Operadores apostam em surpresa positiva com inflação dos EUA – e novo tombo do dólar

Parte do mercado tem expectativa de que o dado de inflação ao consumidor dos EUA (CPI) venha abaixo do consenso, o que pode voltar a alimentar apostas em cortes de juros

Paulo Barros

Publicidade

Alguns participantes do mercado aguardam o índice de preços ao consumidor (CPI) de julho nos Estados Unidos, que será divulgado nesta terça-feira (12), com expectativa de um resultado ligeiramente abaixo das projeções. Dados de swaps de inflação sugerem alta anual de 2,76%, ante previsão mediana de 2,8% apurada pela Bloomberg.

Segundo analistas do Morgan Stanley, essa diferença representa uma surpresa negativa de 0,25 desvio-padrão em relação ao consenso, o que poderia implicar queda de 0,1% no DXY, índice que mede a força do dólar ante outras moedas. Se essa aposta estiver correta, isso implicaria uma desvalorização global da moeda americana até as 10h desta terça, pontuam os analistas.

O dado do CPI será liberado às 9h30 pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS), na primeira divulgação após a demissão da comissária Erika McEntarfer por Donald Trump.

Economistas projetam que a leitura ficará alinhada com as indicações dos swaps, apesar do impacto de tarifas mais altas em alguns itens.

A expectativa de um resultado moderado no CPI mantém elevada a aposta de corte de juros pelo Federal Reserve em setembro, hoje precificada em cerca de 90% pelo mercado. O cenário ganhou força após o fraco relatório de empregos divulgado em 1º de agosto e a nomeação de Stephen Miran como membro do Fed, visto por investidores como defensor de uma política monetária mais branda e de um dólar mais fraco.

Nesta segunda, o rali das bolsas americanas perdeu força, com o S&P 500 oscilando próximo das máximas históricas e a maioria das ações do índice registrando queda. O rendimento dos Treasuries de 10 anos recuou dois pontos-base, para 4,27%, enquanto o dólar avançou 0,2%. Investidores evitaram grandes movimentos antes do CPI, avaliando que um resultado acima do esperado pode reduzir as chances de corte de juros e provocar ajustes mais fortes nos preços dos ativos.

Continua depois da publicidade

Projeções apontam que o núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, deve subir 0,3% em julho, a maior variação mensal desde o início do ano. Esse avanço reflete parcialmente o repasse de tarifas em setores como móveis e bens recreativos, embora a inflação de serviços essenciais siga contida.

Analistas estimam reações opostas no mercado conforme o resultado: dados em linha ou abaixo das estimativas podem impulsionar o S&P 500 em até 2%, enquanto uma leitura mais alta que o esperado pode gerar quedas próximas de 3%. Segundo pesquisa da 22V Research, 43% dos investidores preveem reação “mista” ao CPI, 39% veem cenário “risk-off” (prejudicial para ativos de risco) e apenas 18% esperam movimento “risk-on” (benéfico para ativos de risco).

Apesar das incertezas, as perspectivas para o mercado acionário seguem otimistas. O JPMorgan elevou a probabilidade de alta do S&P 500 após o dado para 70%, enquanto o Citigroup revisou a projeção de fechamento do índice em 2025 para 6.600 pontos, citando resultados corporativos acima das expectativas.

Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos