Fique de olho

Os 5 assuntos que vão movimentar o mercado nesta quarta-feira

Democratas perto de conquistar o controle do Senado movimentam índices futuros dos EUA; Europa sobe após acordo da Opep+ e mais destaques

Bandeira dos EUA
(Shutterstock)

SÃO PAULO – A sessão desta quarta-feira (6) não tem uma tendência definida para os principais mercados mundiais, com Europa em alta após a decisão da Opep+ de restringir a produção de petróleo após a Arábia Saudita se comprometer com o corte de produção de 1 milhão de barris da commodity por dia em fevereiro e março.

Já entre os índices futuros dos EUA, o Nasdaq opera em baixa, enquanto S&P500 e Dow Jones têm estabilidade, com os investidores repercutindo as apurações para a eleição do Senado no estado da Georgia. Das duas vagas ao Senado em disputa no segundo turno na Geórgia, o democrata Raphael Warnock foi declarado vencedor em uma delas e o seu colega de partido, Jon Ossoff, está muito perto de ser declarado vencedor da outra, elevando a chance de um Congresso liderado pelo partido do presidente eleito Joe Biden. Hoje, por sinal, o Congresso dos EUA se reúne para certificar vitória de Biden no Colégio Eleitoral, com promessa de protestos por parte de Donald Trump e apoiadores. Por lá, atenção ainda aos dados de emprego privado. Confira no que ficar de olho:

1.Bolsas mundiais

Os índices futuros americanos têm quedas nesta quarta-feira (6), com a possibilidade de democratas garantirem o controle tanto do Congresso quanto da Presidência. As bolsas europeias têm, em sua maioria, altas.

Nesta quarta, investidores acompanham as eleições no estado americano da Geórgia, que devem determinar se o controle do Senado dos Estados Unidos continua com os republicanos ou passa para os democratas, que já têm a Câmara e a Presidência.

Os republicanos David Perdue e Kelly Loeffer enfrentam os candidatos democratas aos cargos, Jon Ossoff e Raphael Warnock, respectivamente.

Por mais de três décadas, o estado foi um bastião republicano. Nas últimas eleições presidenciais, no entanto, votou a favor do democrata Joe Biden e de sua vice Kamala Harris, com atuação marcante de militantes negros.

Se ambos os candidatos democratas vencerem, haverá 50 democratas e 50 republicanos no Senado. O voto da vice-presidente eleita Kamala Harris valeria para quebrar o empate na disputa pelo Senado, que ficaria então com os democratas.

Como nos Estados Unidos não há um órgão eleitoral centralizado, o resultado das eleições é, tradicionalmente, anunciado pela imprensa.

Pouco antes das 2h desta quarta, a agência internacional de notícias Associated Press destacou que Warnock venceu Kelly Loeffler, com 97% dos votos contabilizados; por volta das 7h, 98% das urnas estavam apuradas, com outros veículos também projetando o democrata como vencedor. A disputa entre Perdue e Ossoff continua, no entanto, sem um resultado claro, com uma ligeira vantagem do candidato democrata.

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Entre investidores há certo temor com a perspectiva de domínio dos democratas sobre Câmara, Senado e Presidência, à medida que se fortalece a tese de que essa situação possa levar a impostos corporativos mais altos e regulamentações mais rígidas sobre as empresas, o que pode pesar no mercado. No entanto, esse resultado também poderia facilitar a aprovação de estímulos fiscais adicionais, que impulsionariam as empresas mais afetadas pela pandemia do coronavírus.

A maior baixa fica para o Nasdaq Futuro, com queda de 1,78%, enquanto o S&P futuro tem baixa de 0,25% e o Dow Jones opera em leve alta de 0,23%. A queda maior do Nasdaq Futuro se justifica pelo temor de aumentos de impostos corporativos em especial para as empresas de tecnologia, além de maior regulamentação.

A XP Política aponta que o Senado deve ficar com 50 representantes de cada partido, sendo que a vice-presidente terá o voto de minerva. O resultado aumenta a chance de aprovação de projetos pelos democratas, que controlam a Câmara e terão também a presidência. “A margem estreita, no entanto, dificulta o avanço de projetos polêmicos, uma vez que senadores do partido eleitos em estados historicamente conservadores dificilmente abraçarão mudanças radicais. A reação significativa, mas não catastrófica do mercado, como se chegou a prever, é sinal de que essa é a avaliação predominante”, avaliam os analistas.

