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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta terça-feira

Bolsas da Europa e da Ásia sobem, enquanto futuros dos EUA têm movimento misto com Fed no radar; novo ministro da Saúde no Brasil e mais

(Gerd Altmann/Pixabay)

SÃO PAULO – A sessão é de leve alta para as bolsas europeias e para os índices asiáticos nesta terça-feira (16), enquanto os índices futuros dos EUA registram movimento misto, com os investidores atentos ao início da reunião do Federal Reserve, que terá decisão de política monetária na próxima quarta-feira (17). Na véspera, vale destacar, o Dow Jones e o S&P500 tiveram ganhos expressivos, com as expectativas positivas para a reabertura econômica em meio ao ritmo de vacinação nos EUA.

Por aqui, os investidores também esperam pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, que começa seu encontro nesta terça e que será concluído na quarta, com a expectativa de alta de juros. Atenção ainda à repercussão da escolha do médico Marcelo Queiroga para assumir o cargo de ministro da Saúde no pior momento da pandemia. Confira os destaques:

1.Bolsas mundiais

Nesta terça (16), os índices futuros Dow e S&P oscilam negativamente, enquanto o Nasdaq Futuro tem alta. Na segunda, Dow e S&P fecharam com altas recordes, impulsionadas por otimismo quanto à reabertura da economia. Foi o 14º recorde positivo da Dow em 2021, e a sétima alta seguida da bolsa.

Os mercados mantêm o foco sobre o Federal Reserve, o banco central americano, que inicia hoje sua reunião de dois dias. Na quarta (17), o presidente do Fed, Jerome Powell, deve realizar uma declaração sobre suas previsões para a economia e a tendência da política da instituição.

Há semanas, os rendimentos de títulos do Tesouro americano com vencimento em dez e 30 anos vêm aumentando, sinalizando a expectativa de recuperação da economia e alta da inflação.

Na segunda, os títulos com vencimento em dez anos estavam sendo negociados com juros de cerca de 1,6%. A alta pode ter impacto no mercado de ações, cujos ganhos podem ficar comparativamente menos atrativos do que os de títulos, considerados seguros por serem garantidos pelo governo, que tem o poder de criar impostos.

Na quinta, o Banco da Inglaterra também realizará um encontro, e o Banco do Japão iniciará seu encontro de dois dias para discutir a política da instituição.

As bolsas asiáticas fecharam em sua maioria em alta na terça, após um começo relativamente fraco na semana, também com a reunião do Fed no radar.

Na Europa, o índice Eurostoxx, que reúne ações de 600 empresas de todos os principais setores de 17 países europeus, sobe 0,39%.

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O noticiário a respeito da vacinação continua como foco central no continente. Na segunda, as três maiores economias da União Europeia, Alemanha, Itália e França, suspenderam a vacinação com o imunizante desenvolvido pela parceria entre AstraZeneca e Universidade de Oxford, após relatos de coágulos sanguíneos surgirem entre pessoas que haviam utilizado a vacina.

A EMA (Agência Europeia de Medicamentos) insiste que a vacina é segura, que não foi encontrada uma associação entre a imunização e o surgimento de coágulos.

Especialistas têm ressaltado que a proporção de pessoas que desenvolveram estes sintomas após tomar a vacina não é maior do que a proporção entre a população em geral, de acordo com os dados disponíveis até o momento.

Em uma declaração, a agência ressaltou que “muitas milhares de pessoas desenvolvem coágulos sanguíneos todo ano na União Europeia, por diversos motivos”, e que o número de incidentes entre aqueles vacinados “não parece ser mais alto do que o observado na população em geral”.

Assim, “os benefícios da vacina da AstraZeneca em evitar a Covid-19, com seu risco associado a hospitalização e morte, supera os riscos de efeitos adversos”.

O cientista-chefe da OMS (Organização Mundial de Saúde), Soumya Swaminathan afirmou na segunda: “nós não queremos que as pessoas entrem em pânico, e recomendaríamos, neste momento, que os países continuem se vacinando com a AstraZeneca”.

