Análise

O que os analistas acharam dos 8 resultados que estão movimentando o mercado nesta terça

Noticiário é movimentado, com destaque para as ações de Santander,  CCR, Ecorodovias e Multiplan

Ações em alta (Crédito: Shutterstock)

SÃO PAULO – O noticiário corporativo é movimentado na sessão desta terça-feira (30) pré-feriado, com o mercado de olho principalmente na compra da Netshoes pelo Magazine Luiza (MGLU3), que fazem as ações da varejista dispararem na B3. 

Contudo, não é só essa notícia que agita o dia, uma vez que diversas companhias divulgaram os seus números referentes ao primeiro trimestre de 2019 e estão movimentando o mercado. 

As ações da CCR avançam após o balanço, enquanto os ativos da Ecorodovias, Transmissão Paulista, Santander e Multiplan caem depois dos resultados. Já Movida, RD e Gol registram movimentos menos expressivos na bolsa brasileira, com os resultados em linha com o esperado pelo mercado. Confira as análises do mercado sobre os resultados divulgados entre a noite de ontem e a manhã desta terça-feira, além dos efeitos na bolsa brasileira:

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Santander Brasil (SANB11)

As ações do Santander Brasil abriram em alta, mas viraram para perdas acompanhando o movimento negativo do exterior, além de digerir os números do balanço da companhia. 

O Santander Brasil apresentou lucro líquido gerencial, que não considera ágio de aquisições, de R$ 3,485 bilhões no primeiro trimestre do ano, resultado 21,9% maior do que no mesmo período do ano passado. A filial brasileira contribuiu com 29% do desempenho de todo o grupo no período, de acordo com dados divulgados pela matriz espanhola nesta manhã na Europa.

O banco informa que no primeiro trimestre conseguiu manter a recorrência na geração de resultados com “destacada rentabilidade”. Ao final de março, a carteira de crédito ampliada somava R$ 386,904 bilhões, montante praticamente estável considerando o saldo de dezembro, de R$ 386,736 bilhões. Em um ano, porém, quando os empréstimos somavam R$ 353,920 bilhões, teve alta de 9,3%. O crescimento foi puxado, principalmente, pela pessoa física, com avanço de 20,1% em um ano e de 3,0% no trimestre.

“?Mais uma vez, o Santander entregou resultados sólidos e de alta qualidade. Neste ponto, vemos potencial do banco superar nossa estimativa de lucro líquido de R$ 14,4 bilhões para 2019, uma vez que os resultados do primeiro trimestre de 2019 não revelaram sinais de apoio à tese de crescimento de lucro abaixo de seus pares em 2019-2020. Mantemos nossa recomendação neutra baseada no valuation do banco que ainda nos parece caro relativo aos pares”, afirma a XP Research. 

Já de acordo com o Morgan Stanley, o lucro líquido gerencial mostrou uma progressão expressiva, mas a qualidade dos resultados não foi positiva, usando o excesso de reservas com devedores duvidosos para impulsionar a linha do balanço. Ao mesmo tempo, houve redução das margens de financiamento. Os analistas seguem com recomendação equalweight para os ativos, com preço-alvo de US$ 11,50 para os ADRs.

RD (RADL3)

A RD (ex-Raia Drogasil) registrou um lucro líquido no padrão IFRS 16 no primeiro trimestre deste ano de R$ 90,479 milhões, cifra 17,3% inferior à obtida no mesmo período do ano passado, de R$ 109,517 milhões. A empresa divulgou ainda um lucro ajustado, em IFRS 16, de R$ 93,915 milhões, representando uma queda no período de 14,2%.

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A empresa registrou uma expansão das vendas no conceito mesmas lojas de 5,6% no primeiro trimestre deste ano, registrando uma expansão frente às altas de 4,7% do quarto trimestre do ano passado e de 2,7% do mesmo intervalo de 2018. Já as vendas das lojas “maduras” tiveram alta de 1,9%, também se expandindo frente ao quarto trimestre (+0,6%) e revertendo a retração de 1% do mesmo período do ano passado.

A empresa reiterou seu guidance de abertura de 240 lojas este ano. Apenas no primeiro trimestre, foram 62 novas lojas. Ao final de março, a empresa contava com 1.873 unidades em operação, incluindo três lojas da 4Bio.