Na Europa, o foco é sobre a pandemia do novo coronavírus. Na terça, a Inglaterra iniciou seu terceiro lockdown de abrangência nacional, com medidas restritivas ampliadas também nas outras nações que integram o Reino Unido. No mesmo dia, a Alemanha estendeu o lockdown em curso no país até o dia 31 de janeiro.

Há também preocupações quanto a uma nova variante do coronavírus encontrada na África do Sul. Scott Gottlieb, antigo chefe da Food and Drug Administration, a agência americana responsável por aprovação de medicamentos, afirmou na terça que a nova variante parece inibir anticorpos.

A África do Sul registrou no dia 31 de dezembro o seu recorde de novos casos de covid, 18 mil. O recorde de mortes no país durante o atual período de ressurgência do coronavírus foi de 513, registradas na terça (5).

Há expectativa de que a Agência Europeia de Medicamentos se manifeste nesta quarta a respeito da vacina contra o coronavírus desenvolvida pela farmacêutica Moderna.

Contudo, os principais índices registram ganhos, impulsionados pelas petroleiras, refletindo decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados, grupo conhecido como Opep+, de manter a postura cautelosa na oferta da commodity. A Arábia Saudita anunciou corte em sua produção da commodity em 1 milhão de barris por dia em fevereiro e março, para compensar elevações de Rússia e Casaquistão. A decisão é de ontem, masi anunciada após o fechamento das bolsas da Europa, o que justifica a correção para cima apenas nesta sessão.

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O índice Eurostoxx sobe 0,74%; o Dax, da Alemanha, sobe 0,74%; o FTSE 100, do Reino Unido, sobe 1,64%; o CAC 40, da França, sobe 0,78%; o FTSE MIB, da Itália, sobe 1,13%.

Na Ásia, investidores acompanham o desempenho das ações dos gigantes chineses de tecnologia Tencent e Alibaba, à medida que o atual presidente americano levanta restrições contra serviços do país.

Na terça, o presidente em exercício dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva proibindo transações por meio de oito aplicativos de pagamento chineses. Isso inclui WeChat Pay e Alipay, do Ant Group.

Na ordem consta que “o ritmo e a abrangência da propagação nos Estados Unidos de certos aplicativos móveis e para desktop e de outros softwares desenvolvidos ou controlados por pessoas da República Popular da China (….) continuam a ameaçar a segurança nacional, política externa e economia dos Estados Unidos”.

Confira o desempenho dos principais índices às 7h30 (horário de Brasília):

Estados Unidos
*S&P 500 Futuro (EUA), -0,25%
*Nasdaq Futuro (EUA), -1,78%
*Dow Jones Futuro (EUA), +0,23%

Europa
*Dax (Alemanha), +0,74%
*FTSE 100 (Reino Unido), +1,64%
*CAC 40 (França), +0,78%
*FTSE MIB (Itália), +1,13%
Ásia
*Nikkei (Japão), -0,38% (fechado)
*Hang Seng Index (Hong Kong) +0,15% (fechado)
*Kospi (Coreia do Sul), -0,75% (fechado)
*Shanghai SE (China), +0,63% (fechado)
Commodities e bitcoin
*Petróleo WTI, +1,2%, a US$ 50,53 o barril
*Petróleo Brent, +1,77%, US$ 54,55 o barril
*Bitcoin, US$ 34.501,18, +8,86%
Sobre o minério: **Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa de Dalian com alta de 0,29%, cotados a 1033,5 iuanes, equivalente hoje a US$ 160,01 (nas últimas 24 horas).
USD/CNY = 6,46

 

2. Agenda de indicadores

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Às 6h foi divulgado o PMI (sigla em inglês para índice de gerentes de compras) Composto Markit na Zona do Euro em dezembro, com 49,1 pontos, frente projeção de 49,8 pontos. A medição veio superior àquela de novembro, de 45,3 pontos. Qualquer valor acima de 50 pontos indica expansão; abaixo, retração.

