Correlação

O rumo do mercado de criptomoedas em uma recessão dos EUA vai depender da Nasdaq

Segundo analistas, quando a recessão acontecer, o Bitcoin vai na mesma direção do mercado de ações em geral

Por  CoinDesk -

Com a inflação nos Estados Unidos alcançando novos picos a cada mês e a posição cada vez mais austera do Federal Reserve (o banco central dos EUA), a economia americana corre um risco elevado de ter uma recessão iminente.

A crise da Covid-19, que começou em fevereiro de 2020 e durou até abril do ano passado, foi a mais recente dos EUA e, no entanto, teve um impacto positivo nas criptomoedas. Não só disparou o Bitcoin (BTC) para um pico histórico acima de US$ 28 mil como também fez com que investidores e empresas de Wall Street começassem a levar a sério a maior criptomoeda em capitalização de mercado.

Mas, se os analistas estiverem corretos e a economia americana entrar em recessão no próximo ano, o mercado de criptomoedas pode observar um resultado muito diferente dessa vez.

Recentemente, a correlação entre o BTC e as ações americanas — do índice Nasdaq Composite ao Standard & Poor’s 500 ao Nasdaq 100 — está mais forte. Segundo alguns analistas, então, a performance da maior criptomoeda do mercado vai depender provavelmente do que os mercados em geral vão fazer.

“O Bitcoin está bastante correlacionado com a Nasdaq e, se o Fed continuar aumentando as taxas e se o mercado acreditar que isso vai se manter, com recessão ou não, a Nasdaq vai ser afetada a curto prazo”, afirmou Bob Iaccino, estrategista-chefe na Path Trading Partners e cofundador da Stock Think Tank. “Se essa correlação se manter, as criptomoedas também vão ser afetadas.”

A correlação de 90 dias entre o Bitcoin e o índice Nasdaq 100 se mantém elevada desde 2020, alcançando recentemente um novo pico, como demonstrado no gráfico a seguir.

Gráfico de correlação entre Bitcoin e Nasdaq (Fonte: CoinDesk, Koyfin)

“Durante uma crise mais longa, eu acho que nós vamos ver um movimento positivo dos preços com o BTC, mas o resto do mercado de criptomoedas pode enfrentar resistência conforme os investidores procuram menos riscos e encontram dificuldades para levantar fundos em um mercado segurando os empréstimos”, disse Howard Greenberg, professor de criptomoedas na Prosper Trading Academy.

Essa forte correlação positiva — que serve não só para o BTC mas para outros grandes criptoativos, como o Ether (ETH) — significa que os retornos das criptomoedas podem ser afetados durante uma crise.

“Nos últimos anos, aumentou a correlação delas com os mercados de ações e, mais recentemente, com o mercado de títulos”, afirmou Joe Haggenmiller, chefe de mercados na XBTO, plataforma de trading de criptomoedas. “Essa tendência pode continuar se entrarmos em uma recessão”, disse. “Nós esperamos que as grandes criptomoedas sigam o mercado a curto e médio prazo, tanto positiva quanto negativamente.”

Esse pode ser um cenário diferente do observado durante a crise da Covid-19. O Bitcoin alcançou um pico histórico e subiu mais de 50% em 2020, mas os mercados de ações sofreram perdas grandes entre janeiro e março desse ano, voltando aos níveis normais após o Fed estimular os mercados tradicionais com dinheiro recém-impresso.

Uma recessão que encolhe as ações pode levar o Fed a reverter sua postura “hawkish” e voltar a ter uma posição mais acomodativa. Segundo Iaccino, isso pode ser bom para o BTC e outras criptomoedas.

O que poderia acontecer com o Bitcoin durante uma recessão?

Uma explicação para o fortalecimento da correlação entre as criptomoedas e o mercado de ações pode ser o fato de os traders estarem começando a ver as ações como um hedge contra a inflação, tal qual o BTC.

“Em ambientes inflacionários, as ações têm uma vantagem evidente em relação aos títulos: elas estão ligadas a empresas que podem ajustar os preços, enquanto os títulos não”, disse Lawrence Creatura, gerente de fundos na PRSPCTV Capital LLC, em entrevista à Bloomberg.

Em relatório publicado em 28 de março, Jeff Dorman, diretor de investimentos da Arca, declarou que ativos digitais podem observar uma queda nos preços a curto prazo. Mas os ativos digitais geram valor através de crescimento de rede e lealdade à marca, ao contrário de ações e dívidas, que representam uma reivindicação dos ativos.

“Dado esse cenário, os ativos digitais podem ser a única classe de ativos que uma recessão não iria impactar negativamente”, disse Dorman.

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