O que muda para Petrobras, Vibra e Ultrapar com o fim do subsídio ao diesel?

Decisão aproxima significativamente os preços do diesel da Petrobras da paridade de importação

Felipe Moreira

Ativos mencionados na matéria

Bomba de combustível em um posto em Brasília
07/03/2022
REUTERS/Adriano Machado
Bomba de combustível em um posto em Brasília 07/03/2022 REUTERS/Adriano Machado

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O Governo Federal anunciou o fim da subvenção de R$ 0,35 por litro para produtores e importadores de diesel, com vigência a partir desta quarta-feira (1º). A medida antecipa o fim do benefício, que anteriormente estava previsto para expirar no fim de julho, em razão da recente queda dos preços internacionais dos combustíveis.

Em relatório, o analista da XP Investimentos, Regis Cardoso, avalia que a decisão aproxima significativamente os preços do diesel da Petrobras (PETR4;PETR3) da paridade de importação, reduzindo a competitividade do diesel importado e melhorando as condições de mercado para as distribuidoras Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3).

Segundo a XP, após o fim da subvenção, o preço do diesel da Petrobras passa a estar com um desconto de apenas 2% em relação à paridade de importação, considerando a subvenção remanescente. Antes da medida, os preços da estatal operavam com prêmio de cerca de R$ 0,28 por litro frente à paridade. Caso todos os subsídios fossem eliminados, porém, a paridade subiria para R$ 4,49 por litro, ampliando o desconto da Petrobras para R$ 1,19 por litro, ou 27%.

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No caso da gasolina, a XP destaca que o preço da Petrobras nas refinarias, de R$ 2,61 por litro, está 20% abaixo da paridade de importação. Considerando o subsídio ainda vigente de R$ 0,44 por litro, esse desconto cai para 7%. Assim, uma eventual redução ou eliminação desse benefício ampliaria novamente a diferença entre os preços domésticos e os internacionais.

A equipe do Itaú BBA liderada por Monique Greco destaca que o imposto sobre a exportação de petróleo bruto continua em vigor. No entanto, o governo afirmou que tanto esse tributo quanto os subsídios remanescentes aos combustíveis seguem sendo monitorados à luz da evolução dos preços internacionais e poderão ser ajustados ou encerrados antes do prazo previsto, caso as condições de mercado justifiquem.

Segundo as estimativas do BBA, os preços do diesel praticados pela Petrobras estão atualmente 14% acima da paridade de importação (IPP), enquanto os preços da gasolina estão alinhados à paridade de exportação (EPP). O Itaú BBA ressalta, porém, que a Petrobras pode avaliar os parâmetros de sua estratégia comercial de forma diferente das premissas adotadas pelo banco.