O PMI de Serviços Markit pontuou 46,4 em dezembro, frente projeção de 47,3. Em novembro, havia pontuado 41,7. Nesta quarta serão divulgados também dados do IPP (Índice de Preços ao Produtor) na Zona do Euro.

Às 10h, é divulgado o PMI Composto e de Serviços Markit no Brasil e, às 14h30, os dados de fluxo cambial.

Nos EUA, às 10h15, serão divulgados os dados de emprego privado ADP de dezembro; às 11h45 é divulgado o índice PMI Composto e de Serviços no país, relativo a dezembro. Às 12h são divulgados dados sobre pedidos de fábrica nos Estados Unidos em novembro. 12h30 serão revelados os números semanais de estoque de petróleo.

Às 16h é divulgada a minuta da reunião de 16 de dezembro do FOMC (sigla em inglês para comitê federal de mercado aberto), do Fed, responsável por determinar a política monetária dos Estados Unidos.

3. Covid no Brasil

O consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil divulgou, às 20h de terça (5), o avanço da pandemia em 24h no país.

A média móvel de casos confirmados em 7 dias foi de 32.260, queda de 30% frente o período encerrado 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 57.447 casos. A média móvel de mortes em 7 dias foi de 723. Com isso, houve queda de 7% frente a média móvel do período encerrado 14 dias antes. Em apenas um dia foram registradas 1.186 mortes por covid, o maior número desde agosto. 

Em conversa com simpatizantes transmitida pela internet, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que “não é verdade” que há países em que já há uma vacinação de toda a população.

“Não é verdade, mais ou menos 25% do país está vacinando e, detalhe, um fabricante vendeu 10 mil vacinas para 20 e poucos países. Eles estão vacinando, mas não estão vacinando seu povo como um todo. Dez mil vacinas para um país não é nada, não interessa que seja Paraguai, população pequena, ou até a Alemanha, população média, ou até mesmo o Brasil, mas isso vem a pressão, pressão porque vende (…) Agora criaram um pânico perante a população e quando eu falei lá atrás que tinha que enfrentar: ‘ah, ele despreza a morte!’. Tem que enfrentar, pô, é igual a uma guerra”, afirmou.

Em nota conjunta publicada na terça, os ministérios da Saúde e das Relações Exteriores afirmaram que o governo da Índia não tem qualquer proibição de exportação de vacinas contra a Covid-19 para outros países, e a expectativa é que a importação de doses do imunizante desenvolvido por Universidade de Oxford e AstraZeneca produzidos no país asiático cheguem ao Brasil ainda neste mês.

A manifestação ocorre após uma reportagem do jornal Folha de São Paulo afirmar que a diplomacia vinha trabalhando para garantir as importações da vacina, que estariam sob risco de serem barradas pelo governo indiano.

O imunizante é testado no Brasil pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que deverá produzi-lo localmente com insumos importados, e pretende importar 2 milhões de doses prontas do Instituto Serum, da Índia, a um curso de cerca de R$ 60 milhões.

Até o momento, a Anvisa não recebeu o pedido de uso emergencial ou de registro definitivo do imunizante promovido pela Fiocruz, ou de qualquer outra vacina para Covid-19 no Brasil.

Na terça, representantes de Anvisa e Fiocruz se reuniram para tratar do pedido de uso emergencial da vacina da AstraZeneca. Esperava-se que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apresentasse a solicitação até quarta-feira, mas pedidos adicionais de informações por parte da Anvisa a respeito da vacina desenvolvida pela AstraZeneca, a ser importada da Índia, adiaram essa data para até sexta-feira.

Uma vez que o Ministério da Saúde informou que iniciará a vacinação em até cinco dias após a Anvisa aprovar algum imunizante, a agência de vigilância precisará analisar qualquer pedido que receber antes dos 10 dias de prazo estipulado para que o governo federal consiga iniciar a vacinação no dia 20 de janeiro –prazo apresentado pelo Ministério da Saúde como melhor cenário. No pior cenário, o início da vacinação federal fica previsto para 10 de fevereiro.

