% e o DAX, de Frankfurt, tem valorização de 2,08%. Já os futuros do Dow Jones sobem 0,59% e os do S&P 500 avançam 0,51%.

“Isso indica que os mercados continuam muito sensíveis às tensões entre China e Estados Unidos”, disse, à Bloomberg, Patrick Bennett, chefe de estratégia do Canadian Imperial Bank off Commerce.

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A declaração de Trump também ajudou o mercado asiático e operar em terreno positivo.

Na Ásia, o Nikkei 225, de Tóquio, registrou alta de 0,50%. Já o índice Sanghai SE teve leve alta de 0,18% e o Hang Seng Index, de Hong Kong, avançou 1,62%.

E apesar do bom humor entre os investidores nesta terça-feira, segue no radar o avanço dos casos da Covid-19 pelo mundo e os efeitos da pandemia na atividade econômica. Há o receio que uma segunda onda de contágio atrase a retomada do crescimento global. O coronavírus já infectou 9,2 milhões de pessoas no mundo e o número de mortes já chega a quase 475 mil.

Veja o desempenho dos mercados, às 7h39 (horário de Brasília):

Nova York
*S&P 500 Futuro (EUA), +0,84%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,72%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,93%

Europa
*Dax (Alemanha), +2,60%
*FTSE 100 (Reino Unido), +1,14%
*CAC 40 (França), +1,59%
*FTSE MIB (Itália), +1,63%

Ásia
*Nikkei 225 (Japão), +0,50% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), +1,62% (fechado)
*Shanghai SE (China), +0,18% (fechado)
*Petróleo WTI, +1,67%, a US$ 41,41 o barril
*Petróleo Brent, +1,65%, a US$ 43,79 o barril

**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian tiveram queda de 2,5%, cotados a 757.000 iuanes, equivalente hoje a US$ 107,11 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 7,0673 (-0,02%)

2. Agenda do dia

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O Banco Central divulgou a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), trazendo mais sinalizações sobre o futuro da Selic, que no último encontro sofreu um corte e ficou em 2,25%. Os integrantes do Comitê de Política Monetária projetam que um eventual ajuste futuro na taxa de juros será residual, avaliando que estímulos adicionais poderiam adicionar assimetria para o balanço de riscos. Além disso, foi destacado na ata que os juros estariam próximo do nível em que um novo corte traria instabilidade de preço.

No documento, também foi destacado que a pandemia será desinflacionária com forte alta da ociosidade, enquanto a incerteza levará à redução significativa da demanda agregada. A avaliação é de que a contração econômica no segundo trimestre será ainda maior, mas a recuperação pode ser mais rápida com programas de estímulos. O choque de desinflação, por sua vez, gerou revisão para baixo nas expectativas, para as quais o BC apontou estar atento e reafirmando compromisso com a meta. A autoridade monetária vê forte baixa do PIB no primeiro semestre, com recuperação gradual a partir do terceiro trimestre.

A autoridade monetária está no centro das atenções da agenda econômica doméstica nesta terça-feira. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, anuncia novas medidas de combate à Covid-19, por meio virtual, às 14h.

Pela manhã, às 10h, ele participa do evento virtual “Destravando o Potencial de Investimentos Verdes para Agricultura no Brasil”, organizado pelo Climate Bonds Initiative e aberto à imprensa.

O Conselho Monetário Nacional (CMN), que se reúne nesta quinta- feira, poderá fixar a meta de inflação de 2023 num patamar abaixo de 3,5% ao ano, disseram três pessoas com conhecimento do assunto ouvidas pela Bloomberg.

Nos Estados Unidos, a divulgação do PMI do setor indústria será feita às 10h45 (horário de Brasília). Às 11h, saem os dados sobre vendas de casas novas referentes ao mês de maio.

3. Efeito da pandemia no PIB

A agência de classificação de risco Moody’s reduziu as perspectivas econômicas para o Brasil em 2020, alertando que a recuperação do Brasil pode ser afetada pelas incertezas em torno da capacidade do país em controlar a pandemia.

A Moody’s espera que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha uma retração de 6,2% neste ano, ante avaliação anterior de uma queda de 5,2%.

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Para 2021, a projeção foi revisada de um crescimento de 3,3% para expansão de 3,6%, mas mais em função do nível de recuo que o Brasil deve sofrer neste ano.

A nota do risco de crédito soberano do Brasil na Moody’s é de “Ba2”, abaixo do nível de grau de investimento. A perspectiva para a nota está “estável”.

O Brasil conta com 1,1 milhão de infectados por coronavírus e 51.271 mortes confirmadas pela doença, segundo dados do Ministério da Saúde.

4. Eleições

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, propôs que a campanha para as eleições municipais deste ano seja mais longa, com segundo turno realizado em dezembro.

Nesta terça-feira, os senadores devem votar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata do adiamento das eleições municipais por causa da pandemia do novo coronavírus.

O calendário oficial estabelece o primeiro e o segundo turnos, respectivamente, nos dias 4 e 25 de outubro. Há um acordo para o primeiro turno ocorrer mais tarde, em 15 de novembro. A dúvida seria o segundo: em 29 de novembro ou 6 de dezembro, segundo o jornal “Folha de S.Paulo”.

5. Panorama corporativo

Aproveitando o apetite de mercado, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) quer voltar a vender a fatia que possui em algumas empresas, como a Suzano, segundo reportagem do jornal “O Estado de São Paulo).

O movimento ocorre no momento em que o banco de fomento precisa se preparar para socorrer as áreas, o que poderá ser feito por meio de participações no capital dessas empresas, que tentam sobreviver em meio à crise causada pela pandemia do novo coronavírus.

Ainda sobre oferta de ações, o Grupo Kallas quer retomar o seu processo de abertura do capital (IPO, na sigla em inglês) e levantar R$ 2 bilhões, segundo o jornal “O Estado de S.Paulo”.

E a empresa de entretenimento Time for Fun (T4F) anunciou que irá propor a redução do número de cadeiras na próxima reunião do Conselho de Administração, que ocorre em 22 de julho.

A medida está dentro do conjunto das ações tomadas para a redução de custos e ocorre na esteira do pedido de renúncia dos conselheiros Luciano Nogueira Neto, Maurizio de Franciscis e Guilherme Affonso Ferreira.

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