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Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quinta-feira

Bolsas mundiais operam sem direção definida, Bolsonaro sanciona lei que destrava Orçamento, cúpula do clima e mais destaques

stocks ações índices bolsa gráfico

SÃO PAULO – Na última quarta-feira (21), dia de Bolsa fechada no Brasil, o índice de ADRs Brazil Titans 20 teve leve alta de 0,44%, acompanhando o movimento positivo em Wall Street, o que deve se refletir no mercado brasileiro nesta quinta-feira (22). A sessão é sem tendência definida nos mercados globais, com os investidores atentos à temporada de resultados.

Por aqui, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou na quarta lei aprovada na segunda pelo Congresso que permite a abertura de crédito extraordinário para bancar programas de socorro a empresas privadas, e que retira da meta fiscal gastos emergenciais com saúde.

Atenção ainda para o primeiro dia da Cúpula do Clima, evento que contará com a participação de Bolsonaro. Há uma crescente preocupação de executivos brasileiros com a repercussão estrangeira da política ambiental da atual gestão. Confira mais destaques:

1.Bolsas mundiais

Os índices futuros dos EUA têm leves quedas nesta quinta-feira (22), e as bolsas asiáticas e europeias têm resultados positivos. Investidores continuam a acompanhar a divulgação de resultados de empresas. O desempenho positivo na Ásia ocorre apesar da aceleração das novas contaminações por Covid na Índia.

Na quarta-feira, as bolsas americanas tiveram altas, rompendo com dois dias consecutivos de perdas. Dow e S&P tiveram altas de 0,93%, o que os coloca apenas 1% atrás de voltarem a atingir os patamares recordes registrados na sexta-feira passada. O índice Nasdaq liderou os ganhos, com alta de 1,19%.

As bolsas foram impulsionadas por empresas atreladas à reabertura da economia, o que marca o otimismo do mercado quanto à perspectiva de recuperação nos Estados Unidos.

O país tem um forte ritmo de vacinação, e a gestão do presidente democrata Joe Biden vem promovendo um ambicioso plano de gastos, com a aprovação de um pacote de estímulos de US$ 1,9 trilhão e o plano de implementar um pacote de investimentos em infraestrutura de US$ 2,25 trilhões.

Já nesta quinta, os índices americanos têm leves quedas. Investidores aguardam a divulgação de resultados de empresas importantes, como American Airlines, AT&T, Biogen e Union Pacific antes da abertura dos mercados. Depois do fechamento, devem reportar Intel, Mattel, Boston Beer e Seagate Technology, entre outras.

Investidores também acompanham a divulgação de dados sobre pedidos de seguro desemprego. Economistas ouvidos pela Dow Jones esperam 603 mil pedidos. O rendimento dos títulos do Tesouro americano com vencimento em dez anos se mantém em um patamar relativamente baixo, de 1,552%.

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As bolsas asiáticas fecharam a quinta-feira com desempenho forte. O índice Nikkei subiu 2,38%, recuperando-se parcialmente de dois dias consecutivos de perdas. O índice Topix subiu 1,82%. O índice Kospi, subiu 0,18%.

O componente Shenzhen subiu 0,412%, o índice Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,5%.

Por outro lado, o Shanghai composto caiu 0,23%. Os mercados acionários da China se enfraqueceram nesta quinta-feira, uma vez que as tensões com os Estados Unidos prejudicaram o sentimento. Um comitê do Senado dos EUA  deu seu apoio a um projeto de lei que pressiona Pequim em questões de direitos humanos e competição econômica, e outros parlamentares introduziram uma medida que busca bilhões para pesquisa em tecnologia.

O movimento majoritariamente positivo ocorre apesar de a Índia ter registrado na quinta 310 mil novas infecções por Covid, o seu pior número até o momento. Mesmo assim, o índice Nifty 50 subiu 0,32% e o BSE Sensex subiu 0,24%.

As bolsas europeias seguem o ritmo positivo da sessão do dia anterior e das negociações de overnight na Ásia, e têm tendência de alta nesta quinta-feira. O índice Eurostoxx, que reúne ações de 600 empresas de todos os principais setores de 17 países europeus, sobe 0,56%. As ações do setor de tecnologia têm os melhores resultados, subindo mais de 1,6%. O setor de serviços financeiros perde 0,4%.

