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Os 3 fatores que levaram o Ibovespa a seu melhor novembro desde 1999 e por que analistas enxergam mais altas

Mercado encerra o penúltimo mês do ano com um fluxo estrangeiro recorde, que balizou o avanço da Bolsa e a queda do dólar

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira (30), mas encerrou novembro com expressivo ganho de 15,9%. Foi o maior avanço mensal do índice desde março de 2016, quando subiu 17%, e o melhor novembro da Bolsa desde 1999, ano em que o benchmark registrou uma valorização de 17,8% no penúltimo mês.

A alta da Bolsa em novembro foi acompanhada pela queda do dólar ante o real. A moeda dos Estados Unidos caiu 6,83% em relação à divisa brasileira. E, segundo analistas, os dois fenômenos estão interligados.

Em relatório, Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP Investimentos, e Marcella Ungaretti, analista ESG da corretora, lembram que de janeiro a outubro os estrangeiros retiraram R$ 65,3 bilhões da B3, o que fez com que a nossa Bolsa fosse a pior do mundo em desempenho até o mês passado.

Já em novembro, esse quadro mudou radicalmente e o investimento estrangeiro na B3 teve um saldo positivo de R$ 30 bilhões. A equipe de análise da Levante Ideias de Investimento destaca que esse foi o maior valor mensal de entrada de recursos desde que a Bolsa começou a fazer esse levantamento, em 1995.

Para os analistas da XP, há três fatores que explicam esse fluxo de capital para as ações brasileiras. O primeiro é o fim das incertezas relacionadas às eleições americanas, com a vitória consolidada do democrata Joe Biden e sem um controle absoluto do seu partido sobre o Congresso.

Já o segundo fator foi o avanço no desenvolvimento de vacinas contra o coronavírus. As taxas de eficácia acima de 90% na fase 3 de testes das profilaxias criadas por Pfizer/BioNTech, Moderna e Oxford/AztraZeneca animaram os investidores para perspectivas de um futuro livre das preocupações com a pandemia.

O terceiro fator que explica os ganhos da B3 foi a rotação do capital para ações de empresas que atuam em setores mais afetados pela crise da Covid-19, como é o caso de instituições financeiras e commodities, que são justamente os segmentos mais pesados na carteira teórica do Ibovespa.

Segundo os analistas da Levante, a melhora do humor global foi duplamente benéfica para o mercado acionário brasileiro.

“Por um lado, os investidores internacionais se aproveitaram de ações cujos preços demoraram para acompanhar a alta iniciada em outubro, como por exemplo os papéis de bancos. Por outro, a melhora global das cotações de commodities como petróleo e minério de ferro beneficia ações importantes, como Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3), que têm grande peso na B3 e influenciam o movimento do mercado como um todo.”

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De acordo com Abner Gonçalves, sócio e líder de renda variável na Blue Trade, essa recuperação da Bolsa impulsionada pelo capital estrangeiro deve continuar, pois apesar do real não ser mais a pior moeda do mundo, ainda está muito defasado em relação a pares dos países emergentes, como o peso mexicano.

“Podemos continuar vendo fluxo de capital, pois nossa moeda continua depreciada e o Ibovespa segue distante das máximas pré-pandemia, uma combinação que atrai o investidor estrangeiro”, explica.

Para ele, apesar de estarmos próximos dos patamares projetados pelos analistas para o Ibovespa no fim do ano, como 110 mil pontos, a melhora nos resultados das empresas no terceiro trimestre é outro ponto que permite previsões mais otimistas.

Gonçalves todavia ressalva que como a alta do Ibovespa em novembro foi tão forte é possível que haja uma correção em dezembro ou no início de 2021 antes do índice alçar voos mais ambiciosos.

Júlio Erse, gestor da Constância Asset, também não descarta novas altas, mas acredita que alguma dose de cautela seja necessária. “Há ainda incertezas a respeito de quando as vacinas serão universalmente disponibilizadas para imunizar a população e sobre a possibilidade do governo democrata eleito dos EUA ser capaz de aprovar o pacote de estímulos abandonado antes das eleições”, defende.

