Oferta do Santander: maior competição e potencial diluição para setor bancário

Investidores podem vender ações de Bradesco e Itaú Unibanco para comprarem papéis do Santander, alertam analistas

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SÃO PAULO – Com os rumores de que o Banco Santander Brasil pretende acelerar a captação na BM&F Bovespa, crescem as expectativas em relação à oferta de units da instituição. As especulações são de que a operação, atualmente em análise na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), será concluída ainda neste mês.

Se a expectativa impulsiona as cotações das ações do banco atualmente negociadas na Bolsa, que sobem quase 5% nesta sessão, para os papéis dos demais grandes bancos ela pode significar um cenário mais negativo.

“Acreditamos que a oferta do Santander, dado seu volume, pode causar overhang nas ações dos demais grandes bancos listados”, avalia a Link Investimentos, explicando que “para participar da oferta, alguns investidores do setor no País teriam que vender suas ações de forma a não aumentar a exposição em bancos brasileiros”.

Possível, mas não provável

O risco ressaltado pela Link Investimentos é ainda maior se considerado o contexto econômico atual, que indica cautela em relação ao setor dos grandes bancos. Ilustrando esse clima de maior desconfiança, os desempenhos dos papéis dos maiores bancos privados brasileiros foram piores do que o do benchmark: enquanto o Ibovespa subiu mais de 47% desde janeiro, as ações do Itaú Unibanco e do Bradesco tiveram altas em torno de 30%.

De acordo com a analista Kelly Trentin, da SLW Corretora, a performance do segmento leva em consideração o cenário internacional. Apesar dos grandes bancos brasileiros não terem sido afetados pelos problemas com hipotecas norte-americanas, as ações nacionais sofrem junto com os papéis internacionais, devido ao movimento de alocação setorial. Outro ponto que tem pressionado é a redução de rentabilidade dos bancos, com a queda da taxa Selic e o aumento das provisões.

“Se você pensar que o cenário já está assim e ainda vai ter a ação de um outro grande banco para a bolsa, pode sim ter redistribuição. Quer dizer, eu não quero aumentar minha exposição ao setor bancário, mas eu quero comprar um pouco de Santander. Aí eu vendo um pouco de Bradesco e de Itaú Unibanco”, exemplifica Kelly. Entretanto, ela alerta: “eu digo que é possível, mas não sei se é provável que isso aconteça”.

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Terceiro maior banco privado

Conforme as informações anunciadas no prospecto preliminar da oferta, o Santander Brasil ocupa o posto de terceiro maior banco privado do País em termos de ativos, contando com uma participação de mercado de 10,5% – de acordo com as posições de 31 de dezembro de 2008.

No exercício de 2008, a instituição reportou lucro bruto de R$ 2,6 bilhões e ativos totais de R$ 294,2 bilhões, com um índice de Basiléia (excluindo o ágio da aquisição do Banco Real) de 14,7%. No período, o patrimônio líquido do banco atingiu de R$ 49,3 bilhões.

“Nossa meta é ser o principal banco múltiplo do Brasil em termos de receitas, lucratividade e reconhecimento de marca, além de satisfação dos clientes e de nossos funcionários”, afirma o Santander no prospecto da oferta.

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A oferta

Embora os detalhes da operação ainda não tenham sido anunciados, a instituição informou que estudos preliminares indicam que ela pode chegar a 15% do capital social, que era de R$ 47,152 bilhões em 31 de dezembro. O coordenador líder da oferta será o Banco Santander, contando também com a coordenação dos bancos Credit Suisse, Merrill Lynch e UBS Pactual.

Para Luís Miguel Santacreus, analista de instituições financeiras da Austin Ratings, o banco deve procurar aumentar a geração de crédito com os recursos captados através da oferta. O aumento do patrimônio e a maior capacidade de expansão do crédito são outro impacto possível no setor bancário, já que fortalecem o banco para brigar por um tamanho mais substancial no Brasil.

Santacreus também afirma que o valor estimado da oferta também deve oferecer uma base respeitável para aquisições. “No momento eu desconheço uma transação desse tamanho envolvendo o Santander, porém com os recursos da oferta, ele poderia se lançar a compras”, afirma.

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Nas palavras do Santander, “os recursos obtidos com a realização da oferta global serão utilizados pelo Banco para fins societários gerais, inclusive expansão dos negócios do banco no Brasil, aumento da parcela de mercado e do nível de custeio do banco e melhora na sua base de capital”.