Os índices são influenciados pela divulgação de resultados. O Credit Suisse informou um prejuízo líquido de US$ 275 milhões, após ser impactada pelo escândalo do fundo de hedge Archegos Capital Management liquidar posições em empresas de mídia e internet no final de março.

O movimento ocorreu após a oferta de US$ 3 bilhões em ações da ViacomCBS por meio dos bancos Morgan Stanley e JPMorgan naufragar, levando a forte desvalorização dos papéis. Isso desencadeou uma série de eventos que levou corretores a serviço do Archegos a se retirarem em massa de suas posições, em uma liquidação de ações no valor de mais de US$ 20 bilhões.

Isso afetou não só os papéis da ViacomCBS, mas também de outras empresas de mídia, como Discovery, e também ADRs chinesas de internet negociadas nos Estados Unidos, como Baidu, Tencent e Vipshop. Instituições financeiras a serviço da Archegos também foram afetadas.

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Logo após as vendas do fundo de hedge, o suíço Credit Suisse e a empresa japonesa de serviços financeiros Nomura informaram que tiveram perdas “significativas” nos resultados do quarto trimestre devido a transações de um cliente. Após as divulgações de resultados, as ações caíram 5,6%.

A Renault divulgou uma queda de 1,1% na receita do primeiro trimestre, impactada pela falta de semicondutores. A Nestle indicou seu melhor resultado trimestral em uma década, com as vendas orgânicas subindo 7,7%. As ações do grupo suíço tiveram alta de 3,6%.

Nesta quinta, também é aguardada a divulgação de política monetária do Banco Central Europeu.

Veja o desempenho dos principais indicadores às 7h40 (horário de Brasília):
*S&P 500 Futuro (EUA), -0,03%
*Nasdaq Futuro (EUA), -0,13%
*Dow Jones Futuro (EUA), -0,02%
Europa
*Dax (Alemanha), +0,51%
*FTSE 100 (Reino Unido), +0,11%
*CAC 40 (França), +0,7%
*FTSE MIB (Itália), +0,58%
Ásia
*Nikkei (Japão), +2,38% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong), +0,47% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), +0,18% (fechado)
*Shanghai SE (China), -0,23% (fechado)
Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, -0,42%, a US$ 61,9 o barril
*Petróleo Brent, -0,46%, a US$ 65,02 o barril
*Bitcoin, -2,51%, a US$ 54.237,71
**Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian com queda de 0,46%, cotados a 1091,5 iuanes, equivalente hoje a US$ 168,15 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,49

2. Desempenho dos ADRs e agenda do dia

Na última quarta-feira (21), dia em que a B3 esteve fechada por conta do feriado de Tiradentes, o principal índice de ADRs (na prática, as ações de empresas de fora dos EUA negociadas em Nova York) do Brasil, o Dow Jones Brazil Titans 20 ADR, fechou com ganhos, ainda que modestos, acompanhando o movimento de Wall Street. O índice subiu 0,44%, a 18.649,93 pontos. Enquanto isso, o ETF EWZ iShares MSCI Brazil Capped, que replica o Ibovespa em dólar, fechou com alta de 0,23%, a 35,10 pontos.

Confira o desempenho dos principais ADRs de empresas brasileiras na NYSE na quarta-feira, dia de Bolsa fechada no Brasil: 

EmpresaADRPreço (em US$)Variação
PetrobrasPBR8,330%
PetrobrasPBR.A8,48-0,70%
ValeVALE19,42+1,36%
Itaú UnibancoITUB4,86-0,82%
BradescoBBD4,12-0,24%
EmbraerERJ11,02+2,04%
CemigCIG2,37-0,84%
AmbevABEV2,90+2,11%
CSNSID8,55+2,15%
SantanderBSBR6,89-0,29%
BRFBRFS4,33+0,23%
UltraparUGP3,83-0,78%
SabespSBS7,62-0,13%
Pão de AçúcarCBD6,92-1,56%
EletrobrasEBR.B6,32-1,25%
Telefônica BrasilVIV7,81-1,01%
TIMTIMB10,70-0,37%
GolGOL8,16+2,77%
AzulAZUL20,69+2,07%
GerdauGGB5,93+2,60%

Na agenda desta quinta, às 8h45, o Banco Central Europeu divulga sua declaração de política monetária e a sua decisão sobre a taxa de juros. Às 9h30 a instituição realiza uma coletiva de imprensa.