Abner Gonçalves cita também o ambiente fiscal brasileiro como um fator a ser acompanhado. “A aprovação de um programa social como o renda Cidadã seria positiva para o governo, mas se estourar o Orçamento talvez abra um precedente para um possível impeachment por bater de frente com o teto dos gastos. Acho que o governo vai tentar se desdobrar para dar uma contrapartida para esse programa”, projeta.

De qualquer modo, para o sócio da Blue Trade, o pior já ficou para trás. “O cenário de negativismo já passou. De hoje em diante podemos ficar otimistas.”

O Ibovespa nesta segunda

O Ibovespa caiu nesta segunda-feira (30) seguindo as bolsas internacionais. Os índices nos Estados Unidos recuaram devido à notícia de que o governo do presidente Donald Trump pretende colocar em uma lista negra de empresas supostamente controladas pelo exército chinês a fabricante de microchips SMIC e a produtora de óleo e gás CNOOC.

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A gestão Trump emitiu uma ordem executiva que visa proibir, a partir de 2021, investidores americanos de comprar ações de firmas integrantes da lista. A medida pode levar a uma escalada da tensão entre a China antes da eleição do presidente eleito Joe Biden.

Por outro lado, o pedido da farmacêutica Moderna para que a FDA (equivalente à Anvisa nos EUA) libere sua vacina contra o coronavírus trouxe algum otimismo. A profilaxia da Moderna teve 94% de eficácia na fase 3 de testes.

No Brasil, o segundo turno das eleições municipais consolidou a vitória da centro-direita, com um avanço expressivo de partidos como o DEM e o PSDB, ao passo que candidatos de esquerda do PT, do PCdoB e do PSOL foram derrotados nas principais capitais e aliados do presidente Jair Bolsonaro mais à direita, como Marcelo Crivella, acabaram rejeitados nas urnas.

Passadas as eleições, a cidade de São Paulo regrediu para a fase amarela, de modo que comércios e serviços passarão a funcionar menos horas por dia. O endurecimento das medidas de isolamento social ocorre ao mesmo tempo em que o País volta a registrar aumento no número de casos de coronavírus.

O Ibovespa hoje caiu 1,52%, aos 108.893 pontos, com volume financeiro negociado de R$ 49,09 bilhões. Foi a primeira queda do índice em seis pregões.

Enquanto isso, o dólar comercial teve alta de 0,39%, a R$ 5,3452 na compra e R$ 5,3462 na venda.

O câmbio refletiu a elevação da oferta de swaps do Banco Central de 12 mil para 16 mil para aliviar o real em um cenário de ajuste do overhedge no final de dezembro. Entretanto, os riscos internacionais acabaram fazendo com o que a moeda dos EUA voltasse a se apreciar ante o real.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu três pontos-base, a 3,31%, o DI para janeiro de 2023 teve alta de sete pontos-base, a 5,01%, DI para janeiro de 2025 avançou oito pontos-base, a 6,78%, e o DI para janeiro de 2027 registrou variação positiva de cinco pontos-base, a 7,55%.

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Voltando ao exterior, no sábado foram reiniciadas as negociações presenciais entre Reino Unido e União Europeia sobre um novo acordo comercial. Faltam semanas para que o arranjo atual chegue ao seu fim oficialmente, com o prazo final do período de transição marcado para 31 de dezembro.

O ministro das Relações Exteriores britânico Dominic Raab afirmou que as conversas devem levar a uma semana “muito significativa”. Porém, relatos publicados na mídia na sexta-feira (27) indicam que o Reino Unido rejeitou uma proposta da União Europeia sobre o valor da cota de pesca que frotas europeias deveriam pagar ao pescar em águas britânicas.

Economias importantes, como França, Reino Unido e Alemanha continuam a implementar seus lockdowns, com diferentes níveis de abrangência. Na sexta-feira, a Alemanha contabilizou 426 mortes por Covid, seu recorde, de acordo com dados compilados pela Universidade Johns Hopkins.

No mesmo dia, foram registrados 22.806 novos casos no país, um patamar muito acima da primeira onda de Covid, que teve em seu pico o registro de 6.294 casos, no final de março.

