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Política

Marcelo Queiroga aceita convite de Bolsonaro para assumir o Ministério da Saúde

Presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia será o quarto a comandar a pasta desde o início da pandemia e chega no pior momento da crise sanitária

SÃO PAULO – O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) convidou o médico Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), para comandar o Ministério da Saúde no lugar do general Eduardo Pazuello, à frente da pasta por dez meses. O cardiologista aceitou o convite e deve ter seu nome publicado no Diário Oficial da União amanhã (16).

“Foi decidido agora à tarde a indicação do médico, doutor Marcelo Queiroga, para o Ministério da Saúde”, disse Bolsonaro a apoiadores em frente à residência oficial do Palácio da Alvorada.

O presidente esteve reunido com o cardiologista na tarde desta segunda-feira (15). “A conversa foi excelente, já conhecia há alguns anos, então não é uma pessoa que tomei conhecimento há poucos dias. Tem tudo no meu entender para fazer um bom trabalho, dando prosseguimento em tudo que o Pazuello fez até hoje”, afirmou o mandatário.

Segundo Bolsonaro, além da campanha de vacinação, o governo vai “partir para uma parte mais agressiva” no combate à pandemia do novo coronavírus, para reduzir o número de mortes diárias provocadas pela doença no país. A ideia é que o período de transição dure “uma ou duas semanas”, segundo o mandatário.

Marcelo Queiroga será o quarto comandante do Ministério da Saúde desde o início da pandemia do novo coronavírus, em março de 2020. Antes dele o general Eduardo Pazuello, o ex-deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM) e o oncologista Nelson Teich estiveram à frente da pasta. Ao longo do período, o Brasil acumulou mais de 278 mil mortes por Covid-19.

Natural de João Pessoa (PB), o novo escolhido é formado em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba, fez residência em cardiologia no Hospital Adventista Silvestre, no Rio de Janeiro, e tem especialização cardiologia, com área de atuação em hemodinâmica e cardiologia intervencionista.

O encontro entre Queiroga e Bolsonaro ocorreu após a médica Ludhmila Hajjar – nome apoiado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF,) – recusar o posto, em meio a divergências com o presidente.

A possibilidade de a médica assumir a pasta não havia sido bem aceita pela base bolsonarista nas redes sociais e as próprias divergências com o presidente quanto a medidas restritivas de circulação de pessoas e o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19 inviabilizaram o movimento. Mais cedo, ela confirmou ter recusado a proposta por falta de “convergência técnica”.

Discussões sobre a troca no Ministério da Saúde ocorriam há meses, mas ganharam força nos últimos dias com a pressão de governadores, diante do colapso do sistema de saúde em diversos estados e da lenta campanha de vacinação; de parlamentares, com a crescente ameaça de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a conduta de autoridades durante a crise; e de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que já autorizaram abertura de inquérito contra o militar.

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A situação também vem de um longo incômodo de membros das Forças Armadas com a presença de Pazuello (um militar ainda na ativa) na pasta e do próprio ingresso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no tabuleiro eleitoral – o que aumenta a sombra sobre os planos de reeleição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Parlamentares do chamado “centrão” também ampliaram a pressão sobre Bolsonaro pela saída do general, em uma tentativa de recuperar o poder de influência sobre a pasta, em um momento de maior proximidade com o Palácio do Planalto. Na noite do último sábado (13), Bolsonaro e ministros militares encontraram Pazuello para discutir a situação, já avaliada como cada vez mais difícil de se sustentar.

Poucas horas antes da confirmação de sua substituição, Pazuello garantiu que não havia pedido para deixar a pasta e prometeu “uma transição correta, como manda o figurino”, no momento em que houvesse uma decisão de Bolsonaro sobre a reorganização da pasta.

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