Opções de venda de Petrobras disparam com mercado colocando “risco-Haddad” na conta

"Puts" da estatal sobem até 100% no pregão que antecede o segundo turno das eleições

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SÃO PAULO – Com a alta de 8% do Ibovespa somente neste mês, os investidores colocam na conta a vitória de Jair Bolsonaro no próximo domingo (28), na esperança que seu plano liberal de governo destrave a economia e também apostando em um maior nível de eficiência da máquina pública, o que levou, por exemplo, a escala das estatais como as ações preferenciais da Petrobras (PETR4).

Porém, no pregão que antecede o segundo turno, um fenômeno no mínimo curioso está chamando a atenção dos traders.

Em meio ao otimismo que toma conta do mercado nesta sexta-feira (26), as opções de venda (“puts”) da Petrobras sobem forte neste começo de tarde, com algumas, inclusive, disparando até 100%.

Isso pode ser considerado inusitado uma vez que o papel preferencial fechou a sessão com uma disparada de quase 5%, ou seja, teoricamente essas opções deveriam registra queda ou no mínimo uma variação de alta bem menor do que a vista.

A opção PETRW56, que dá direito de venda das ações preferenciais da Petrobras ao preço de R$ 16,67, fechou a R$ 0,05, o que representa uma alta de 150% desde o fechamento da última quinta-feira. Já o percentual de valorização da opção de venda PETRW86, com preço de exercício a R$ 15,17, foi de 200%,  fechando a R$ 0,03, enquanto a PETRW57 (R$ 17,17) subiu 67%, ao valor de R$ 0,05.

Todas elas tiveram um volume de negócios muito acima da média. Se há tanto otimismo no mercado, o que explica esse movimento no pregão da véspera do segundo turno?

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Com o mercado “cantando vitória” antecipada de Bolsonaro, a estatal disparou 30% em outubro, saindo da faixa de R$ 21,00 e praticamente atingindo a máxima do ano em R$ 27,89, o que alimenta a probabilidade que o “efeito Bolsonaro” está em parte precificado e esses investidores estão apostando em uma realização das ações, no clássico efeito “compra no boato e vende no fato”.

Outra possibilidade levantada e que ganhou força nos últimos dias é a aposta que Bolsonaro não terá uma vitória acachapante sobre Fernando Haddad (PT).

Na última pesquisa Datafolha, divulgada na noite de quinta-feira (25), a diferença entre o candidato do PSL e petista caiu de 18 para 12 pontos percentuais em apenas uma semana, com Bolsonaro com 56% dos votos válidos, contra 44% do ex-prefeito de São Paulo.

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Em verdade, um resultado mais apertado não está nos planos do mercado e em termos políticos quanto mais votos Haddad conquistar no segundo turno, menor será o cacife político de Bolsonaro para conduzir o seu governo.

Por fim, os traders mais conservadores (e até apocalípticos em vista do cenário atual) estão em busca de proteção na “puts” em caso de uma vitória inesperada de Haddad no próximo domingo.

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Avaliando as últimas pesquisas e o próprio resultado do primeiro turno, essa probabilidade é relativamente pequena, mais precisamente de 15% segundo os últimos cálculos da consultoria política Eurasia.

Acreditando ou não, em um cenário binário como no caso das eleições, estar protegido do inesperado sempre é uma boa opção para preservar a carteira de investimento e mantém a escrita: “canja de galinha não faz mal a ninguém”.