Já nos EUA, na sexta-feira foram registrados 205.460 novos casos de Covid, seu recorde, segundo dados compilados pela Universidade Johns Hopkins. Dois dias antes, haviam registrado 2.313 mortes, o maior patamar desde o final de junho.

No noticiário asiático, a segunda-feira também foi marcada pelo anúncio do Bureau de Estatísticas Chinês de que o índice oficial PMI (índice gerente de compras, na sigla em inglês) industrial fechou novembro em 52,1 pontos, excedendo as expectativas de 51,5 pontos, de analistas ouvidos pela agência internacional Reuters.

O indicador mede a saúde econômica do setor, com base em indicadores como produção, ambiente de emprego, novos pedidos, níveis de estoque e entregas de fornecedores. Acima de 50 pontos, indica crescimento, abaixo, retração. É o nono mês consecutivo de expansão do PMI industrial, indicando uma recuperação consistente da pandemia.

No Japão, dados preliminares do Ministério da Economia, Comércio e Indústria indicam que as vendas no varejo tiveram alta de 6,4% em outubro na comparação com o mesmo mês do ano anterior, em linha com a mediana das expectativas, segundo a agência Reuters. Mesmo com os anúncios sobre os índices no Japão e na China, as bolsas asiáticas têm baixas.

Relatório Focus

Entre os indicadores, os economistas do mercado financeiro novamente projetaram uma queda menor para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2020, mostrou o Relatório Focus do Banco Central. A mediana das estimativas foi para -4,5% esta semana, de -4,55% na semana passada.

Para 2021, os economistas projetam um crescimento de 3,45% no PIB, ante uma previsão de avanço de 3,40% na semana anterior.

Já em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2020, a mediana das projeções foi de 3,45% na semana passada para 3,54% esta semana. Para 2021 a previsão também subiu, de 3,40% para 3,47%.

As projeções para o dólar ao fim de 2020, por sua vez, caíram de R$ 5,38 na semana passada para R$ 5,36 agora. Para 2021 as expectativas se mantiveram em R$ 5,20.

Por fim, a mediana das estimativas dos economistas para a taxa básica de juros, Selic, manteve-se em 2,00% ao ano para 2020 e em 3,00% ao ano para 2021.

Eleições no Brasil

As eleições municipais no Brasil se encerraram no domingo, quando eleitores de 57 cidades brasileiras votaram no segundo turno. O resultado foi apurado por volta das 20h30. Houve aumento da abstenção, de 29,47%, frente os 23,14% do primeiro turno, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.

Bruno Covas (PSDB) venceu em São Paulo; Eduardo Paes (DEM) venceu no Rio; Sarto Nogueira (PDT) venceu em Fortaleza; Sebastião Melo (MDB) venceu em Porto Alegre; João Campos (PSB) venceu em Recife; Edvaldo Nogueira (PDT) venceu em Aracaju; Edmilson Rodrigues (PSOL) venceu em Belém; Arthur Henrique (MDB) venceu em Boa Vista; Emanuel Pinheiro (MDB) venceu em Cuiabá; Maguito Vilela (MDB) venceu em Goiânia; Cicero Lucena (PP) foi reeleito em João Pessoa; João Henrique Holanda Caldas (PSB) foi eleito em Maceió; David Almeida (Avante) foi eleito no Amazonas; Hildon Chaves (PSDB) foi reeleito em Porto Velho; Tião Bocalom (PP) foi eleito em Rio Branco; Eduardo Braide (Pode) em São Luís; Dr. Pessoa (MDB) em Teresina; e Delegado Pasolini (Republicanos) em Vitória.

Neste ano, o PT não venceu em nenhuma capital brasileira, fato inédito desde a redemocratização.

São Paulo mantém como prefeito Bruno Covas, que venceu o opositor Guilherme Boulos (PSOL) com 59,3% dos votos válidos. Em discurso após a vitória, Covas afirmou que agora “é possível fazer política sem ódio”.

“As urnas falaram, e a democracia está viva. São Paulo mostrou que restam poucos dias para o negacionismo e para o obscurantismo. São Paulo disse ‘sim’ à democracia. São Paulo disse ‘sim’ à ciência, disse ‘sim’ à moderação, disse ‘sim’ ao equilíbrio”, disse.

