Publicidade
SÃO PAULO – “As estatísticas para o mercado imobiliário dos EUA mostram investimento sólido em longo prazo”. Assim a NAHB (National Association of Home Builders), associação norte-americana dos construtores de casas, resume sua análise sobre a crise que se instalou no setor.
Difícil ignorar a ironia da conclusão, defesa única em meio a uma série de denúncias contra casas com preços exorbitantes e financiamentos repletos de risco. Mas, dentro do jogo retórico sugerido pelo subprime, trata-se de uma posição a ser considerada.
A NAHB tem seus argumentos para aliviar as críticas ao setor. Em linhas gerais, a associação afirma que um olhar pontual, no ápice da crise, resulta em viés negativo. Pela imparcialidade, é preciso estender o horizonte de análise e não generalizar o que é específico.
Olhar em perspectiva
Embora as estatísticas atuais apontem queda nos preços dos imóveis em base anual, o agregado dos últimos cinco anos mostra claros ganhos. Na média, casas compradas em 2002 valorizaram-se mais de 50%.
Entre vinte mercados monitorados pela NAHB em um intervalo de cinco anos, onze apresentaram retorno superior a 45%. E outros quatro superaram 80%. Por isso, “é importante manter um olhar em perspectiva”, afirma Brian Catalde, presidente da associação.
Sem generalizar
Catalde explica que a correção no setor imobiliário atinge duramente os mercados antes superaquecidos de Califórnia, Nevada, Flórida e Arizona. Contudo, “nas demais regiões, a queda nos preços é bastante modesta”.
Continua depois da publicidade
Em Chicago, o valor das casas caiu apenas 1,3% nos 12 meses até agosto de 2007. E mesmo nas cidades de Miami, Los Angeles e Las Vegas, os recuos não ultrapassaram os 10%.
Sem generalizar
Brian Catalde admite que as taxas de retorno observadas entre 2003 e 2005 eram claramente insustentáveis em longo prazo. No período, os preços do setor imobiliário ficaram bem acima da taxa de inflação, algo absurdo frente ao padrão histórico.
Apesar do estouro da bolha, o presidente da NAHB crê em recuperação. Sem data definida, mas com base em um argumento econômico.
Continua depois da publicidade
Ele explica que a hipótese de queda contínua nos preços não se sustenta. “Construir uma casa nova daqui a cinco anos custará muito mais do que hoje”. Apesar da recessão que afeta os imóveis, as despesas com terrenos, mão-de-obra e matéria-prima seguem aumentando.