Às 9h30 o Fed de Chicago divulga o índice de atividade nacional, relativo a março nos Estados Unidos. Também às 9h30 são divulgados pedidos iniciais e pedidos contínuos de seguro-desemprego nos Estados Unidos. Às 11h são divulgados dados sobre vendas de casas usadas em março nos Estados Unidos.

3. Covid no Brasil

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Na quarta (21), a média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 2.787, queda de 1% em comparação com o patamar de 14 dias antes. Em apenas 24 h foram registradas 3.157 mortes pela doença.

As informações são do consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil, que divulgou, às 20h, o avanço da pandemia em 24 h.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 63.507, estável em relação ao patamar de 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 71.231 casos.

27.523.231 pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a Covid no Brasil, o equivalente a 13% da população. A segunda dose foi aplicada em 10.947.310 pessoas, ou 5,17% da população. Analistas vêm apontando a velocidade da imunização como um dos fatores a influenciarem a retomada da economia.

Um levantamento realizado pelo jornal Folha de S. Paulo indica que 14 capitais e o Distrito Federal têm mais de 90% dos leitos públicos de UTI com pacientes de Covid. Na semana passada, eram 17.

O jornal O Estado de S. Paulo reporta que houve em 2020 275.587 óbitos a mais do que o previsto. Destes, 220.469 foram vítimas da Covid. Mas outros 55.117 morreram por outras doenças. Os dados são do estudo “Excesso de Óbitos no Brasil”, da organização em saúde Vital Strategies, apresentado no painel do Conselho Nacional de Secretários de Saúde.

De acordo com a reportagem, o isolamento social pode ter dificultado o atendimento de pacientes crônicos e a realização de exames e diagnósticos precoces de doenças graves. Assim, o cancelamento ou adiamento de procedimentos médicos pode ter contribuído para essas mortes acima do previsto.

Por falta de doses de imunizantes, o ministro da Saúde, cardiologista Marcelo Queiroga, revisou o calendário de vacinação contra a Covid, e adiou o fim de imunização do grupo prioritário de maio para setembro.

4. Orçamento e Cúpula do Clima

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou na quarta lei aprovada na segunda pelo Congresso que permite a abertura de crédito extraordinário para bancar programas de socorro a empresas privadas, e que retira da meta fiscal gastos emergenciais com saúde.

Esses gastos ficam de fora do cálculo do teto de gastos, uma mudança contábil que contribui para reduzir as chances de que o governo seja acusado de crime de responsabilidade fiscal.

Isso abre espaço para que o Orçamento acomode gastos com emendas parlamentares, e para que o presidente o sancione. O prazo para a sanção expira nesta quinta-feira.

Aprovado pelo Congresso Nacional, o Orçamento de 2021 expôs um impasse entre o Congresso, a ala política e a equipe econômica do governo. Isso porque ele foi aprovado com uma reestimativa de R$ 26,5 bilhões para baixo das despesas obrigatórias do governo e uma elevação dos recursos direcionados a emendas parlamentares e a áreas como defesa e segurança pública.

Segundo o Tesouro, da forma como está o Orçamento cria o risco de “paralisação das atividades essenciais do Estado”, o que faz com que seja chamado de fictício, obrigando o governo a articular mudanças.

Segundo reportagem do jornal Valor Econômico, a ministra Flávia Arruda, à frente da Secretaria de Governo há cerca de duas semanas, operou para evitar que o presidente Bolsonaro cedesse às pressões do ministro da Economia Paulo Guedes, e vetasse trecho do Orçamento que tratava do aumento de emendas parlamentares. Isso pioraria sua relação com o Poder Legislativo.

Arruda fora presidente da Comissão Mista de Orçamento, e fez contraponto a Guedes demonstrando que ele havia acompanhado as negociações e concordado com os compromissos estabelecidos.

Além disso, o presidente Jair Bolsonaro participa nesta quinta da Cúpula de Líderes sobre o Clima, comandada pelo presidente americano Joe Biden. O encontro é um esforço da diplomacia do governo Biden de se colocar como protagonista no debate climático.