De acordo com o Morgan Stanley, foram observadas as mesmas tendências dos resultados anteriores, com uma leve recuperação da receita, mas ainda pressão de margens com a RD mantendo os seus investimentos e mantendo agressividade nos preços para ganhar participação em um mercado competitivo.

“No segundo semestre de 2019, há espaço para alguma margem de recuperação, mas ainda não há atratividade para os papéis dados os múltiplos esticados”, apontam os analistas, que seguem recomendação equivalente à neutra para os ativos.

CCR (CCRO3)

A CCR registrou lucro líquido de R$ 358,1 milhões no primeiro trimestre de 2019, cifra 19,9% inferior ao desempenho de um ano antes. O lucro desconsiderando novos negócios e efeitos não recorrentes, somou R$ 336,6 milhões, apontando queda de 23,2%. No trimestre, o Ebitda ajustado operacional da CCR registrou expansão de 15,8% no comparativo anual, somando R$ 1,397 bilhão.

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A receita líquida, excluindo retirando construção, cresceu 13,7% no comparativo anual, somando R$ 2,205 bilhões. O tráfego consolidado registrou acréscimo de 0,9%, excluindo-se os efeitos das isenções dos eixos suspensos no critério mesma base e a concessionária ViaSul.

Segundo o Morgan Stanley, o Ebitda ajustado da companhia veio em linha com as expectativas, enquanto o tráfego continua baixo, mas pode registrar uma melhora mais à frente. O tráfego reportado registrou queda de 1,2% na base anual mas, um cenário macroeconômico mais positivo à frente poderia impulsionar os volumes para os próximos trimestres. 

EcoRodovias (ECOR3)

EcoRodovias registrou um lucro líquido de R$ 84,2 milhões no primeiro trimestre deste ano, um resultado 42,4% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.

O Morgan também aponta que o Ebitda ajustado também não ficou muito longe do esperado. Contudo, os resultados operacionais foram ofuscados pelo anúncio de corte de dividendos e ativos congelados. 

A companhia informou que não pagará dividendos aos acionistas neste ano e que parte da queda no lucro ocorre com a redução no tráfego de veículos, além de despesas relacionadas à contratação de consultoria especializada em gestão de crise diante de investigações envolvendo a Ecorodovias.

Em abril, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na concessionária Eco 101, do grupo, no Espírito Santo, no âmbito da operação “Infinita Highway”.

Em termos operacionais, março foi um mês difícil por conta do clima e menos dias de trabalho, com o período total também sendo prejudicado pelo menores embarques de grãos.

Com tudo isso em conta, o mercado fica de olho no acordo de leniência que pode ser assinado pela companhia e que justifica a maior cautela de curto prazo com os ativos. 

Multiplan (MULT3)

A Multiplan apresentou lucro líquido de R$ 91,946 milhões no primeiro trimestre de 2019, montante 6,3% menor do que no mesmo período do ano passado. O Ebitda atingiu R$ 230,501 milhões, queda de 0,9% na mesma base de comparação, enquanto a margem Ebitda baixou de 79,6% para 74,9% no período. A receita líquida cresceu 5,4%, para R$ 307,862 milhões, com ganho nas receitas de locações de lojas nos shoppings e serviços.

Já o Goldman Sachs apontou em relatório que os resultados ficaram abaixo das expectativas em meio às altas despesas, que subiram 18% na base anual. Despesas gerais e administrativas aumentaram 27% na mesma base de comparação com a contratação de uma nova equipe de inovação digital, a criação de um conselho fiscal e maiores despesas com serviços. 

Após o balanço, a Multiplan teve rebaixada a sua recomendação pelo Bradesco BBI de neutra ante outperform. O preço-alvo da companhia é de R$ 26.

“A expectativa é de que uma abordagem mais cautelosa continue em vigor, já que o crescimento das receitas de shoppings deve continuar tímido”, disse Luiz Mauricio Garcia, analista do Bradesco BBI. 

Transmissão Paulista (TRPL4)

A ISA Cteep fechou o primeiro trimestre de 2019 com lucro líquido de R$ 353,5 milhões pelo padrão contábil IFRS, alta de 58,6%. O lucro líquido atribuído ao acionista controlador subiu 57,9%, para R$ 357,39 milhões. O Ebitda atingiu R$ 570,014 milhões, alta de 58,1%. A receita operacional líquida teve expansão de 40,4% nos três primeiros meses do ano.

