Petróleo, EUA, dividendos: os melhores (e piores) ativos do 1º semestre

Mesmo com recuo trazido com as negociações entre EUA e Irã nas últimas semanas, o WTI ainda acumula alta de 21,84% no ano e lidera os ganhos entre os principais ativos acompanhados pelo investidor brasileiro

Equipe InfoMoney

Ativos mencionados na matéria

Plataforma de petróleo (Foto: Arvind Vallabh/Unsplash)
Plataforma de petróleo (Foto: Arvind Vallabh/Unsplash)

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O petróleo foi o ativo de melhor desempenho entre os principais acompanhados pelo investidor brasileiro no primeiro semestre de 2026. Mesmo com o recuo das últimas semanas, provocado pelo avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, o WTI ainda acumula alta de 21,84% no ano, enquanto o Brent avança 20,62%. O alívio recente não foi suficiente para apagar o forte ganho construído ao longo do semestre.

A escalada do conflito no Oriente Médio, que culminou no fechamento parcial do Estreito de Ormuz, empurrou os preços da commodity para perto de US$ 100 o barril em boa parte do semestre. O estreito é responsável por cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.

O movimento também beneficiou a Petrobras (PETR3;PETR4). Mesmo com a queda mais recente, acompanhando o recuo do petróleo à medida que o conflito dá sinais de arrefecimento, a PETR4 acumula alta de cerca de 23% no ano.

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Segundo o Goldman Sachs, o fluxo de petróleo pelo Golfo Pérsico como um todo já havia retomado cerca de 79% dos níveis normais até o fim de junho, mas um ataque recente a um petroleiro em Ormuz coloca em xeque a expectativa de normalização já no início de julho.

Leia também: Após 1º semestre de altos e baixos, o que esperar para o Ibovespa até o fim de 2026?

O JPMorgan projeta o Brent médio em US$ 78 ao fim do ano. Segundo o banco, o equilíbrio do mercado veio menos por queda de estoques comerciais e mais por destruição de demanda, sobretudo na China, que pode ter importado bem menos petróleo do que se estimava.

Retornos percentuais no primeiro semestre de 2026

AtivoRetorno %
Petróleo WTI (*)21,84%
Petróleo Brent (*)20,62%
Nasdaq (*)12,79%
S&P 500 (*)9,55%
Dow Jones (*)8,85%
IDIV6,99%
CDI6,79%
Ibovespa6,76%
Ima Geral5,83%
Poupança4,07%
Bdrx3,54%
Ihfa2,84%
IFIX1,46%
Small Cap-4,58%
Dólar Ptax-5,92%
Ouro (*)-8,31%
Euro Ptax-8,63%
Bitcoin-35,10%
*Em dólar. Fonte: Elos Ayta

Recordes em Wall Street

Os três principais índices americanos fecharam o primeiro semestre em alta, no melhor desempenho para o período desde 2021. O Dow Jones e o S&P 500 subiram mais de 8%, enquanto o Nasdaq avançou mais de 11%, puxado pelo rali de inteligência artificial. O JPMorgan elevou a projeção do S&P 500 para 7.800 pontos no fim do ano, citando o forte investimento das cinco maiores empresas de tecnologia em infraestrutura de IA, que deve somar cerca de US$ 730 bilhões em 2026.

Dividendos seguem bolsas americanas

Seguindo o petróleo e as bolsas americanas está o índice de dividendos da bolsa brasileira. O IDIV encerrou os seis primeiros meses do ano com valorização de 6,99%, praticamente empatado com o CDI, que acumulou 6,79%, enquanto o Ibovespa registrou ganho de 6,76%. Também apresentaram desempenho positivo o IMA Geral (5,71%), a poupança (4,07%), o BDRX (3,54%) e o IHFA (2,84%).

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Real mais forte

O real se mostrou a principal âncora dos ativos locais na primeira metade do ano. O euro, que teve O dólar caiu 5,92% no semestre, apesar de ter revertido parte do movimento em junho com o tom mais duro do Federal Reserve. O ouro recuou 8,31%, pressionado pela mesma dinâmica. Já as bolsas americanas fecharam o melhor primeiro semestre desde 2021, com o S&P 500 e o Nasdaq registrando forte avanço, puxados pelo rali de inteligência artificial.

Nos mercados emergentes, o índice MSCI EM subiu 23% no semestre, mas de forma concentrada em tecnologia. O Goldman Sachs vê espaço para o rali se espalhar para outros setores no segundo semestre, com o alívio do petróleo beneficiando mercados sensíveis a juros, como o Brasil.

Ibovespa em dois momentos

O Ibovespa fechou o semestre com alta de 6,76%, dividido em dois momentos: recorde de 199.354 pontos em abril e forte correção depois, puxada pela saída de capital estrangeiro. Para o segundo semestre, bancos divergem sobre a Bolsa brasileira. O Goldman Sachs mantém recomendação de compra para o Ibovespa, com alvo de 215 mil pontos em 12 meses, enquanto o JPMorgan reduziu a recomendação para o país, citando o cenário eleitoral mais volátil e a piora fiscal.

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Multimercados perdem até para a poupança

Atingidos em cheio pela imprevisibilidade da guerra no Irã, os multimercados patinaram e perderam até para a poupança no semestre, considerando o dado preliminar até 25 de junho. Enquanto o CDI rendeu 6,73%, o Índice de Hedge Funds Anbima (IHFA), que mede o desempenho médio da classe, acumulava alta de 2,84%, contra 4,07% da poupança.

A situação chegou a ser bem pior logo após o primeiro mês de guerra, quando o índice devolveu praticamente todo o ganho acumulado até então. Mas a recuperação não foi suficiente para reverter o estrago do período mais agudo da crise. Ainda assim, o resultado médio esconde uma dispersão grande entre os gestores: alguns multimercados vêm entregando retornos de até dois dígitos no ano, em boa parte apoiados em alocação no exterior.

Bitcoin no fim da fila

Na outra ponta, o Bitcoin (BTC) foi o pior ativo do semestre, com queda de 35,10%. A criptomoeda reage principalmente à virada da política monetária americana sob o novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, defensor histórico de uma meta de inflação de 2% sem concessões, que reprecificou o ambiente de liquidez global. O movimento também desmontou o chamado “debasement trade“, aposta de que o endividamento dos governos corroeria o valor das moedas e beneficiaria ativos de oferta limitada como Bitcoin, ouro e prata, os três caindo juntos quando essa tese perdeu força.

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