Na sexta, a Sociedade Internacional de Trombose e Hematose, que representa especialistas médicos ao redor do mundo, havia afirmado que “o pequeno número de eventos trombóticos, em relação às milhões de doses de vacinas contra a Covid não sugerem uma ligação direta”.

Nesta terça, membros da OMS e da EMA devem se reunir, separadamente, para discutir a questão. Na quinta, a EMA deve realizar uma reunião extraordinária para decidir sobre a tomada de novas ações.

Veja o desempenho dos principais indicadores às 7h20 (horário de Brasília):
*S&P 500 Futuro (EUA), -0,02%
*Nasdaq Futuro (EUA), +0,4%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,16%
Europa
*Dax (Alemanha), +0,54%
*FTSE 100 (Reino Unido), +0,47%
*CAC 40 (França), -0,01%
*FTSE MIB (Itália), +0,64%
Ásia
*Nikkei (Japão), +0,52% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), +0,67% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), +0,7% (fechado)
*Shanghai SE (China), +0,78% (fechado)
Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, -1,58%, a US$ 64,36 o barril
*Petróleo Brent, -1,66%, a US$ 67,74 o barril
*Bitcoin, -1,46%, a US$ 55.636,59
Sobre o minério: **Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian com alta de 3,88%, cotados a 1070 iuanes, equivalente hoje a US$ 164,61 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,50

2. Agenda

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Nesta terça o Eurogrupo, formado por ministros das Finanças de países da União Europeia, continuam a se reunir.

Às 8h a FGV divulga o indicador de inflação IGP-10, relativo a março. Às 10h30, serão divulgados os dados do Caged do mercado de trabalho, com a expectativa de criação de 179 mil postos de trabalho em janeiro.

Às 9h30 é divulgado o índice de preços de importação e o de vendas no varejo e o índice de preços de exportação, relativos a fevereiro nos Estados Unidos. Às 10h15 são divulgados dados sobre produção industrial, utilização da capacidade e produção manufatureira, relativos a fevereiro nos Estados Unidos. Às 11h são divulgados dados sobre estoques de empresas em janeiro. No mesmo horário, a Associação Nacional de Construtoras divulga o seu índice do mercado habitacional, relativo a março.

Nesta terça, tem início as reuniões de política monetária do Fomc e do Copom, a serem concluídas na próxima quarta. O Copom deve iniciar o processo de alta da Selic, a primeira em quase seis anos. A maior parte dos analistas espera elevação de 0,5pp, mas a curva de juros não descarta um aperto mais forte, diante da pressão inflacionária, avanço das commodities em meio a um dólar mais apreciado e incertezas fiscais com nova rodada de auxílio.

3. Recorde na média de mortes e novo ministro da Saúde

Pelo 17º dia seguido, o país bateu na segunda (15) seu recorde na média móvel de mortes por Covid em 7 dias, com a marca de 1.855, alta de 46% em comparação com a média de 14 dias antes. O patamar de 1.500 mortes na média de 7 dias foi ultrapassado pela primeira vez na semana passada.

As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h de segunda, o avanço da pandemia em 24 h no país. Apenas em um dia foram registradas 1.275 mortes.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 67.142, alta de 21% em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia houve 42.446 diagnósticos.

Até a segunda, 10.081.771 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a covid no Brasil, o equivalente a 4,76% da população. A segunda dose foi aplicada em 3.672.422 pessoas, ou 1,73% da população. Analistas vêm apontando a velocidade da imunização como um dos fatores a influenciarem a retomada da economia.

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou na segunda o quarto titular do Ministério da Saúde desde o início de seu mandato. Ele será o cardiologista Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, próximo da família Bolsonaro, em especial do senador Flávio Bolsonaro.

Bolsonaro afirmou que haverá uma transição de “uma ou duas semanas” entre o atual ministro, general Eduardo Pazuello, e seu sucessor. O presidente anunciou a mudança após o nome de Pazuello ser alvo de pressão de congressistas, insatisfeitos com a condução da pandemia.