4. Política nacional

Em uma conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que não pode corrigir a tabela do Imposto de Renda, uma de suas promessas de campanha, porque o Brasil “está quebrado”.

“Chefe, o Brasil está quebrado, chefe. Eu não consigo fazer nada. Eu queria mexer na tabela do Imposto de Renda, teve esse vírus potencializado pela mídia que nós temos, aí, essa mídia sem caráter que nós temos, tá certo? (…) É um trabalho incessante de tentar desgastar para me retirar daqui para voltar alguém para atender os interesses escusos da mídia”.

A declaração suscitou reações no mundo político. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chamou de “grave e desalentador” o comentário do presidente. Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro compreende que o governo precisa manter sua credibilidade e respeitar o teto de gastos. Guedes disse em entrevista à Folha que não há divergência entre a posição do presidente e as ideias da equipe econômica. “Não há divergência entre nós. Obviamente o presidente se referiu à situação do setor público”, disse o ministro.

Bolsonaro também comentou a alta do índice de desemprego apontada na semana passada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). “Então, é um país difícil de trabalhar, quando fala em desemprego, é alto por vários motivos. A formação do brasileiro, uma parte considerável não está preparada para fazer quase nada”, disse.

No Congresso, o candidato apoiado por Bolsonaro para a Presidência da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), iniciou na terça uma série de viagens pelo país em busca de apoio de congressistas dispostos a voltarem contrariamente à orientação de seus partidos. No Amapá e no Pará, encontrou com Waldez Góes (PDT) e Hélder Barbalho (MDB), que fazem parte do grupo que apóia a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP).

Rossi tem sua candidatura promovida pelo atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e tem apoio de partidos com número de parlamentares suficiente para vencer. Mas, como o voto é secreto, Lira poderia vencer caso obtivesse número suficiente de traições.

5. Radar corporativo

Em destaque no radar corporativo, a Suzano concluiu a venda de terras para Bracell por R$ 1,057 bilhão. Já a a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) disse na última terça-feira que cobrou explicações da Equatorial Energia, distribuidora responsável pelo suprimento em Teresina (PI), após um blecaute atingir a região na virada do ano. A agência afirmou que abrirá um processo de fiscalização.

As falhas de fornecimento, de 31 de dezembro a 3 de janeiro, foram causadas por chuvas e ventos e impactaram cerca de 71 mil unidades consumidoras, segundo o órgão regulador. Em comunicado, a Aneel afirmou que deu prazo até 11 de janeiro para a Equatorial Piauí informar o total de consumidores afetados, bem como os equipamentos da rede afetados pela falha e as equipes emergenciais dedicadas para resolver o problema.

Já a CCR informou que o movimento nas rodovias administradas pela companhia subiu 8% entre os dias 18 e 24 de dezembro, na semana do Natal, frente o mesmo período do ano passado. A alta foi puxada, principalmente, pelos veículos comerciais. Contudo, no acumulado do ano, o tráfego de veículos caiu 2%.

A XP Investimentos, por sua vez, iniciou a cobertura de JHSF (JHSF3) com preço-alvo de R$ 9,70 por ação para 2021 e recomendação de compra. “Nossa visão construtiva para o papel é atribuída principalmente ao seu robusto potencial de crescimento, impulsionado pelo ambiente positivo para o setor imobiliário nos próximos anos bem como os recursos levantados em seu recente follow-on (oferta subsequente de ações)”, apontam os analistas.

A XP também elevou o preço-alvo para as ações da Petrobras de R$ 32 para R$ 35 (para ambas as classes de ações) com a conclusão da reunião da OPEP+, com anúncio de cortes voluntários de produção pela Arábia Saudita.

A Ambipar, especializada em resposta a emergências e gestão de resíduos ambientais, prevê aceleração das receitas em 2021, devido em parte à crescente demanda por descontaminação de ambientes para prevenir a infecção por Covid-19. Segundo informações da agência internacional de notícias Reuters, desde novembro a companhia fechou contratos para atender empresas de grande porte no Brasil, incluindo uma cervejaria, uma cadeia de fast food e duas indústrias alimentícias.

(com Agência Estado, Bloomberg e Reuters)

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