Renda variável

Onde Investir 2020: analistas apontam as melhores ações em seis setores

No geral, a expectativa é que os setores diretamente ligados à melhora da economia, como construção e varejo, por exemplo, sejam mais beneficiados

SÃO PAULO — A perspectiva de analistas para a bolsa brasileira em 2020 segue otimista, mas alguns setores vão chamar mais atenção do que outros.

No geral, a expectativa é que os setores diretamente ligados à melhora da economia, como construção e varejo, por exemplo, sejam mais beneficiados.

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No evento Onde Investir 2020, do InfoMoney, o analista da Rico Investimentos Thiago Salomão conversou com seis analistas diferentes para seis setores importantes da economia.

Eles falaram sobre perspectivas e sobre as melhores ações de cada segmento. Confira abaixo as entrevistas e acima o vídeo completo dos painéis.

Commodities

Felipe Hirai, sócio da Dahlia Capital, disse que está otimista com o setor. A gestora tem na carteira ações da Petrobras (PETR3, PETR4), Vale (VALE3) e siderúrgicas.

Ele explicou que as ações de commodities têm uma correlação muito alta e que o primeiro passo para analisar esses papéis é ver o que está acontecendo no mundo. A China é o mais importante, já que o país passou por um processo de desaceleração nos últimos anos.

“Só que em 2021 e 2022 tem duas coisas importantes acontecendo por lá: no ano que vem, tem o aniversário de 100 anos do partido comunista e, no ano seguinte, tem talvez a terceira eleição do Xi Jinping, que está passando por um processo forte de consolidação de poder e, na agenda dele, ele quer ser maior do que Mao Tsé-Tung”, disse.

Alimentos

Betina Roxo, analista da XP Investimentos, disse que o setor de frigoríficos passou por uma mudança importante: a queda nas dívidas. “São empresas que passaram por momentos complicados, como a BRF no contexto da operação Carne Fraca, da Polícia Federal.”

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“Quando a gente começou a ver os primeiros sinais de peste suína africana, muita gente não entendeu a dimensão do problema. A China é um dos maiores consumidores de carne de porco do mundo. E ela, assim que enxergou o tamanho do problema, abateu rebanhos e precisou importar o produto”, explicou.

Isso impulsionou as exportações brasileiras e puxou para cima os preços das proteínas todas, tanto de carne de frango quanto de carne bovina e suína. O episódio, segundo Betina, beneficiou empresas como a JBS (JBSS3). “Ainda não vemos motivo para reverter esse desequilíbrio entre oferta e demanda na China.”

Varejo

Carolina Ujikawa, head de research da Mauá Capital, ressaltou que a performance das empresas no varejo tem sido forte. “Cada vez mais vemos mais do que vendas, mas também o uso de tecnologias para melhorar a experiência do consumidor.”

Segundo ela, a Magazine Luiza (MGLU3) foi uma das pioneiras a falar em omnichannel. “Houve uma mudança de comportamento nas famílias. As mães estão trabalhando mais do que antes, não ficam mais em casa. Elas têm que ter uma forma mais rápida de comprar seus produtos. É uma integração importante. Não é por acaso que uma empresa tem desempenho melhor do que a outra. As empresas estão conhecendo muito mais seus clientes.”

A Lojas Renner (LREN3) é um exemplo, segundo Carolina, de varejista que tem ampliado sua conversão de vendas com ajuda da tecnologia. Os dados dos clientes são muito importantes. Quem sabe melhor aproveitar os dados, ganha mais.

Construção

Brunno Donadio, sócio da Equitas, falou sobre a dinâmica desafiadora do setor: “tem o ciclo de fluxo de caixa mais longo que existe. Você leva 30, 40 anos para terminar de receber o pagamento. Se você não tiver uma estrutura desalavancada para conseguir sobreviver aos solavancos da economia, você não sobrevive.”

Ele falou sobre o distrato (quando o comprador desiste de adquirir o imóvel), que tem pesado nas operações das empresas. “No segmento alta renda, muita empresa por aí morreu. Já no segmento baixa renda, a demanda continuou porque havia muito subsídio.”

O setor de alta renda começou a melhorar, segundo Donadio. A gestora tem Eztec (EZTC3) no portfólio, uma construtora focada em alta renda de São Paulo. Ela tem uma posição menor também em Helbor (HBOR3). A melhora do mercado está relacionada à queda dos juros, entre outros fatores. “Tem muito espaço para o preço dos imóveis subir em São Paulo.”

Bancos

Marcel Campos, analista da XP Investimentos, afirmou que a competição no setor mudou e o ambiente regulatório ficou mais duro em relação aos bancos. A Selic baixa é um desafio ao setor também. Mas, por outro lado, alguém vai ter que financiar os projetos de infraestrutura que estão voltando com os juros mais baixos, por exemplo, e isso pode ajudar os bancos.

“Eles têm um índice de Basileia confortável para expandir suas carteiras de crédito. A inadimplência está sob controle. Vai haver maior volume de empréstimo com, possivelmente, uma menor inadimplência. Mesmo que eu considere uma queda na margem financeira em porcentagem, o volume deve compensar parte disso.”

Segundo o analista, todos os bancos que a XP cobre não têm como principal fonte de recursos serviços (como taxas de TED e DOC, por exemplo), mas, sim, crédito. “O nível de provisão contra calote que o Itaú (ITUB4) tem, por exemplo, é quase do tamanho do lucro dele. Se ele não tivesse que separar esse dinheiro para as perdas, seu lucro dobraria.”

O Banco do Brasil (BBAS3) é uma das ações preferidas de Campos no setor, seguida de Bradesco (BBDC4). “Depois, nós vemos Itaú e Santander ([ativo=SANB11[ativo=) como bons bancos, mas o preço deles hoje em relação aos outros dois está um pouco mais salgado. Eles têm um potencial de crescimento menor também. A nossa principal recomendação é o BMG ([ativo=BMGB4]).”

Utilities

Ralph Gustavo Rosenberg, sócio-fundador da Perfin, afirmou que vamos ter, nos próximos dois ou três anos, um movimento de recuperação no volume, em meio à retomada da economia, e um ganho de sinergia das consolidações ocorridas em distribuição. “Temos Equatorial (EQTL3) na carteira.”

“O setor de energia vai mudar muito nos próximos anos, mas isso vai depender da melhora na regulação”, disse Rosenberg. “São mudanças mais lentas, mas não menos transformacionais. A digitalização, internet das coisas e a eficiência energética são os três aspectos, na parte de distribuição, que vão aumentar as operações das empresas. (…) Tem investimentos que precisam ser feitos, mas tem espaço para crescer.”

Segundo Rosenberg, as empresas de transmissão dependem de concessão. E isso é bom, já que não há risco de volume, então tem confiabilidade de receita.  “Alupar (ALUP3) é a nossa posição desde 2016”, disse. “O dividendo vai começar a subir principalmente no segundo semestre deste ano, com um yield de mais de 10%.”

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