Vale ressaltar que, além do resultado de acordo com padrões contábeis internacionais (IFRS), a Cteep também divulga o resultado regulatório, que considera investimentos como ativo imobilizado e depreciado considerando sua vida útil. Assim, o lucro da companhia somou R$ 234,1 milhões no trimestre, queda de 23,3%, e a receita caiu 5,2%, para R$ 694,2 milhões.

De acordo com a equipe da Levante Ideia de Investimentos, do lado positivo, o destaque ficou por conta da estabilidade da receita e custos operacionais. Já do lado negativo, esteve o lucro menor (levando em conta o resultado regulatório), em função de um gasto fiscal maior.

Os custos operacionais aumentaram 14% em relação ao mesmo período de 2018, impulsionado pelo crescimento dos serviços e de pessoal. É importante frisar que os gastos estão controlados, afirma a Levante. No entanto, continuam crescendo.

“Esperamos impacto negativo no preço das ações no curto prazo. Ressaltamos que os resultados do setor elétrico são muito mais previsíveis que outros setores. No entanto, a previsão é muito positiva para o médio e longo prazo”, afirmam os analistas. 

Movida (MOVI3)

A Movida registrou um lucro líquido de R$ 42 milhões no primeiro trimestre de 2019, cifra 56,1% superior ao resultado do mesmo período do ano passado.

Segundo o relatório de administração que acompanha o balanço, os números consolidados tiveram crescimentos de pelo menos 16% em um ano, em todas as linhas, desde o lucro bruto até o líquido.

De acordo com o Morgan Stanley, o resultado foi um pouco abaixo do esperado, mas ainda sólido, com destaque para o segmento de aluguéis de carros com crescimento no volume de 17% na base de comparação anual. “O ambiente mais forte é explicado pela demanda mais favorável e oportunidades de crescimento, o que suportou uma margem Ebitda de 39% no primeiro trimestre, o que é visto como em um nível saudável”, afirmam os analistas. 

A XP Research também destaca que a Movida reportou bons resultados no geral, mas em linha com as expectativas. “Embora os volumes tenham vindo fortes em relação ao ano anterior, com expansão sequencial dos retornos, o segmento de Seminovos foi pressionado pelos esforços da companhia em aumentar o giro da frota, o que resultou em volume forte de vendas e idade média menor da frota”, destacam os analistas, que mantêm recomendação neutra para os ativos. 

Gol (GOLL4)

A Gol encerrou o primeiro trimestre de 2019 com lucro líquido de R$ 35,2 milhões, com retração de 83,7% ante os R$ 215,6 milhões informados um ano antes, no critério antes da participação minoritária da Smiles. Se considerando o critério depois da participação minoritária, a empresa reportou prejuízo líquido de R$ 32,3 milhões, ante lucro de R$ 142,3 milhões um ano antes.

Entre os principais fatores que tiveram impacto nos resultados do período, a empresa cita em seu informe de resultados a variação cambial e monetária negativa de R$ 90,7 milhões. Um ano antes, essa variação foi negativa em R$ 40,2 milhões. Importante observar que o valores do primeiro trimestre de 2018 foram reapresentados de acordo com o IFRS 16, não auditados.

O Ebitda (excluindo as despesas não recorrentes) cresceu 15,5% no comparativo anual, somando R$ 951,8 milhões. A margem Ebitda foi de 29,6%, 1,9 p.p. superior a informada um ano antes.

O impacto do aumento de 0,76 centavos no RASK (receita operacional dividida pelo total de assentos-quilômetro oferecidos) e de 0,91 centavos no custo operacional por assento disponível por quilômetro (CASK) ex-depreciação resultou em Ebitda por assento-quilômetro disponível de 7,30 centavos no trimestre, aumento de 0,67 centavos no comparativo anual.

Como já anunciado, a projeção da Gol para margem Ebit e margem Ebitda em 2019 é da ordem de 18% e 28%, respectivamente. A receita líquida da Gol registrou expansão de 8,3% no primeiro trimestre de 2019 ante o informado um ano antes, somando R$ 3,2 bilhões. 

De acordo com a XP Research, os resultados não tiveram grandes destaques. “As margens foram impactadas por custos de combustível mais altos e pelo fim do programa de desoneração da folha de pagamento, como esperado”, afirmam os analistas. Já sobre as revisões de projeções, eles destacaram a revisão do crescimento de oferta, que buscamos compreender melhor durante a teleconferência e a redução do lucro por ação.

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