De acordo com o jornal Valor, o presidente deve anunciar o compromisso de seu governo de antecipar a meta de redução do desmatamento ilegal no Brasil, e prometer aumento de recursos para órgãos de fiscalização ambiental.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sinalizou na quarta em reunião virtual com empresários que o governo pode antecipar para 2022 a meta de redução do desmatamento ilegal. Em carta enviada na semana passada, o governo Bolsonaro havia afirmado que se comprometia a zerar o desmatamento até 2030.

Há uma crescente preocupação de executivos brasileiros com a repercussão estrangeira da política ambiental da gestão de Jair Bolsonaro, o que pode afastar investidores e compradores do país.

Segundo reportagem de capa do jornal O Estado de S. Paulo, na Cúpula dos Líderes o Brasil deve pedir US$ 1 bilhão para o combate ao desmatamento. Mas tem, há dois anos, R$ 2,9 bilhões parados no Fundo Amazônia, doados por Noruega e Alemanha. Desde o início do mandato de Bolsonaro, nenhum novo programa de proteção da floresta foi financiado pelo fundo. Salles afirma que o fundo está paralisado a pedido da Noruega.

O Centro de Tecnologia Canavieira informou na quarta-feira que pediu a interrupção formal do pedido de registro para oferta inicial de ações ordinárias, devido à piora do mercado.

“A companhia informa que a realização do IPO segue nos seus planos e informará ao mercado sobre quaisquer desenvolvimentos relacionados ao tema”, afirmou a CTC em nota. A companhia do agronegócio havia pedido registro para IPO em outubro passado, afirmando que buscaria recursos para investir em projetos de sementes sintéticas, em seleção genômica e em novos negócios, incluindo bioinformática.

5. Radar corporativo

A Oi, atualmente em recuperação judicial, propôs aos acionistas duas reorganizações em sua estrutura societária necessárias para levar adiante o plano de recuperação. A empresa quer autorização para incorporar a Telemar, que atualmente detém licenças para telefonia fixa e serviços multimídia junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), e para cindir e incorporar uma parte da Brasil Telecom Comunicação Multimídia (BTCM).

Segundo a Oi, os movimentos são necessários para tocar o plano de recuperação judicial da tele. Após um aditamento feito no ano passado, o plano prevê a divisão da Oi com a venda de parte de seus ativos, e que a empresa ficará como sócia na InfraCo, unidade de fibra ótica. Parte das demais verticais, como a Oi Móvel, já foi vendida.

Já a Petrobras comunicou na terça-feira (20) à noite os termos da transação feita com a União em relação às compensações que serão pagas à estatal referentes aos contratos de partilha do pré-sal nos campos de Atapu e Sépia. Essa compensação refere-se aos investimentos feitos pela estatal para a exploração nos dois campos.

A Helbor registrou vendas líquidas R$ 321,7 milhões no primeiro trimestre do ano, segundo prévia operacional divulgada na terça-feira (20) à noite. Esse valor representa uma queda de 8,4% na comparação com igual período de 2020.

Já a J&F Investimentos anunciou que Aguinaldo Gomes Ramos Filho é o novo diretor-presidente da holding que controla o frigorífico JBS e a Eldorado Brasil Celulose, entre outros negócios. O executivo substitui José Antônio Batista Costa, que estava no cargo desde fevereiro de 2017.

Ainda em destaque, a Hapvida precificou na terça-feira oferta de ações com esforços restritos a R$ 15 por papel, de acordo com fato relevante da companhia à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em operação que movimentou R$ 2,7 bilhões. O preço representa um desconto de 1,8% em relação ao fechamento da ação na véspera, de R$ 15,28.

Já a Alupar, que atua nos segmentos de transmissão e geração de energia elétrica, precificou oferta secundária de units com esforços restritos a R$ 25,50 cada. O fundo de investimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) vendeu sua participação de 12% na companhia e levantou R$ 896,7 milhões na operação.

As Lojas Americanas  anunciaram a compra de 70% das ações do Grupo Uni.co, dono das marcas Puket, Imaginarium, MinD e Lovebrands. A aquisição foi feita por meio da subsidiária IF Capital e prevê a compra da fatia restante da companhia 30% em um prazo de três anos. O valor da operação não foi revelado.

Com a aquisição, o objetivo das Lojas Americanas é aumentar a presença em segmentos de maior frequência de compras, como moda, acessórios, presentes e design.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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