O general foi ministro interino por três meses, antes de ser empossado e permanecer por outros seis meses. Ao contrário do que ocorreu com seus antecessores, sua gestão foi marcada por obediência a políticas polêmicas defendidas por Bolsonaro, como a da promoção de tratamentos não comprovados cientificamente.

Em outubro, Pazuello chegou a afirmar, ao lado do presidente: “Senhores, é simples assim: um manda e o outro obedece. Mas a gente tem um carinho, entendeu?”. Ele é suspeito de omissão diante do colapso da saúde em Manaus, em que o Ministério da Saúde promoveu medicamentos não comprovados enquanto autoridades estaduais faziam apelos pela necessidade de oxigênio.

Na segunda, o ministro anunciou que fechou acordo para a compra de vacinas desenvolvidas pela farmacêutica Janssen, da Johnson & Johnson’s, e pela parceria entre Pfizer e BioNTech. Devem ser compradas 100 milhões de doses da Pfizer, e 38 milhões da Janssen.

Em um balanço de sua gestão na segunda, o general Pazuello afirmou que há 562,9 milhões de doses de vacinas contratadas para entrega em 2021. A Fiocruz anunciou que entregará ainda nesta semana as primeiras 1,8 milhão de doses da vacina produzida pela instituição.

Antes de se reunir com Queiroga, Bolsonaro chegou a conversar com a cardiologista Ludhmila Hajjar, que recusou o convite para comandar a Saúde, alegando não haver “convergência técnica” com o atual governo. Ela relatou ter sido alvo de ataques de bolsonaristas nas redes, e que houve uma tentativa de invadir o hotel em que estava hospedada em Brasília. Hajjar é contrária ao uso de medicamentos com eficácia não comprovada, e é defensora do isolamento social.

Em maio, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, presidida por Queiroga, recomendou que medicamentos com eficácia não comprovada não fossem utilizados contra o novo coronavírus. Mas a entidade recuou e divulgou uma outra nota, em parceria com o Ministério da Saúde, abrindo a possibilidade de que pacientes recebessem esse tipo de tratamento após assinar um termo de consentimento.

Pelas redes, Bolsonaro afirmou sobre Queiroga: “já o conhecia há alguns anos, então não é uma pessoa que tomei conhecimento há poucos dias e tem tudo para fazer um bom trabalho dando prosseguimento em tudo que Pazuello fez até hoje”.

Anteriormente, Queiroga defendeu o fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde), o isolamento social e a vacinação. No domingo (14), afirmou ao jornal Folha de S. Paulo que a cloroquina não faria parte de sua estratégia de enfrentamento à pandemia, caso fosse ministro. Em entrevista na segunda à CNN Brasil, afirmou que lockdowns não podem ser política de governo.

Na segunda, a Comissão Arns e a organização não governamental Conectas denunciaram o governo Bolsonaro por “devastadora tragédia humanitária”, durante intervenção no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra. Segundo as instituições, a situação no Brasil é grave pelos recordes de mortes e a vacinação lenta.
As organizações afirmam que o presidente desacredita medidas como uso de máscara, distanciamento social, vacinação e promove drogas ineficazes.

4. PEC Emergencial, programa contra demissões e reforma tributária

Na segunda, o Congresso Nacional promulgou a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) Emergencial, que impõe medidas de ajuste em caso de desequilíbrio fiscal. Ela prevê que o governo gaste até R$ 44 bilhões com o novo auxílio emergencial, não contabilizados nas regras fiscais. O benefício deve começar a ser pago a partir de abril, após a promulgação pelo presidente de uma Medida Provisória.

Além disso, segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, a nova rodada do programa que permite a empresas cortarem jornada e salário e suspender contratos de trabalho deve ter custo total de entre R$ 5,8 bilhões e R$ 6,5 bilhões para o governo. A estimativa considera entre 2,7 milhões e 3 milhões de acordos firmados entre patrões e empregados.
De acordo com o jornal, as informações constam em nota técnica produzida pela Subsecretaria de Políticas Públicas de Trabalho do Ministério da Economia, em 9 de março de 2021. O plano do governo é reformular o seguro-desemprego, de forma a poupar recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e direcioná-los ao benefício emergencial, que permite os acordos para proteger empregos.