No Rio, Eduardo Paes venceu o atual prefeito e bispo licenciado da Igreja Universal, Marcelo Crivella (Republicanos). Paes também fez um discurso elogiando a moderação.

“Queria também celebrar aqui uma vitória da política. Nós passamos os últimos anos radicalizando a política brasileira. O resultado desse radicalismo certamente não fez bem a nenhum de nós cariocas, não fez bem a nenhum de nós brasileiros”, afirmou.

Juntos, os partidos do Centrão, base política de Jair Bolsonaro (sem partido) na Câmara dos Deputados, vão comandar mais de 2,6 mil municípios, quase metade do total, e cerca de 40% da população brasileira.

Análise de dados realizada pelo G1 indica que, mesmo sendo o partido com o maior número de perdas de prefeituras, na comparação com 2016, o PSDB será aquele governando o maior número de habitantes do Brasil. Eram 48,3 milhões de brasileiros com municípios governados pelo DEM em 2016, um patamar que chega a 34 milhões em 2020.

Em segundo lugar fica o MDB, que governará em 2020 26,1 milhões de habitantes, frente 28,8 milhões em 2016. Em terceiro lugar, fica o DEM, a legenda que mais cresceu, com 24,4 milhões de habitantes em 2020, frente 10,8 milhões em 2016. O partido foi impulsionado pela conquista da prefeitura do Rio.

Ainda no radar dos mercados, está a fala de Jair Bolsonaro após votar no último domingo. O presidente  afirmou que o ministro Paulo Guedes “é 98% da Economia”. O presidente reafirmou a confiança em Guedes, mas demonstrou que pretende ser firme nos dois por cento das decisões da Economia que diz passarem por ele: “o que eu falei três meses atrás está valendo. Quem falar em Renda Cidadã, cartão vermelho”.

“Paulo Guedes é 98% da Economia, e eu era 1% e passei para 2. Tem tanto coisa que é igual saltar de paraquedas: o cara te orientando atrás e você tem que ter confiança nele”, comparou. O presidente também fez comentários elogiosos à gestão do Banco Central. “O Roberto Campos, do Banco Central, quando faz reunião conosco é uma coisa excepcional”, disse. “O Banco Central vai ser independente, pra não haver risco de interferência política.”

Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), cobrou neste domingo que, passada a eleição, o governo apresente suas propostas para organizar as contas públicas, ou o País correr o risco de viver em 2021 uma recessão aos moldes da de 2015 e 2016. Ele criticou também a antecipação da discussão sobre a reeleição para a Câmara dos Deputados e Senado Federal.

Radar corporativo

O grupo de telecomunicações em recuperação judicial Oi recebeu um desconto de 50% na dívida de cerca de R$ 14 bilhões devida à União e ainda poderá parcelar o valor remanescente, afirmou a Advocacia-Geral da União (AGU) na sexta.

Maiores altas

AtivoVariação %Valor (R$)
AZUL43.1715938.06
YDUQ32.87532.92
CRFB32.6790319.93
GOLL42.5696923.55
RADL31.5576326.08

Maiores baixas

AtivoVariação %Valor (R$)
BTOW3-7.3358670.99
VVAR3-4.5970817.64
CSAN3-4.4768978.52
BRML3-4.007829.82
HGTX3-3.8397317.28

O desconto foi concedido em um momento em que o governo federal enfrenta uma crise fiscal agravada pelos impactos da pandemia de Covid-19 no país e dois dias depois de o Senado aprovar legislação que modifica a lei de falências. As modificações permitem que empresas em recuperação judicial possam quitar suas dívidas com descontos de até 50% e parcelamento em até 84 meses.

A Intelbras submeteu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pedido para realizar uma oferta pública inicial primária e secundária de ações (IPO). Fundada em 1976, a companhia de Santa Catarina produz e comercializa produtos e soluções em segurança eletrônica, controles de acesso, redes, comunicação, energia e energia solar.

Já a Notre Dame Intermédica informou a oferta secundária de 40 milhões de ações.

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