Os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), devem se reunir esta semana para discutir a tramitação da reforma tributária no Congresso Nacional.

Segundo Lira, continua valendo a previsão feita anteriormente de um prazo entre seis e oito meses para a aprovação da reforma. Isso, de acordo com o deputado, é perfeitamente factível para um Congresso reformista como o atual.

Em webinar dos jornais Valor Econômico e O Globo, com a presença dos dois parlamentares, Pacheco disse que a reforma tributária é a arte de ceder, de quem vai poder ceder para se chegara um sistema tributário mais lógico.

O presidente do Senado advertiu ainda que a reforma tributária não é uma tarefa apenas do Poder Legislativo, mas também dos Poderes Executivo e Judiciário. Para Pacheco, não adianta ter uma legislação e depois ocorrer judicialização ou a Receita Federal querer interpretar a legislação.

No evento, Lira e Pacheco descartaram a possibilidade de instalar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a atuação do governo federal no combate à pandemia.

“Haverá julgamentos políticos, judiciais e morais no futuro (…). A CPI, se precisar, será instalada para apreciar fatos pretéritos. Mas a solução da vacina não virá por aí”, disse Pacheco. Lira afirmou: “Os extremos não ajudam. Devemos ter postura equilibrada. Não defendo CPIs na Câmara. Devemos discutir medidas para interferir positivamente no combate ao coronavírus”.

5. Radar corporativo

O Comitê de Pessoas da Petrobras se reúne nesta terça-feira e, entre os itens constantes na agenda, está a análise da indicação de Joaquim Silva e Luna para a presidência da estatal. Em comunicado, a estatal afirma que o Comitê pode ou não se manifestar sobre a indicação.

Já a Eletrobras adiou novamente a divulgação de seus resultados para o quarto trimestre de 2020, agora para a próxima sexta-feira (19) após o fechamento do mercado. O balanço estava previsto para esta segunda-feira. Além disso, a estatal informou que a diretora financeira e de Relações com Investidores da companhia, Elvira Cavalcanti Presta, ocupará a presidência da estatal de forma interina a partir desta terça-feira, quando ocorre a saída do atual CEO, Wilson Ferreira Junior.

A Sanepar anunciou nesta segunda-feira a prorrogação da tarifa social para clientes cadastrados no benefício por 90 dias a partir de 20 de março. Segundo a empresa, a medida tem como objetivo minimizar os impactos à população ocasionados pela pandemia da pandemia da Covid-19, mas que não se trata de isenção ou abatimento de contas.

Segundo o Valor, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), uma das maiores fabricantes de aço do país, decidiu fazer novos reajustes na sua tabela a partir de 1º de abril. Os reajustes ficarão de 10%, para alguns tipos de aço, até 15% para aço longo (vergalhão). Folhas metálicas, usadas em embalagens, vão ter 11,25%.

A Gol destacou que a assembleia sobre a incorporação da Smiles, marcada para a véspera, que não foi instalada por falta de quórum, terá segunda convocação, para ocorrer no dia 24 de março.

No radar de resultados, a Mahle Metal Leve teve lucro líquido de R$ 100,8 milhões no quarto trimestre do ano passado, 52,3% maior frente igual período de 2019. Já a Mitre teve lucro líquido de R$ 22,56 milhões no quarto trimestre de 2020, alta de 329,3% ante igual período de 2019. A Guararapes teve lucro líquido de R$ 368 milhões no 4º trimestre, queda de 16,5%. A Direcional, por sua vez, reportou lucro líquido de R$ 43,608 milhões no quarto trimestre de 2020, alta de 54,6% na base anual.

(Com Reuters, Bloomberg e Estadão Conteúdo)

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